Os dias bons

Os dias bons

Eu já escrevi tantas vezes aqui neste blog o quanto eu estou cansada, sem tempo, em crises existenciais-maternais, que às vezes penso que posso estar sendo injusta e deixando de falar sobre os dias maravilhosos, cheios de amor e alegria que eu tenho com meus filhos. 

E ultimamente, como eles estão mais crescidos e independentes, e eu estou mais descansada, com mais tempo para mim, tenho conseguido aproveitar muito mais as crianças.

Na sexta passada, por exemplo, fui buscá-los na escola e fomos para o Ikea comprar um tapete novo para o quarto deles. Se tem Ikea no país que você mora, me diga.... Tem programa mais roubada do que ir para lá depois do expediente, numa sexta feira, com duas crianças pequenas, cansadas e tchannannn SOZINHA? Apesar do racional ficar me dizendo que era missão suicida, alguma coisa me dizia para ir mesmo assim.

Pois não é que deu tudo certo? Eles escolheram o tapetinho deles felizes, se contentaram em não levar nada mais do que isso, comeram, esperaram pacientemente na fila do caixa. No final, eu estava tão extasiada com a perfeição do meu programa Ikea with kids, que dexei cada um encher um saquinho de guloseimas para si. Sabe aquele esquema de colocar as balas em um saquinho e pesar depois? Nossa Senhora... os dois literalmente se abraçaram de alegria. Estavam extasiados com a possibilidade raríssima de se encherem de açúcar e escolhiam a dedo o que iam levar.  Quando vi, eu estava fazendo um saquinho de guloseimas para mim (tipo louca), de tão tomada que eu fui pela euforia deles. Voltamos no carro comparando (e comendo) nossas guloseimas, fazendo trocas e debatendo sobre as melhores escolhas. Chegamos em casa na maior animação.

Hoje, de novo, dia bom: enquanto eu dava um tapa na casa, meus filhos estavam no quarto brincando sozinhos. O Gael era praticamente uma boneca da Maria, ia colocando umas fantasias nele, umas roupas malucas... e ele embarcando total na viagem dela... Eu ia no quarto às vezes para dar uma checada neles e morria de rir. Gael de peruca, de batom, vestido de princesa, com máscara de Batman, óculos escuros e detalhe: amando seus looks!  Eu até tentei tirar algumas fotos para guardar o que vi... mas só quem estava ali mesmo assistindo aquela cena poderia entender a loucura que foi. 

Depois disso fomos de bicicleta até um parquinho perto de casa. Aqui na Europa está começando o outono e a paisagem é linda. Aquelas folhas amarelas e vermelhas caídas no chão, sabe? O dia tinha uma brisa gostosa, levinha. Eu estava sentada num banco olhando o Gael e a Maria brincarem, e sei que pode parecer meio piegas, mas meus olhos se encheram de lágrimas.  Não sei se foi a brisa, a paisagem, a tranquilidade daquele momento.  Só sei que me emocionei de ver meus filhos ali brincando, felizes. Senti orgulho de ter chegado até aqui, dos sacríficios que fiz por eles e, principalmente, senti muito orgulho deles: meus filhos, que emoção. Que gratidão.

E ser mãe é assim, né? A maior trabalheira, muitas vezes super estressante, sacrifícios, mas tem sempre esses momentos de amor, meio de iluminação mesmo, quando você percebe que pode ser extremamente feliz por causa de um saco de balas que divide com eles. Ou porque alguém fez um montinho de areia, colocou um galho em cima e disse para você se levantar do banco e cantar parabéns.

E é isso. Só queria dividir esses momentos legais com vocês, já que tantas outras vezes dividi os perrengues. Sei que muitas mães agora sentem muito mais o estresse do que as alegrias. Sei disso porque já passei por fases assim, e com certeza virão outras. No entanto, mesmo nas fases mais complicadas da maternidade, sempre existem os dias bons ou pelo menos os momentos bons. E a gente tem que abrir o peito e mergulhar de cabeça nestes momentos. Felicidade mais pura não há.

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 Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe de Maria e Gael.  Seus filhos tem essa habilidade quase mágica, que a maioria das crianças têm: eles dão muito, muito trabalho, e mesmo assim fazem seus pais muito, muito felizes. 

O que seus filhos acham de você?

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