Não toquem no meu bebê!

Não toquem no meu bebê!

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Minha filha sempre adorou bebês. Ela gosta de sorrir pra eles, cantar musiquinhas e , é claro, tocar neles. Acho que é um instinto materno natural de quem adora bonecas e quando vê uma de “verdade” fica encantada. Lógico que fico de olho. A maioria das mães que encontro não se importa com os afagos da Alice, até acham bonitinho. E eu estou sempre avisando que ela já colocou álcool gel nas mãos. Mas algumas mães não olham de cara boa e eu sempre tive que rebolar para tirar minha filha de perto quando ela era menor. Hoje ela mesma nota quando não está sendo bem-vinda.

Estou contanto isso porque já vi algumas mães desabafando que não gostam de que as pessoas peguem no filho delas. Algumas se sentem indignadas, irritadas mesmo, das pessoas quererem tocar no bebê.

Num grupo que participo, surgiu o debate. Algumas dizendo que o mundo precisa de mais amor e menos intolerância. Outra dizendo que vai alertar os próprios filhos a não encostarem nos bebês do parquinho pois correm o risco de apanharem de alguém.

Meu ímpeto inicial também é de reprovação de mães assim. Eu acho que tem tanta coisa no mundo pra se indignar e a gente vai logo se indignar com demonstração de afeto?

Mas eu tenho que admitir que quando meus filhos eram bebês, eu tinha sim aquela vontade de querer eles só para mim como se nunca tivessem saído da minha barriga. Acho que é uma reação natural do início da maternidade, que vai melhorando. Tenho uma amiga, por exemplo, que demorou um tempão para virar o carrinho e deixar a filha dela “ver o mundo”. Ela admite que queria que a bebê, mesmo grandinha, ficasse olhando só pra ela nos passeios. Mãe tem dessas coisas.

Eu, particularmente, não tenho problemas com contato físico. É claro que existe o bom senso de que se alguém está visivelmente com as mãos sujas, eu sempre pedi gentilmente que usasse um álcool gel (que carrego comigo). Quando a Alice era bebezinha e uma criança vinha brincar com ela, se eu percebesse que a minha filha estava incomodada, eu também sabia pedir para a criança: “Que tal você pegar só no pezinho dela? Acho que ela vai gostar mais!”. E assim, eu acho, com boa vontade e tolerância a gente consegue ceder um pouco e ao mesmo tempo colocar os limites que acreditamos certos.

Tem gente com implicância enorme com toques e isto não pode ser ignorado. Hoje mesmo vi um post de uma amiga, que tem dois filhos na faixa de 3 e 6 anos, explicando “por favor, parem de ficar afagando os cabelos dos meus filhos como se eles fossem pet” Para mães assim existem duas coisas desvinculadas: a simpatia e o toque. A princípio este parece um pedido de uma pessoa muito chata, mas eu te garanto que esta minha amiga é um doce. Ela só não quer que os filhos sejam tocados dessa maneira. Mãe tem dessas coisas.

Será mesmo que um pequeno afago é motivo pra reclamar? Eu acho que também compreendo as senhorinhas que ficam encantadas com os bebês alheios... é cada um mais fofo do que o outro. Há tanta gente carente e sozinha nesse mundo! Mas ok, este mesmo mundo é feito de coisas esquisitas e deixar um estranho se aproximar do seu filho, dependendo da situação, não tem nada de seguro, já que há malucos por toda a parte.

Como vocês podem ver eu tentei abordar vários pontos de vista, não apenas o meu. Não consigo definir o que é o mais certo. Eu acho que existe de tudo: mães neuróticas e gente sem noção. Mães neuróticas e gente que só quer ser simpática. Mães que não gostam de toques e a gente precisa respeitar isto. Mães desencanadas demais e gente que não é confiável. A melhor combinação pra mim de um mundo ideal: mães razoáveis que encontram sempre pessoas do bem no caminho.

 

Fabiana Santos mora em Washington D.C. e além de ser mãe de Alice, hoje com 8, é mãe de Felipe, de 14 anos. Ela nunca se esqueceu do conselho que ouviu de um pediatra: "Não crie seus filhos numa redoma de vidro. O ambiente mais saudável é a vida real".

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