Não toquem no meu bebê!

Não toquem no meu bebê!

aliceebebe.jpg

Minha filha de dois anos e meio adora bebês que encontra pelo caminho. Daqueles na faixa dos 6 meses. Ela gosta de sorrir pra eles, cantar musiquinhas batendo palmas e, é claro, tocar neles, brincar de “fazer cosquinha", como ela mesmo diz.  Acho que é um instinto materno natural de quem adora bonecas e quando vê uma de “verdade” fica encantada. Lógico que supervisiono, fico de olho, para ela não extrapolar os limites do carinho e eventualmente machucar o bebê. A maioria das mães que encontro não se importa com estas reações da Alice, até acham bonitinho. Mas algumas não olham de cara boa e eu tenho que rebolar para tirar minha filha de perto... mas respeito e tiro.

Estou falando sobre isso porque há algumas semanas me deparei com um comentário numa comunidade de mães do Facebook que num primeiro momento muito me chocou. Era uma mãe desabafando que não gostava de que as pessoas pegassem no filho dela. Ela dizia que ficava “indignada” das pessoas estranhas quererem pegar no bebê. E foi mais longe ao admitir que tem vontade de “chutar” a pessoa que chega perto e quer encostar no filho dela.

Choveram comentários esculhambando esta mãe. Desde os mais sutis dizendo pra ela tentar entender as pessoas porque o mundo precisa de mais amor e menos intolerância. Até os mais sarcásticos, de mães sugerindo que ela fizesse um tratamento psicológico. E outras dizendo que vão alertar os próprios filhos a não encostarem nos bebês do parquinho pois correm o risco de apanharem de alguém.

Meu ímpeto também foi de reprovação. Até fiz um comentário dizendo que “muita coisa me indigna nesse mundo, mas não consigo me indignar com afeto”. Os comentários fizeram a mãe deletar o próprio post.

E como quase todo mundo gosta de uma boa polêmica, não adiantou excluir o post. Uma outra mãe postou em seguida: “Ué... cadê aquela mãe que não gosta que encostem no bebê dela?”. E mais uma vez: um novo round de dezenas de comentários recomeçaram. A maioria metendo o pau, mas alguns concordando com a mãe em questão.

Eu sinceramente preciso dizer aqui o meu ponto de vista. Está bem que eu não vou ser hipócrita e tenho até que admitir que quando meus filhos eram recém-nascidos, eu tinha sim aquela vontade de querer eles só para mim, como se nunca tivessem saído da minha barriga. Mas isso passa. Eu acho que desde que uma criança nasce a gente tem que plantar nela o amor e o respeito pelo próximo. E as nossas atitudes, por mais óbvio que isso seja, são exemplos para os nossos filhos. Na minha casa, manifestações de carinho, até de quem eu não conheço, não são repudiadas. Não tenho problema com contato físico. É claro que existe o bom senso junto com toda essa minha idéia: se alguém está visivelmente com as mãos sujas, eu peço gentilmente que use um álcool gel (que sempre carrego comigo). Quando a Alice era pequenina e uma criança vinha brincar com ela, se eu percebesse que a Alice estava incomodada, eu também sabia pedir para a criança sem acabar com a brincadeira: “Que tal você pegar só no pezinho dela? Acho que ela vai gostar mais!”. E assim, eu acho, com boa vontade e tolerância a gente consegue ceder um pouco e ao mesmo tempo colocar os limites que acreditamos certos.

Mas aí, entre um comentário e outro nessa comunidade de mães do Facebook, outras mães saíram em defesa da que não gostava de que encostassem no bebê dela e argumentaram diferente de mim. Uma disse que a questão não era deixar de ser simpática, sorridente e sociável. Mas simplesmente não querer que encostem no bebê. Pra ela existem duas coisas desvinculadas: a simpatia e o toque. Ela entendia a outra mãe porque ela não suporta o fato de ser encostada por alguém estranho. Eu consigo compreender isso. Apesar de não viver dessa forma e achar que a partir do momento em que você fecha a cara porque alguém encostou na bochecha do seu filho, a sua fama não vai ser de Miss Simpatia.

Uma outra mãe escreveu sobre pessoas “sem noção” que saem querendo beijar e agarrar os bebês nas ruas. Bem, esse tipo de coisa sinceramente nunca ocorreu comigo. Desconhecido querendo pegar no colo e beijar meus filhos, eu não me lembro disso. Nem no Brasil e nem aqui nos Estados Unidos, onde a noção do “direito ao seu espaço” é muito respeitada. Mas um pequeno afago? Um toque nas mãozinhas, na cabeça? Isso não é aceitável?

Independente da opinião de cada um, é importantante tentar ver os dois lados da moeda. Eu acho que compreendo as senhorinhas que ficam encantadas com os bebês alheios... é cada um mais fofo do que o outro. Há tanta gente carente nesse mundo! Mas ok, este mesmo mundo é feito de coisas esquisitas e deixar um estranho segurar seu filho, dependendo da situação, pode não ser nada seguro, já que há malucos por toda a parte.

Eu acho que existe de tudo: mães neuróticas e gente sem noção. Mães neuróticas e gente que só quer ser simpática. Mães que não gostam de toques e gente que fica triste com isso. Mães desencanadas e gente que não é confiável. Mães desencanadas que encontram pessoas do bem. Talvez esta última combinação seja a melhor de todas pra mim. E pra você, cara leitora? O que você acha disso?

 

Fabiana Santos mora em Washington D.C. e além de ser mãe de Alice, é mãe de Felipe, de 8 anos. Ela nunca se esqueceu do conselho que ouviu de um médico, num momento bem crítico: "Não crie seus filhos numa redoma de vidro. O ambiente mais saudável é a vida real".

O que aprendi lendo todos os livros sobre o sono dos bebês

O que aprendi lendo todos os livros sobre o sono dos bebês

O que seus filhos acham de você?

O que seus filhos acham de você?