Ele não é mais o meu bebê, e agora?

Ele não é mais o meu bebê, e agora?

Fabiana e o seu bebê

Fabiana e o seu bebê

Felipe está crescendo rápido. Já tem quase nove anos e parece que foi ontem que eu me desesperava para ele mamar no peito, que eu andava horas com ele no colo para ele pegar no sono e que eu não conseguia distinguir o choro, achando que era cólica quando na verdade ele tinha fome. Ok... ele foi o primeiro filho. Com ele descobri os primeiros deveres de “ser mãe”, as primeiras emoções, as primeiras angústias. Com ele “estreiei” um amor que eu não imaginava ser do tamanho que é. Me lembro bem da taquicardia que tive no primeiro dia de trabalho, pós-licença maternidade. Eu achei que estava tendo um treco, tentava respirar e não conseguia, tudo o que eu sentia era uma imensa saudade e um  vazio enorme de ter que seguir meu dia sem ele.

Mas eu consegui “sobreviver” e continuar trabalhando. Aos dois anos, ele entrou na escola. E tive um acesso de choro quando percebi que ele se virava bem sem mim com os coleguinhas. Que conseguia, depois do período de adaptação, dar  “tchau, mamãe” e correr para a “tia” e para os amigos com a maior naturalidade.  E também foi surpreendente o quanto ele foi desenvolto ao se mudar depois para uma escola muito maior. Eu criei um monte de expectativas ruins e ele reagiu com um enorme orgulho de si mesmo por estar numa escola de “meninos grandes”.

Dia após dia ele só me prova que consegue estar bem para crescer sem cercas. Ao mudar para um novo país, ele também aguentou firme todas as mudanças e demonstrou, do alto dos seus seis aninhos, uma maturidade incrível.

A gente vai tentando aprender que eles não estão mais nas nossas barrigas (se bem que, por muito tempo, eu senti uma falta danada de ter o Felipe só pra mim, adorei estar grávida).

Pois bem...as fases vão mudando e era para eu ir me acostumando. Mas pra mim é difícil. E será que é fácil pra alguma mãe? Encarar que um filho não é mais tão dependente de você, que ele pode (e deve) ter vontades próprias. Ele já é praticamente um pré-adolescente e é tão duro colocar na minha cabeça que eu preciso dar espaço, claro que monitorar, mas sem sufocar.

Até outro dia eu deixava a roupa da escola separada para ele vestir (por aqui não há uniformes). De uns tempos para cá, comecei a ver que a roupa que eu separava ficava lá e ele escolhia outra. É claro que já desisti dessa minha tarefa.

E aquele clássico momento, que eu tanto já tinha ouvido falar e pensei estar bem distante de mim, já aconteceu: ele não quer mais saber de "beijos e abraços sem ter fim" quando deixo ou busco ele na escola.

Outro dia me perguntou se já podia usar desodorante. Num outro dia mostrou a perna todo orgulhoso: "Olha, mamãe, eu já estou começando a ter pêlos!".

Eu que sempre pensei em ser uma mãe "cool", moderna, quando esta fase chegasse, estou me sentindo um tanto sem rumo.

E aqui o "bebê" criando asas.

E aqui o "bebê" criando asas.

De vez em quando tem rolado um estresse porque o verbo obedecer já está começando a ser trocado pelo "desafiar". E confesso que ainda não me sinto pronta pra encarar isso. Preciso arranjar urgente um "kit" de jogo de cintura. Permitir e ao mesmo tempo continuar cuidando. Estar pronta para conversar e ao mesmo tempo respeitar a vontade dele de se isolar. E talvez não criar tantas expectivas e tantos monstros, não é mesmo?

Dar asas pra ele voar, mas ficar pronta aqui embaixo caso seja necessário segurá-lo.

 

Fabiana Santos é jornalista. Mãe de Felipe e também de Alice, de dois anos. Ao escrever esse texto lembrou-se da célebre frase: "A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo".

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