Quem sabe o que é melhor para o meu filho sou eu

Quem sabe o que é melhor para o meu filho sou eu

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Será que ela sabe o que está fazendo? Sim, esta frase não saiu da minha cabeça neste final de semana. Pela primeira vez fui a um casamento levando meu bebê de 3 meses e meio. Uma amiga mais do que querida ia casar e era importante pra mim estar lá.

Primeiro: a correria de cuidar do bebê e me arrumar sozinha, fazer a unha, maquiagem, ver roupa, cabelo... Estava tão cansada quando terminei tudo! E obviamente saímos de casa na hora em que o casamento já devia ter começado. A sorte é que a noiva atrasou, como de costume, e deu tempo de vê-la entrar.  Estava linda, fiquei feliz de estar lá!

A questão é que tudo ia bem até chegarmos na festa. Conseguimos um local mais afastado, longe do som alto e achamos que ali o bebê ficaria mais distante do barulho. Mas percebi que ele estava bem incomodado, com gases, e devia estar sentindo cólicas. Fiz massagem, dei o remedinho que ele toma e não adiantou. Cheguei a conclusão de que a música e muitas pessoas falando ao mesmo tempo deviam estar deixando ele enlouquecido.

Depois de muito tempo dele chorando sem parar, resolvi sair e ficar lá fora, onde ele acabou se acalmando. Quase 30 minutos depois, voltei para festa e a loucura dele recomeçou.

E não sei como... Mas de repente havia umas 5 pessoas ao meu redor: perguntando, colocando a mão no bebê, dando instruções do que eu deveria fazer... juro que minha vontade foi dar um grito para todos saírem de perto!

“Ele deve estar com fome, mãe”, “Tira a roupa dele, está quente demais para ficar com esta roupa”, “Vira ele de barriga para baixo”! “Coloca a calça nele pois ele está com as pernas frias”, “Que judiação, olha!”. Tentei ser educada com aquele sorriso amarelo. Mas acabei  dando algumas respostas secas e o pessoal foi se dissipando...E assim foi por um longo tempo.

Em certo momento ele dormiu, de exausto. Tentei colocá-lo no carrinho para comer alguma coisa e o berreiro recomeçou. As pessoas olhavam perplexas, umas com cara de dó, outras com cara de raiva, outras pareciam estar incomodadas com o choro dele, que na minha opinião, perto do barulho da festa, não era tão alto assim. A sorte é que uma amiga, que tem um bebê 1 mês mais novo, estava lá me ajudando e me entendendo. Como é bom nestes momentos ter pessoas que estão passando pela mesma fase e podem te ajudar efetivamente. Outras pessoas também estavam colaborando e meu marido, que é super calmo, se revezou comigo segurando nosso filho.

Uma das garçonetes me ofereceu salgadinho e pela vigésima vez eu recusei. Ela me olhou séria, disse que não ia aceitar mais um “não” e deixou um prato na mesa para mim, pois ela viu que eu não estava comendo nada com o bebê no colo. Uma linda, né? E de fato eu estava com muita fome, comi todos os salgados que ela deixou e mais outros que ela sempre vinha repor! Incrível como nestas horas tem muita gente sem noção, mas aparecem anjos de Deus para nos acalmar e ajudar!

Pensei várias vezes em ir embora. Me senti culpada por ele ter ficado daquele jeito. Mas sabia que uma hora ou outra ele teria contato com este tipo de barulho e situação.

Num primeiro momento fiquei arrependida de ter ido à festa, mas depois passou. Fiquei muito nervosa com a abordagem das pessoas, minha sensação é que elas acharam que eu estava lá sem saber o que fazer. Sei que muitos queriam ajudar, mas acabaram me irritando porque invadiram o meu espaço e me deram ordens sem saber o que realmente estava acontecendo.

Depois que meu bebê desmaiou de cansaço nos meus braços, veio a hora da gravata... Os homens estavam gritando, vindo na nossa direção e eu senti um frio na espinha. Cada grito era um pulo dele e meu coração doía. Depois disso até consegui revezar o colo, entre eu e meu marido. Meu bebê ameaçou acordar, mas estava tão exausto que continuou dormindo.

E ainda dormiu feliz da vida quando chegou em casa e encontrou o berço dele, tão familiar, quietinho e gostoso! Acordou renovado no outro dia e tudo estava normal pra ele!

Acordei destruída, parecia que tinha levado uma surra de tanta dor muscular. Meu marido também acordou cheio de dores. Mas a vida segue em frente!

Foi o primeiro casamento que fui onde nem vi a cara da pista de dança, não vi a noiva jogando o buquê e nem assisti aos vídeos no telão. Mas estava realizada, pois passei a noite tentando acalmar o meu lindo bebê.

Nós mães somos fortes! Passamos por poucas e boas, testadas o tempo todo, mas somos mulheres de fibra e não tenho dúvida... SIM! Nós sabemos o que estamos fazendo!

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora por confiar sua história ao blog.

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