O dia em que resolvi levar meus filhos numa festa (só) de adultos

O dia em que resolvi levar meus filhos numa festa (só) de adultos

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Era aniversário de um amigo querido. Impossível deixar de ir. Sabíamos que seria uma festa só pra adultos. Mas não tínhamos ninguém pra ficar com as crianças e resolvemos arriscar aquele programa de índio.

Já no caminho o Felipe perguntou: "Vamos ser as únicas crianças lá?" E eu e meu marido explicamos que sim, mas que não seria muito ruim porque a idéia era ficar no máximo uma hora. "Só para cumprimentar o aniversariante". Felipe resmungou algo e Alice, que está numa idade de achar que tudo é pra ela, falou animada: "Oba! A gente vai numa festa!"

Sim, de fato, era uma festa só de gente grande. Mas não, não foi a tragédia que se anunciava.

Muitos petiscos para provar, naquele esquema de "cada um leva um prato". E logo apareceu a primeira diversão para o Felipe: saborear coisas que ele nunca tinha comido antes. E como Alice gosta de fazer o que o irmão faz, ganhamos tempo podendo conversar com os outros convidados enquanto eles testavam os biscoitinhos e tomavam suco de uva.

É bom lembrar que para evitar o mau humor da Alice, de dois anos e meio, eu me precavi: ela dormiu o sono da tarde e jantou antes de irmos para a festa.

Um outro detalhe importante contribuiu para que a Alice não se intimidasse transitando entre os adultos: um cachorro já mais velho, mas muito obediente, serviu de "amiguinho" na falta de outras crianças.

Agora o que seduziu meus filhos para um comportamento nota 10 foi o espaço que havia na casa para os convidados dançarem tango. Já que o aniversariante é um exímio dançarino argentino e a dona da casa, professora de tango.

Alice e Felipe, contagiados pela música, adoraram assistir os dançarinos na pista. Tenho que confessar que me emocionei vendo os dois sentadinhos na escada curtindo o ritmo e os passos. E depois, eles até dançaram imitando os adultos. Fiquei pensando que temos sim feito um bom trabalho na formação desses dois que sabem se comportar num ambiente que não seria pra eles.

E tudo deu certo... Teve bolo de chocolate e parabéns. Alice cantou e bateu palmas. E arrancou gargalhadas até dos mais sisudos, ao ficar enfiando o dedinho no glacê do bolo e lambendo, toda feliz, enquanto o aniversariante agradecia a presença de todos.

Nem preciso dizer que o plano de só ficar uma hora furou e fomos embora bem mais tarde. É claro que saímos antes que qualquer coisa desandasse por conta do cansaço natural de crianças que precisavam ir dormir.

Algumas pessoas que não conhecíamos (e sem filhos) elogiaram os dois. Claro que fiquei super orgulhosa deles. Mas não é só para dividir esse sentimento que estou escrevendo aqui. Senti uma vontade de encorajar outros pais a também incluírem seus filhos em programas que, a princípio, têm tudo para não dar certo.

É que eu fiquei pensando na quantidade de coisas que a gente acaba evitando, perdendo, sem nem tentar, por causa daquela desculpa de "tenho criança pequena". Com certa criatividade e limites, eu acho que dá para negociar com os filhos. E muitas vezes a negociação pode até surpreender os dois lados.

 

Fabiana Santos mora em Washington-DC com a família. Na noite da festa, as crianças já chegaram em casa dormindo, provavelmente sonhando que dançavam um tango.

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