Neste Natal, troque um iPad por um pedaço de pano

Neste Natal, troque um iPad por um pedaço de pano

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Vou escrever uma notícia que vai “chocar” muitas mães: moro em Nova York, tenho uma filha de três anos e meio e nunca entrei na Toys R Us. Nunca. Nem naquela da Times Square? Não – muito menos naquela. E isso não quer dizer que a minha filha não tenha brinquedos. Apenas significa que ela não tem aqueles brinquedos: aqueles, auto-brincantes, que falam sozinhos, que piscam sei lá como, que tornam a crianças em espectadoras em vez de protagonistas. Um dos meus maiores prazeres é comprar brinquedos para ela, e ver que tem gente, e empresas, que tem os mesmos valores que eu.

Recentemente assisti a um filme que reflete exatamente o que estou falando. O filme é sobre dois pais totalmente negligentes; mas o quarto da filha de seis anos é show. “What Maisie Knew” se passa em Manhattan, e contou com um curador e estilista de primeira: tiveram o cuidado em selecionar os brinquedos mais bacanas (muitos animais, por exemplo), nas melhores lojas daqui. A personagem passava horas imaginando e brincando de faz-de-conta; o filme seria mais chato se ela ficasse olhando para um robô pisca-pisca caminhar pelo quarto. A vida real também seria. No quarto da Maisie não tem Barbie, não tem Monster High (ou MauGosto High), nem Cinderela. Ela sobrevive? Claro que sim.

Não estou dizendo que as meninas não devem ter os brinquedos impostos pela televisão. Mas como elas vão ganhar de alguém, mais cedo ou mais tarde, cabe a nós, mães e pais, buscar os brinquedos mais criativos: quebra-cabeças, cubos, instrumentos, mini-cozinhas, fantoches, tinta, massinha. Outro dia, minha filha perguntou, via Skype, ao avô carioca “onde estava o brinquedo do passarinho que dá comidinha na boca (ou bico) do filhote”. Trata-se de um brinquedo artesanal de madeira que comprei na loja "Enfim Enfant" no Shoping da Gávea, e que deixamos no Rio. Foi o único brinquedo do qual ela sentiu falta, dos vários que ficaram na casa do vovô e da vovó.

Há empresas como Hape, Janod, Boikido, Plan Toys, Tegu (todas eles tem na Amazon.com) e outras marcas européias, que você encontra em lojas como a Norman & Jules. Neste último chanuká, dei para ela um teatrinho portátil, de pano. Tem duas alça laterais, e uma janelinha com cortina no centro - você pendura e pronto: um teatro de fantoches. Preço? 39 dólares, na loja Land of Nod, que também adoro. Há quem possa achar caro, principalmente se pensarmos que a maior parte das crianças do mundo não tem dinheiro para um lápis-de-cor.  Mas ainda é mais barato do que um iPad (algo que minha filha também não tem). Quando ela ganhou o teatrinho, ela pegou os três porquinhos e o lobo mau, fantoches brasileiros que ela ganhou da Tia Silvia (comprados também na Enfim Enfant) e se deliciou com as amiguinhas numa festa no dia seguinte (basta dobrar e colocar na bolsa). Sim, um grande pedaço de pano. E Feliz Natal.

 

Tania Menai é jornalista em Nova York há 18 anos. Mãe de Laila, ela dá dicas do mundo infantil e maternal no Twitter: @mominbrooklyn.

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