O ano novo de cada um

O ano novo de cada um

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Morando na capital americana há quase três anos, venho fazendo amigos de várias partes do mundo. Por aqui é possível eu ir ao parquinho mais próximo com os meus filhos e encontrar uma família falando italiano, outra francês e uma outra família russa. Esta diversidade me encanta. Adoro descobrir particularidades sobre um monte de lugares que estão ao meu alcance graças a essas pessoas: estrangeiros como eu na América ou conectados comigo pelas redes sociais.

E assim, considerando a boa vontade desses amigos, resolvi investigar a respeito da superstição de cada um para um feliz Ano Novo. Algumas histórias me surpreenderam e aqui compartilho as melhores.

No Peru, a regra é usar peças íntimas na cor amarela na noite do dia 31. Só vale amarelo e as lojas nessa época ficam lotadas de lingerie dessa cor. A mãe de uma amiga peruana, manda para os Estados Unidos, em Dezembro, peças amarelas para toda família!

Já para o meu amigo catalão, Andres, as roupas íntimas têm que ser vermelhas. E junto às doze badaladas do relógio à meia-noite, os espanhóis têm que comer doze uvas. Andrés diz que, de preferência, escolhe comprar uvas sem caroços para não se engasgar!

No México, uma das várias superstições é pegar uma mala vazia e sair andando com essa mala dando voltas do lado de fora de casa ou pelo quarteirão para atrair coisas boas no novo ano.

Minha amiga Marina é da região do sul da Rússia, perto da Ucrânia. Por lá, para que haja prosperidade durante todo o ano, não pode faltar na ceia de Ano Novo: champagne, caviar vermelho, pato com maçãs e tangerinas. Nada mal um cardápio assim! E para os sonhos se realizarem entre os russos, é preciso escrever o maior desejo num papel, queimá-lo e beber uma taça de champagne com as cinzas dentro, exatamente à meia-noite.

Na Polônia, muitas famílias fazem questão de fazer faxina na casa no primeiro dia do ano. Minha amiga Ewa me explicou que tudo tem que ficar limpo mesmo: nada de deixar roupa suja no tanque ou louça na pia. Todo este esforço é para que o ano chegue em ordem, renovado!

Aqui nos Estados Unidos, um beijo é a primeira coisa a fazer no Novo Ano. Beijar alguém exatamente à meia-noite foi a resposta das minhas amigas americanas para que o novo ano seja feliz. 

Eu não sei onde você vai estar quando este ano estiver acabando. Talvez longe de pessoas queridas. Ou com muitas à sua volta. Com um bebê chorando ou já dormindo, apesar dos fogos de artifício. (Que bom seria se houvesse alguma superstição que fizesse nossas crianças dormirem a noite inteira em 2014, hein?). Mas uma coisa é certa: em qualquer lugar do mundo, abraço de filho vale mais do que qualquer crendice. Então, se nesta passagem de ano, mesmo que seu destino não seja a festa mais animada da cidade, não tenha dúvida: pegue os seus amuletinhos e dê um abraço bem apertado neles à meia-noite. Com tanto amor no coração, a sorte em 2014 está garantida!

 

Fabiana Santos é jornalista e cresceu em Brasília, onde definitivamente a tradição de pular três ondinhas não existe. Mas neste Ano Novo, com toda certeza, ela vai sentir saudades da sopa de lentilha de uma tia querida. 

 

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