Uma cidade que pensa nas crianças

Uma cidade que pensa nas crianças

Passei cinco dias em Berlim com meu marido e meus filhos. Já conhecia algumas cidades alemãs, incluindo a capital, mas nunca tinha vindo parar aqui com criança pequena. Estive no país em outro momento da vida, em que você nem dá valor ou presta atenção num mundo que facilita a vida de uma mãe. É muito interessante visitar uma cidade com esta outra ótica.

Talvez eu tenha tido sorte, mas o fato é que por onde eu passei pude perceber detalhes que fazem toda a diferença quando você tem crianças. Ônibus e metrô com espaços reservados (e respeitados) para você entrar com carrinho de bebê. Elevadores de acesso em quase todas as estações. Uma grande variedade de parquinhos pelos bairros. Nos restaurantes: talheres e cadeirinhas (sempre) para crianças. Pode parecer detalhe bobo, mas para mim não é: vasos sanitários para crianças em muitos lugares, inclusive no banheiro do Zoológico.

Estacionamento para carrinhos em um Kindercafe

Estacionamento para carrinhos em um Kindercafe

E os kindercafés? O máximo! Para fazer uma refeição, com um bom chocolate quente, poltronas iguais da casa da gente e espaço de sobra para as crianças brincarem. Se o bebê precisar de papinha por lá também tem. São vários paraísos desses (eu contei mais de dez recomendações num guia) para os pais tomarem fôlego e para as crianças se libertarem das roupas de frio desta época e dos cintos de segurança (aliás, do lado de fora fica sempre um estacionamento cheio de carrinhos de bebês). Infelizmente não tivemos tempo para fazer um tour por esses cafés, mas eu adorei o que a gente foi: Das Spielzimmer, no bairro Prenzlauer Berg, que é queridinho das famílias com crianças. A Alice ficou tão à vontade naquele lugar aconchegante, com escorrega, piscina de bolinhas, pequenas bicicletas... que não queria ir embora.

Em Washington-DC, onde eu moro, não é comum lugares assim. E no Brasil, também não conheço. Brinquedotecas não são a mesma coisa... Cafés para pais e filhos pequenos: essa idéia podia pegar no Brasil e também não precisa ser nada caro ou sofisticado. Não precisa pagar nada "a mais" enquanto você come e bate-papo e as crianças se divertem. Talvez seja ignorância minha: mas se estes cafés existirem nos moldes dos alemães, vou adorar saber onde ficam.

Cinco dias em Berlim: Felipe se abasteceu de cultura (curtiu muito ver o que sobrou do Muro e saber da história) e Alice amou as salsichas. Aliás, comida não foi problema. Nem a chuva, tão comum nesta região. Com capa de plástico no carrinho e roupas adequadas, lá fomos nós acompanhando os demais pais europeus que não se intimidam com o mau tempo para passear pelos mercados de Natal ao ar livre (que sempre têm pelo menos um Carrossel para as crianças).

O curioso é que eu sempre escutei sobre o baixo índice de natalidade da Alemanha (um dos piores da Europa) e sobre os alemães serem ranzinzas e tal. Pois no Brasil, um monte de gente tem filhos e o país é bem menos atencioso com eles. Afinal, gostar de criança não é só sorrir e passar a mão na cabeça. Parquinho (público e em boas condições) e vasinho sanitário são muito bem-vindos!

Na despedida, mais um bom detalhe: lápis de cor, caderninhos e bugigangas para as crianças se entreterem no vôo de volta, distribuídos pelas aeromoças da Lufthansa. Berlim tratou meus filhos bem e essas coisas a gente não esquece.  (Eu queria escrever em alemão “Até breve, Alemanha!”, mas não confiei no Google Translate).


Fabiana Santos é mãe de Felipe, de 8 anos, e de Alice, de 2 anos. Para estas mini-férias, foram valiosas as dicas do blog luvaville.com . Por lá, duas amigas dinamarquesas contam como se divertir com as crianças em seis cidades pelo mundo.

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