Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

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Eu sou super parecida com o meu pai e a minha mãe. Até em coisas que era melhor não ser parecida com eles, que eles mesmo nem gostariam de ter me ensinado. Mas que eu me tornei porque quando era uma criança absorvendo tudo como uma esponja, eu imitava o comportamento deles. Simples assim.

Claro que nós também aprendemos com o que nossos pais nos falam. Mas eu não sei se é tão poderoso como o efeito do exemplo vivo, de você aprender alguma coisa porque no mundo em que você nasceu era assim que as coisas aconteciam. E recentemente, eu tive uma prova viva disso.

MInha filha, que é a maior vaidosinha, chega ás vezes frustada da escolinha dizendo que ninguém reparou no penteado dela ou na roupa nova dela. Ou pior, que alguém disse que NÃO gostou do penteado, roupa, sapato, brinquedo, mochila dela....  E eu sempre repito como num mantra que isso não importa. "Quem tem que gostar é você. Essa roupa você colocou para você ficar bonita para você mesma, para você ser feliz. Não importa nadinha se alguém gostou ou não."

Eu falo isso porque eu gostaria que ela crescesse acreditando nisso. Que ela se tornasse uma pessoa que não se importa muito com a opinião dos outros, que vive para si mesma e não para os outros. Eu quero que meus filhos sejam muito melhores do que eu. Quero que eles sejam a versão evoluída de mim e do pai deles. E por isso fico repetindo como um mantra coisas legais que eu gostaria que eles aprendessem. Mas que, devo admitir, nem sempre eu mesma sou.

Eis que estou me arrumando para uma festa infantil, e coloco um vestido que assim para o padrão alemão - eu moro na Alemanha -  não era muito festa infantil. Ficou lindo, mas o problema é que estava lindo demais. E eu não queria chegar numa festa infantil com mães alemães de calça jeans surrada e o cabelo que elas lavaram na semana passada, arrumada demais. Não que o vestido fosse decotado ou como uma fenda rasgada na perna, nada disso. Era um vestido bem normal. Mas que dizia: eu me arrumei. Num lugar onde quase ninguém se arruma muito. Um vestido que dizia: "sim, eu sou diferente de vocês."

Enfim, depois de andar um pouco pela casa com o vestido e receber elogios fofos da minha filha, eu decido tirar o vestido. A pergunta vem: "Mamãe, se você gostou tanto desse vestido porque você vai tirar?" Resposta sem pensar muito: "Ah, porque ninguém vai estar de vestido nessa festa e eu vou me sentir ridícula." Minha filha fez uma cara de indignação tão grande que na hora eu percebi que a conversa não ia terminar aí. E não terminou. "Mas mamãe... quem tem que gostar é você, não importa o que os outros acham. Você não gostou do vestido? Então vai com ele, ué?"

Eu fiquei feliz de ver que ela anda prestando atenção no que eu digo. Mas eu também vi claramente que se eu quero que meus filhos aprendam algo, a minha melhor estratégia é ser e viver o que eu digo. Não adianta eu falar para ela comer saudável com a boca cheia de chocolate.

Eu tirei o vestido. Eu dei mil voltas para me explicar sem ferir muito o mantra. E no fundo do meu coração eu pensava: espero que no futuro, você não tire o vestido. Que você seja muito mais você, minha filha!  Que você seja a versão evoluída dos seus pais.

 


 

They’re watching you, not listening to your words, and that’s how they learn
— Leo Babauta
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