Bom dia, meu nome é Dra. X e sou quem irá fazer sua cesárea

Bom dia, meu nome é Dra. X e sou quem irá fazer sua cesárea

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Foi exatamente com essa frase que começou a cesárea da minha filha. Quem é brasileira não consegue nem imaginar um parto feito por um médico que você nunca viu na frente, e como foi no meu caso, nunca mais irá ver. Mas aqui na Alemanha isso é bem normal.

Isso acontece por duas razões. Primeiro, porque aqui as mulheres tem normalmente, parto normal. Cesárea é ainda para a grande maioria a alternativa para um parto normal que não irá funcionar ou não está funcionando muito bem.  A segunda razão é porque aqui, o ginecologista que acompanha a mulher durante a gravidez trabalha apenas num consultório e não em um hospital. E diferente do que acontece nos hospitais privados do Brasil, o médico não "aluga" a sala de operações para operar os seus pacientes. Com rarissímas excecões, só quem opera no hospital, são os médicos do hospital mesmo.

Portanto, quando eu escutei essa frase que para nós no Brasil, pode parecer muito absurda, eu já sabia há muito tempo que caso meu parto não fosse normal, eu seria operada pelo médico que estivesse de plantão no dia. Depois que o bebê nasce, o hospital informa o seu médico, no caso o ginecologista com quem você fez o pré-natal que seu bebê nasceu, peso, condições, estado de saúde da mãe e etc etc. E a paciente então continua o seu acompanhamento com seu médico.

Tem mais um detalhe nessa história: o parto normal não é feito por médicos, e sim por uma especialista, a "Hebamme", cuja a tradução perfeita para o português seria uma mistura de parteira e doula. A diferença é que aqui as parteiras são uma profissão reconhecida e que exige 3 anos de curso superior. Elas são muito mais experientes em partos normais que os médicos ginecologistas. Quando tudo vai bem, os médicos são chamados apenas no final do parto para examinar mãe e filho. Se é um parto complicado, o médico fica o tempo inteiro na sala, e decide também quando é hora de jogar a toalha e fazer uma cesárea.

A doula sim, a grávida pode escolher.  Você pode contratar uma que tenha uma parceria com o hospital que seu filho irá nascer ou você pode ter seu parto normal com a parteira que está de plantão no hospital. Durante todo o período de pós parto e amamentacão, a mãe tem direito a assistência de uma parteira/doula. Elas fazem visitas regulares à casa da paciente. Logo que a mãe chega da maternidade são visitas diárias, que vão se tornando menos frequentes à medida que o tempo passa e o bebê e a mãe já estão bem. Durante as visitas elas tiram dúvidas sobre amamentacão, cuidados com o bebê e pós-parto e também avaliam a saúde da mãe e do bebê. Qualquer irregularidade, mãe e bebe são encaminhado para o médico.

Eu tive uma hebamme maravilhosa, que se empenhou muito para que conseguisse amamentar minha filha e que enxugou muitas lágrimas de mãe de primeira viagem. E na verdade, sabe, que pensando retrospectivamente apesar de na hora eu ter achado muito esquisito nunca ter visto antes a médica que iria fazer meu parto, eu acho que dentro do papel dela, ela também foi bem legal.

Coberta com aquela máscara de cirurgiões, que me permitia ver apenas os olhos bem azuis dela, ela disse:  "bom dia, meu nome é Dr. X e sou eu quem irá fazer sua cesárea hoje". E com a típica objetividade alemã completou: "Você não precisa se preocupar. Sua filha está bem, você está bem. Vai dar tudo certo." E deu. De um jeito bem diferente das minhas amigas no Brasil, mas tudo certo.

Qual a sua paranóia?

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Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

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