Deixei meu trabalho para cuidar das minhas filhas

Deixei meu trabalho para cuidar das minhas filhas

maesanonimasfinal.jpg

Sou mãe de gêmeas. Eu trabalhei do fim da licença maternidade até meses atrás quando as meninas completaram 2 anos. Eu gostava do que fazia e estava trilhando uma carreira promissora. Até que um dia a babá se demitiu de uma hora para a outra. Eu fiquei na mão e comecei a me perguntar se não era melhor eu me dedicar exclusivamente à família.

Essa é uma decisão traumática para a maioria das mulheres. E foi para mim também. Mas comecei a refletir sobre as vantagens e desvantagens – se é que existem - de deixar minhas filhas por longos períodos com a babá, ao invés delas ficarem comigo, a melhor cuidadora de todos os tempos. A babá se atrasava, estava sempre de cara feia e cansada. E, além de tudo, pesava na decisão a questão financeira... Com a nova lei, a babá ficava ainda mais cara. Contas feitas, concluí que o melhor mesmo era ficar em casa. Me demiti e resolvi assumir esta minha nova vida.

Estar em casa o dia todo é delicioso... para as gêmeas! Para mim nem sempre é fácil, claro. Mas como mãe eu sinto que estou fazendo a coisa certa. É gratificante ver a alegria das minhas filhas. Quando eu trabalhava fora, meu nível de stress após uma jornada de trabalho exaustiva e horas de trânsito, começou a refletir negativamente na minha relação com as meninas. Além disso, é um alívio não me sentir mais refém de uma pessoa que até cuidava bem das minhas filhas, mas trazia sempre um mau humor para dentro de casa, e era incapaz de chegar no horário, mesmo que eu implorasse.

É claro que existe dentro de mim um sentimento ambíguo. Por um lado, acho certo me dedicar quase que exclusivamente às minhas filhas nesta fase de mil descobertas delas; mas também acho bastante injusto comigo essa anulação de vida própria.

Como mulher e profissional, eu piro vendo um mundo lá fora repleto de oportunidades profissionais tentadoras. Além do mais pega mal você se declarar dona de casa num mundo tão capitalista.

Quando você está em casa, até os cuidados com você mesma mudam. No mundo corporativo, seu guarda-roupa é bárbaro, a maquiagem é obrigatória e suas unhas devem estar sempre bem feitas. Eu não ando mais sempre assim. E isso mexe demais com a vaidade de qualquer mulher. Essa “anulação temporária da vaidade” eu tive que superar aos poucos.

Se eu tenho medo do amanhã? Minha preocupação com o bem-estar e o futuro das minhas filhas é hoje infinitamente maior do que com a minha vida profissional. É incrível como nossas prioridades podem mudar ao longo da vida! E, sinceramente, eu me sinto poderosa por ter sido tão corajosa nesta minha escolha. Eu penso em ter meu próprio negócio um dia. Em breve as meninas já vão estar na escolinha, a vida será mais tranquila e vou conseguir amadurecer melhor essa idéia.

Eu acredito que não existe mãe certa ou errada diante desse dilema.

Para aquelas que podem optar por criar sua prole sem “auxiliares“, que elas possam tomar essa decisão baseada nos próprios sentimentos, independente de opiniões e pressões alheias. Temos o pleno direito de escolher o próprio caminho... Seja ele qual for!

Eu tomei essa decisão e levo adiante.  A vida é minha, o tempo não volta, e o futuro em questão é o das minhas filhas.

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna "Mães Anônimas". Agradecemos nossa leitora pela sinceridade e por confiar sua história ao nosso blog.

 

Sobre ter um coração verde e amarelo

Sobre ter um coração verde e amarelo

Você acha que eu devo engravidar?

Você acha que eu devo engravidar?