Quem nunca chorou com um recém nascido no colo?

Quem nunca chorou com um recém nascido no colo?

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Quando nasce um bebê, nasce uma mãe. E dói virar mãe. Pode doer mais para umas do que para outras. Mas é impossível virar mãe sem levar um susto. 

A gente chora de alegria, mas também chora de medo, de cansaço, de dúvida e até de dor. E no meio de madrugadas insones, a gente pensa: é só comigo? Tá doendo assim só para mim? Eu sou a única pessoa que está se sentindo sozinha e exausta?

A resposta é não.  E é por isso que resolvemos publicar no Mães Anônimas trechos de três depoimentos que recebemos nas última semanas de mães de primeira viagem. Talvez para você não tenha sido assim como foi para as mães abaixo.  Ou talvez você tenha sentido algo parecido, mas já faz tanto tempo que você nem se lembra direito. As alegrias já apagaram as dificuldades do começo. Mas pode ser também que você tenha acabado de virar mãe e esteja com uma vontade louca de chorar...

  • "Eu posso me lembrar bem ainda da idéia que eu tinha sobre ter um bebê há meses atrás quando eu estava grávida. Eu queria tanto ser mãe que imaginava que, depois de ganhar um bebê, só existiriam cenas de felicidade pura na minha vida. Meses depois, estou aqui descabelada e ansiosa por uma noite bem dormida. Meu filho não é um bebê tranqüilo. Ele dorme mal, só quer colo. É difícil dizer isso, mas eu não me sinto feliz. Eu me sinto cansada, me sinto sozinha. Meu marido sai para trabalhar todo arrumado, de banho tomado, cheiroso - na vida dele nada mudou. Na minha? Eu nem sei mais quem eu sou direito. E sabe o que é o pior de tudo? Eu me sinto mal por me sentir assim, eu estou exausta e me culpo o tempo todo por não estar explodindo de alegria"

  • "Minha filha tem 6 meses e meio. Nasceu em um lindo parto domiciliar, na banheira, e está mamando muito bem. Mas nos últimos dias um dos meus peitos começou a doer muito. Dói tanto que eu choro quando ela está mamando. Ela ainda não tem ritmo para mamar, acorda umas 3 vezes por noite. Esta noite, por exemplo, foi horrível: meu peito doía, ela mamava e acordava toda hora. Pedi ajuda pro meu marido, ele é até prestativo durante o dia mas durante a noite... estou sozinha. Ele acha que devo deixar minha filha chorar no berço. Diz que não estamos alinhados na educação da menina.  Hoje estou arrasada, o peito doendo e meu parceiro não tem a mínima noção do que é nutrir um bebê 24 horas por dia: de alimento e amor. E ainda me acha incapaz, apesar de todo meu esforço. Encontrar esse site, ler alguns textos e escrever essas palavras chorando - enquanto minha filha tira uma soneca - me faz liberar uma tristeza entalada. Podia até escrever mais, mas tenho que tirar a roupa do varal, cozinhar uns legumes, lavar as fraldas - usamos fraldas de pano - e outras coisitas más...."

  • Eu engravidei depois de 3 abortos espontâneos. Durante minha gravidez as pessoas diziam que nunca tinham visto um grávida tão bonita, tamanha era a alegria que eu transmitia. Quando minha filha nasceu, eu me senti a pessoa mais abençoada do mundo. A amamentação foi complicada no começo, eu não tinha leite, ela mamava e me machucava. Mas depois deu certo. Mesmo mamando bem, ela não dormia bem. Só queria dormir no peito. Era um horror, mas eu não me importava porque qualquer obstáculo era pequeno, perto do que eu passei para engravidar. Eu estava cansada, mas feliz. Eu moro fora do Brasil e fiz tudo sozinha, meu marido ajudava quando estava em casa, mas ele estava sempre viajando. Quando minha filha completou 3 meses fomos para o Brasil visitar minha família. Era um alívio estar na casa da minha mãe e dividir os cuidados da menina com ela. Depois de uns três dias, tive uma crise de choro, não sabia direito por quê. Só sei que me deu um desespero enorme, acho que foi o cansaço acumulado de 3 meses. Foi a primeira vez que eu me permiti chorar de verdade, de cansaço, e por causa do peso da responsabilidade de cuidar da minha filha sozinha. Até então eu só tinha me permitido sentir alegria, até quando o meu peito sangrava, eu não chorava."

Bom, depois de tanta sinceridade.... Se tem alguém aí chorando com um bebê no colo, não precisa mais se sentir a única no mundo desse jeito e vale até tentar um sorriso. Você é como todas nós e vai dar tudo certo! Esse bebezinho aí no seu colo ainda vai ser fonte de muita alegria, pode apostar.

 

Esses depoimentos foram tirados de emails enviados para o blog e editados, com o consentimento das autoras, para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossas leitoras pela sinceridade e por confiarem seus desabafos a nós.

A irmã mais velha

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