Por que julgamos outras mães?

Por que julgamos outras mães?

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A primeira vez que eu me senti julgada por outra mãe foi quando estava contando sobre a peridural que tomei tentando um parto normal, e que acabou culminando em uma cesárea de emergência.

 "Realmente uma pena... eu não precisei tomar nenhum tipo de medicação", ela respondeu orgulhosa

Uma semana depois, estava dando mamadeira para minha filha num café, e escutei sem querer uma outra mãe comentar com a amiga: "Um bebê tão novinho e já está na mamadeira?"

Numa outra situação, uma mulher teve a ousadia de perguntar se eu não ficava meio "preocupada" da minha filha, que ainda é bebê, ser tão gordinha.

Esse tipo de mãe, que aponta - às vezes com muita descrição - o dedo para outras está em todo lugar. É aquele tipo que insiste que a maternidade é 100% alegria, que nunca se sente sozinha, que nunca diz estar sobrecarregada, ou de saco cheio, e que considera uma benção todas as noites insones com um bebê chorando no colo.

Estranho... Se a maternidade é assim tão fácil como esse tipo de mãe argumenta, por que será que é tão difícil pra mim e pra tanta gente que conheço? 

Mas sabe qual é pior coisa sobre esse tipo de mãe? É saber que no fundo sou uma delas. Sim, a qualquer momento, sem que eu nem me dê conta, posso me tornar uma dessas mães que acreditam que sabem mais e fazem tudo melhor que as outras. 

Outro dia, por exemplo, estava no supermercado, e vi um menino de uns dois anos dar o maior chilique. A pobre mãe estava tão exausta que ameaçava desabar a qualquer momento. Para conter o pequeno, pegou um saco de pirulitos da prateleira, abriu e deu um para o menino.

E nesse momento, eu comecei a julgá-la.  Me lembrei de todas as teorias que já li sobre como conter chiliques. "Recompensar o ataque de nervos infantil com um pirulito não está certo. É por isso que o menino está assim tão mal educado," pensou a sabe tudo dentro de mim.

Mas, sinceramente, quem sou eu para julgar essa mulher?  O que eu conheço sobre a vida dela? Sobre o momento que ela estava vivendo com o filho chorão no supermercado?  E mais, por experiência própria,  eu sei muito bem que existem dias em que fazemos qualquer negócio para sobreviver. Sem pedagogia nenhuma.

Por que será que a gente julga e critica outras mães com tanta ferocidade? Outro dia li um texto que dizia que as mães são cobradas, muito mais que os pais, como se fossem uma espécie de extensão dos filhos delas. Sendo assim, se você tem um filho maravilhoso, consequentemente é uma mãe maravilhosa e uma pessoa incrível. Mas se o seu filho é chorão, não cumprimenta os vizinhos, não dorme a noite, e odeia brócolis, então, independente de todos seus acertos na vida, você é uma inútil.

Seria bem mais fácil para nós, mães, se simplesmente pudéssemos aceitar que estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance, em momentos muitas vezes bem difíceis das nossas vida. Quem sabe se conseguíssemos aliviar a pressão que exercemos sobre nós mesmas, não seríamos menos insegura em relação a maternidade?  E com mais segurança de estar fazendo nosso melhor, talvez deixássemos de apontar o dedo na cara umas das outras para legitimar nossas próprias escolhas.

 

Esse texto é uma adaptação do texto MILS (Mothers I’d like to Slap), de Kasey Edwards. Aqui o link para o artigo que nos inspirou. 

 

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