O dia em que o brigadeiro encalhou

O dia em que o brigadeiro encalhou

brigadeiro.jpg

Era aniversário do Felipe. 7 anos. A primeira comemoração desde a nossa mudança para os Estados Unidos. É claro que eu queria fazer uma festinha legal.

Decidimos comemorar em casa mesmo. Achei que três horas de festa era algo bem razoável. Mas um amigo brasileiro brincou: "É uma festa de criança ou uma rave? Por aqui as festinhas duram apenas uma hora e meia".

E é realmente muito diferente. As festas infantis daqui têm um cronograma seguido a risca: uma hora de brincadeira e meia hora para comer um pedaço de pizza e um cupcake. Nem um minuto a mais.

Na festinha de um coleguinha do Felipe a "decoração" se restringiu a um único balão pregado com um durex na parede. E é quase sempre assim. Acho incrível a terra que inventou do Mickey ao Shrek não usar este aparato nos aniversários infantis. Eles nem imaginam que, dependendo do poder aquisitivo, as comemoraçōes no Brasil são um espetáculo digno de Disneylândia. Eles inventam e nós no Brasil usamos.

Mesmo correndo o risco de um fracasso,  levei a diante o meu projeto: mostrar o jeitinho brasileiro numa festa infantil, com direito a muito brigadeiro, muito balão, uma bela decoração e sim: o dobro do horário regulamentar.

Eu e meu marido ficamos exaustos para manter a turma feliz por três horas.

E  foi engraçado ver a cara de espanto de mães e pais, quando vieram buscar os filhos, entrando na sala e vendo aquele "exagero" de enfeites.

As crianças adoraram, só que nem tudo é perfeito. O fato é que os brigadeiros encalharam (e eu juro que estavam deliciosos!). Difícil competir com o cupcake. E eu aprendi uma lição... Não dá pra impor a sua cultura a ninguém. Cada um tem a sua origem e quando todos se misturam, melhor optar pelo gosto predominante. Alguns podem achar que me rendi ao American Way of Life. Mas é uma questão de sobrevivência. No ano seguinte, a festa do Felipe não teve brigadeiro nem balōes e durou uma hora e meia. Nem por isso foi menos doce e divertida.

 

 Fabiana Santos é jornalista e está morando em Washington-DC há dois anos, por causa do trabalho do marido. Mãe de Felipe, de 8 anos, e Alice, de 2, ela é apaixonada por festas infantis. Tem no currículo a organização de 10 festas dos próprios filhos, sendo a maioria realizada no Brasil.

Como manejar um pré-adolescente?

Como manejar um pré-adolescente?

O grito

O grito