Quando a única alternativa é virar princesa (ou pirata)

Quando a única alternativa é virar princesa (ou pirata)

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Tenho que confessar que, um pouco antes de começar as férias de verão das crianças aqui na Europa, tive palpitações nervosas. Para mim, as férias dos meus filhos significam semanas - longuíssimas - nas quais terei que dar conta de tudo que faço normalmente, só que com eles em casa. Diferente das maioria das famílias por aqui, eu e meu marido não tiramos férias nessa época, porque "economizamos" nossos dias de folga para ir no final do ano para o Brasil. Assim, encurtamos o inverno tenebroso alemão e ganhamos um mês a mais de sol, no Brasil. No verão europeu fico a maior parte do tempo em casa - sozinha - com duas criancinhas ávidas por diversão. 

Como a situação era inevitável, tratei de me preparar. Fiz o possível para entregar minha parte em um projeto do qual estou participando, combinei com as outras autoras do blog que textos iriam entrar nas próximas semanas, fiz supermercado grande, organizei o "menu" dos próximos dias, respirei fundo e me preparei psicologicamente.

Pensei que ia ser melhor para mim e para as crianças se eu relaxasse. Não iria me ajudar em nada ficar pensando no que eventualmente ficou pendente - por sorte era pouca coisa - e no que eu poderia estar fazendo se não estivesse empurrando o balanço pela quadragésima vez. Fiz uma lista com programas legais para a gente fazer aqui mesmo na cidade, contactei algumas amigas na mesma situação, e parti para o abraço.

Hoje estou encerrando o décimo-segundo dia de férias com as criancas. Achei que ia estar exausta, mas nao estou. A verdade é que foi legal para caramba, fizemos coisas maravilhosas. Logo no primeiro dia, por exemplo, descobrimos um parquinho do lado de casa com tema pirata. Eram dois navios de madeira enormes, cheio de buracos, e mistérios para serem explorados. Tirei o sapato, subi com eles e navegamos altos mares. Morremos de rir. Fomos na piscina pública e, como temos a "sorte" de sermos sempre os primeiros a acordar na Alemanha inteira, chegamos antes de todo mundo. Tivemos a piscina só para a gente. Fomos ao museu. Fizemos um bolo, que queimou, e então decidimos ir na confeitaria mais gostosa da cidade para afogar as mágoas. Vimos filmes. Montamos um teatrinho. Visitamos amigos. Enfim, aproveitamos. E é comovente ver que no fundo, mais do que qualquer programa, aqueles dois querem mesmo é brincar comigo. Perceber a felicidade na carinha deles quando a mamãe sobe em cima do navio do pirata e grita: "Atacar!!" é maravilhoso.

Termino esta primeira fase das férias transbordando de amor, grata pela oportunidade de ter tido esses dias encantadores com os meus filhos. E isso me faz lembrar de uma coisa que eu e minha irmã Carol, também mãe de filhos pequenos, adotamos como regra depois de algumas experiências frustadas: se for para brincar, brinque. Claro que precisamos de paz de vez em quando, temos nossos compromissos, e não estamos dispostas a andar vestidas de princesa o dia inteiro. Mas, se é hora de brincar, melhor então entrar na viagem das crianças do que tentar dar conta de dois universos paralelos - o nosso e o deles. 

E é justamente aí que está uma das coisas mais legais de ter filhos pequenos. Eles querem taaaaaaaaaanto brincar com você, que eventualmente farão você tirar a cabeça das suas preocupações e te trazer para o mundo deles. Você irá aprender coisas novas, se divertir, se emocionar e no final das contas agradecer por eles terem sido tão insistentes.

 

Camila Furtado é mãe da princesa Maria e do pirata Gael. Eles partem para Berlim na semana que vem para encontrar a fada Julia, irmã mais nova da Camila, que depois de 6 meses sem ver os sobrinhos não vê a hora de entrar no universo paralelo.

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