Quando você pisca e um filho some de vista

Quando você pisca e um filho some de vista

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Aconteceu na área de desembarque de um Aeroporto. Felipe tinha 5 anos, estava junto comigo e com o pai. Paramos para abraçar os avós e pronto. Ele simplesmente evaporou. Corre daqui e dali, cada um para um lado, a histérica aqui gritando o nome dele. Angústia total. Eu só pensava que ele nunca foi de sair correndo, nem de brincar de se esconder e o que me vinha à cabeça era: roubaram meu filho!

Durou alguns minutos mas pareceu uma eternidade. Nós o achamos no extremo oposto de onde desembarcarmos. Choro, abraços, broncas e a explicação dele: "Precisava correr um pouco porque fiquei muito tempo preso no avião". E com isso, vem a certeza de que criança é mesmo imprevisível, além de inocente.

O assunto me dá sempre um frio na espinha. Estar em qualquer lugar movimentado como shopping, supermercado ou aeroporto e de repente, naquela fração de segundo que você piscou... Já era... perde de vista um filho. É ou não é uma sensação horrível?

E quando você, que sempre achou que sumiço de verdade não acontece, descobre um caso aterrorizante? Sim, o filho de uma mulher que conheço desapareceu dentro de um mercado na periferia de Brasília. A mãe o encontrou já no ponto de ônibus com uma desconhecida, que ao vê-la saiu correndo. A mulher tinha oferecido pirulito para a criança. Preciso revelar que tive alguns pesadelos depois dessa história.

E como a gente evita essa aflição?

Há quem amarre a criança numa espécie de coleira, principalmente se é um lugar congestionado de gente. Não condeno, mas particularmente não me agrada passear com meu filho do mesmo jeito que se passeia com o cachorro.

Tem família que não abre mão do carrinho de bebê. Mas depois de uma certa idade, os "bebês" não cabem mais nele.

Há quem arranje a história do "homem do saco preto", que pega as criancinhas desobedientes. Colocar medo em criança pra ela não sumir é muita covardia, mas confesso que já fiz isso algumas vezes pra me garantir.

E quando se combina algo com o pai e você acha que o filho está com ele e ele acha que o filho ficou com você naquela loja enorme de departamentos? Por conta disso, eu não me canso de repetir 100 vezes se estou indo ali e as crianças estão sob a responsabilidade do pai.

Além disso, temos um combinado com o nosso filho de que no caso dele se perder, ele deve ficar paradinho aguardando. Fica mais fácil assim o reencontro.

Antes de viajar, uma amiga comprou, num site especializado, fitas de identificação descartáveis com os telefones de contato para colocar no pulso dos dois filhos. Achei a idéia genial. Aliás, no site da Disney World Park esta é a primeira recomendação para as famílias. O complexo da Disney não revela números, mas criança desaparecida é um problema bem recorrente por lá.

Uma boa dose de conversa com os filhos mais crescidinhos pode ajudar. Mas com os menores é preciso estar atenta em todas as direções. Não é tão simples... Mas quem foi que disse que é moleza ser mãe? É mais um aplicativo a ser anexado à maternidade: o de "malabarista com um olho nas costas".

 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC. Já pagou alguns micos por lá ao sair gritando a procura dos filhos: Felipe, de 8 anos, e Alice, de 2 anos. 

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