Responsabilidade de gente grande

Responsabilidade de gente grande

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Logo que mudamos para os Estados Unidos, Felipe entrou para o primeiro ano do Ensino Elementar, numa escola pública de Maryland. Decidimos morar nessa determinada região, justamente por ter as melhores escolas públicas dos Estados Unidos. Aqui a escola pública que seu filho irá freqüentar é determinada pelo lugar no qual a familia vive.  Se morássemos em Washington-DC, que está a menos de dois quilômetros, seria uma catástrofe. Já que a capital americana amarga o quadragésimo nono lugar no ranking da educação pública do país.

Diferenças assim não acontecem apenas no Brasil. Por aqui também encontramos ótimas e péssimas escolas.

Mas tem uma questão educacional que eu gostaria de abordar e que não existe no Brasil.

Na primeira visita que fiz à sala de aula do Felipe levei um susto: ao fim do dia cada criança é responsável por limpar a própria mesa com um lenço umidecido distribuído pela professora. E não é só isso... Cada criança pega sua cadeira e a coloca virada em cima da mesa. Meu primeiro ímpeto de mãe brasileira foi querer correr pra ajudar meu filho (então com 6 anos) achando que a cadeira era pesada demais para ele. Mas com alguns segundos de auto-controle, pude perceber que ele já fazia aquilo com muita destreza e segurança. E ao deixar a sala arrumada e limpa, o olharzinho dele era de puro orgulho do dever cumprido.

É impressionante como por aqui a escola incute na criança, desde bem nova, o senso de organização, a noção de que "é você que tem que fazer, pois ninguém vai fazer por você".

Em cada turma, cada aluno tem uma tarefa que dura a semana toda: um vai limpar a mesa onde todos almoçaram; outro vai recolher o lixo reciclado e colocar no recipiente adequado; outro reúne os livros e

os devolve para a biblioteca. Entre os mais velhos, geralmente do quinto ano,  há os responsáveis por auxiliar a saída dos colegas, como guardas de trânsito mirins. E eles estão lá em seus postos, faça chuva ou sol.

Estes são apenas alguns exemplos. Ninguém deixa de ter alguma atribuição. E seja limpar ou guardar, não existe nenhum serviço mais nobre ou menos porque o senso do fazer é maior.

Fico imaginando no Brasil, o quiprocó que ia ser se a direção de uma escola implementasse obrigaçōes desse tipo para os estudantes. Fazer um aluno limpar algo rotineiramente? O que? Afinal, no Brasil, seja em escola de rico ou de pobre, há sempre um faxineiro disponível. A idéia iria virar motivo de questionamento por parte dos pais, para dizer o mínimo.

Fico feliz de ver meu filho tendo comprometimento com tarefas que podem parecer simples, mas que vão fazer a maior diferença na vida dele.

Não estou dizendo aqui que os americanos "formam" melhores pessoas que no Brasil. Mas tenho que admitir que eles são muito bons em plantar a sementinha da responsabilidade nas crianças, desde que elas se entendem por gente.

 

Fabiana Santos é jornalista e mora há 2 anos nos Estados Unidos. Depois do susto inicial que tomou na escola do filho, ela gostou da idéia e cada vez confia mais tarefas ao primogênito para o funcionamento da casa.

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Por que julgamos outras mães?

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