O recém-nascido e você: que tal um programinha?

O recém-nascido e você: que tal um programinha?

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Tem mãe que quando o filho nasce, se sente órfã de tudo. E não adianta dizer que tem o pediatra, a avó da criança, a irmã mais velha ou o "Livro do bebê" para ajudar a decodificar a maternidade. Tirar tudo de letra não existe. Pode até existir uma mãe ou outra mais safa, mas todas nós temos nossas limitações, nossos medos, nossas dúvidas e nossas angústias.

Você ir conferir se o filho está mesmo respirando;
Você ter muita vontade de que as visitas não apareçam nunca na primeira semana e quando for o caso que não dure mais do que uma hora; Você deixar o telefone desligado no momento em que o bebê dormiu e você quer repor as energias; Achar que existe sim uma febre, apesar do mundo lhe avisar que febre mesmo é só depois de 37.5 graus Celsius.

Tudo isso é normal!
E é normal também você sentir uma pontinha de inveja quando vê a sua vizinha contando altas proezas de como ela conseguiu ir ao supermercado com o filho de 2 meses. E você morre de medo de colocar seu bebê na cadeirinha para ir de carro até a esquina.

Alguém me disse que quando saiu da maternidade, ouviu o seguinte aviso: "Não se preocupe: o período mais complicado entre você e o bebê vai durar duas semanas". Acontece que o "período difícil" pode durar alguns meses! E depende de cada uma, de cada filho. E aí depois aquela velha frase : "Todas passam por isso", acaba fazendo o maior sentido.

Mas o que fazer da vida nesta fase?
Eu sinceramente acho que é importante não ter medo de ter dúvidas. Não ter vergonha de procurar ajuda. E não se sentir um lixo quando nos dois minutos que você arranjou para fazer xixi, você aproveitar para chorar um pouco (eu fiz isso várias vezes).
E no lugar de ficar trancada em casa enquanto a licença-maternidade está indo embora ou enquanto você acha que não cabe mais nada na sua vida: é muito bom descobrir uma vida social com o bebê.

O encontro com outras mães é maravilhoso porque podemos ver várias mulheres passando pelo mesmo momento. E se enxergar nestas mães pode funcionar como uma grande terapia.
Talvez seja uma boa você interagir e não se isolar. Existem muitas mamães empolgadas para fazer amizades e carentes por uma saidinha.

A interação dos bebês também é excelente para que se acostumem com outras crianças no caso de irem pra creche quando a mamãe for trabalhar.

Quer algumas idéias? Aulas de papinha (alguns restaurantes no Brasil estão disponibilizando isso ); Curso de Sling Dance (dançar com o seu neném preso à você com aquela faixa de tecido);  Sessão de cinema para mães com bebês (muitos shoppings já têm); Aula de natação para bebê (eu fiz com meu mais velho e amei).

Está bem... Tudo isso custa dinheiro... Mas, e um piquenique no parque com mães amigas? Ou uma reuniãozinha na casa de uma delas para juntas assistirem a um vídeo que ensine Shantala (aquela massagem indiana para bebês)?

Em Brasília, onde meus dois filhos nasceram, os Bancos de Leite, em hospitais públicos e particulares, podem ser bem úteis: tanto por causa da ajuda com a amamentação, quanto por serem um ponto de partida para novas amizades com outras mães no mesmo barco.

Num hospital que conheço, o Shady Grove Adventist Hospital, aqui na região metropolitana de Washington-DC, um grupo de apoio se reúne informalmente toda semana para tirar dúvidas das mães. O grupo tem o sugestivo nome de B.E.S.T. (Breastfeeding Education, Support and Togetherness).
Acho que o trunfo é: ocupar a mente com atividades prazerosas, ainda que o corpo esteja cansado e compartilhar experiências (ou a falta delas!).

Esses "compromissos" podem renovar forças, espantar os medos e fazer você se sentir inserida no mundo em que mães são de carne, osso e desafios! 

 

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC e tem 2 filhos. Para escrever este post, ela se inspirou na irmã que participa de um grupo de mães de primeira viagem e tem se divertido bastante. Mas também pensou, com carinho, nas outras mães: aquelas que se sentem tão fragilizadas neste momento, que estão só vendo a licença maternidade passar pela janela.

 

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