Tecnologia: qual é a medida certa para a sua família?

Tecnologia: qual é a medida certa para a sua família?

Mamãe, posso jogar "Gorila" ? Essa é a pergunta "tech" da vez aqui em casa. Eu mesma que baixei o Gorila no iPad - guilty as charged! - e devo admitir que, além de divertido, o Gorila é a melhor baby sitter que eu já tive. Ele dá conta dos meus dois filhos sem problema nenhum e o preço é uma pechincha. 

Mas é claro que eu não me sinto merecedora do prêmio de educadora do ano vendo meus filhos hipnotizados por um macaco cujo objetivo de vida é escapar de crocodilos e comer bananas o suficiente para ficar mais rápido e assim conseguir escapar de mais crocodilos... 

Converso com muitos amigos, mães e pais da geração videocassete, que assim como eu, estão totalmente hesitantes quando o assunto é a relação dos filhos com esse mundão de telas e pixels. Não é para menos: tudo isso não existia antes!

A oferta tecnológica se expandiu muito num curto espaço de tempo. E cada vez que queremos acessar o manual de boas práticas, inventam alguma coisa nova que não constava por lá. Imagine só, há poucos anos o Facebook era uma coisa super nova. Parece que foi outro dia que um colega de trabalho me disse para fazer uma conta e eu torci o nariz.  Demorei meses para me render, achava tudo meio "freak" e não queria ter nada a ver com isso. Meu marido até hoje não tem uma conta no Facebook, apesar de entender minhas razões para participar da rede.

Se nós adultos temos dificuldade em gerenciar o uso dessa tecnologia nas nossas vidas, imagina então na vida das nossas crianças? Quais são os benefícios? Quais são as conseqüências indesejadas? Quando é demais? É possível e saudável blindar totalmente nossos filhos de algo que inegavelmente faz parte do mundo em que elas nasceram? Não é fácil achar respostas para estas e outras perguntas. E, principalmente, nem todas as respostas servem igualmente para todas as famílias.

Certo é que criança que usa muito do seu tempo livre na frente de uma tela está deixando de fazer outras coisas fundamentais para o seu desenvolvimento. Independente das milhares de oportunidades desse novo mundo, toda criança precisa se exercitar, encontrar amigos, conversar com a família, desenvolver suas habilidades interpessoais, brincar ao ar livre... E é muito fácil perder o equilíbrio nessa equação. Eu mesma, tenho que admitir, vivo me policiando para não exagerar - o que diga-se de passagem é bem fácil se você tem um blog.

A lista abaixo, adapatada do blog Screen Sense, oferece alguns pontos de reflexão para nos ajudar a delimitar o uso de tecnologia. A orientação aqui é prestar atenção, fazer perguntas, monitorar o comportamento e sempre que encontrarmos algo que não nos agrada arregaçar as mangas e tomar atitudes.

  • Você está confortável com a quantidade de horas que seu filho gasta com eletrônicos em geral?
  • Você conhece todas as funções dos aparelhos que seus filhos usam? Você sabe como, por exemplo, checar as páginas recém visitadas e monitorar o tempo gasto em cada aparelho?
  • As suas crianças têm chance de aprender coisas também de maneira experimental? Ou a maior parte do aprendizado é virtual?
  • A criança deixa de explorar outras aspectos da vida por causa do uso de tecnologia? 
  • A comunicacão familiar está sendo interrompida ou prejudicada porque um ou mais membros da família está constantemente envolvido com uso de eletrônicos?
  • Você nota alterações no comportamento do seu filho, como agressividade ou distanciamento,  que possam ser atribuídos ao uso excessivo de tecnologia?
  • Que tipo de mensagem o seu próprio comportamento passa para os seus filhos em relação aos eletrônicos?

Se você acha que está na hora de limitar o tempo que seu filho passa na frente de um tela, aqui vão algumas idéias a serem consideradas: 

  • Mantenha televisão e computadores nas áreas públicas da casa e não no quarto das crianças.
  • Aprenda a mexer nos eletrônicos que seu filho usa para poder monitorar o uso e bloquear sites impróprios.
  • Estabeleça regras: celulares, ipads e afins estão suspensos até que o dever de casa esteja pronto. Joguinhos eletrônicos têm tempo de uso limitado.
  • Ensine às crianças sobre a segurança na internet, especialmente sobre os perigos de revelar informações pessoais.
  • Faça da televisão ou filmes um evento de família e não uma atividade individual. Converse e interaja com as crianças sobre o que vocês estão vendo.
  • Monitore também o seu tempo na frente de uma tela. Dê o exemplo e não desperdice as oportunidades de se relacionar com as crianças. 
Camilla Antunes  www.avidadodavi.com.br

Camilla Antunes  www.avidadodavi.com.br

Camila Furtado é mãe de Maria, de 4 anos, sua parceira no Gorila. Sempre antes de jogar, elas colocam o alarme do celular para tocar em 25 minutos. Quando toca, elas já sabem: hora de abandonar a selva e entrar no mundo real. E você? Já achou alguma boa fórmula para gerenciar o uso da tecnologia na sua família? 

Um comercial do mundo virtual

Um comercial do mundo virtual

O que a gente pode aprender com as crianças sobre felicidade?

O que a gente pode aprender com as crianças sobre felicidade?