A parte chata de ser mãe

A parte chata de ser mãe

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P*. q*. p* !  Eu posso começar um post com palavrão? Sei que não é educado mas estou com vontade de explodir. Aí me lembrei dessa coluna de vocês, que acho muito interessante, e pensei: é hoje que eu vou desabafar. 

Não foi a Terceira Guerra Mundial. Foi só uma birra da minha filha mais velha, que evoluiu até eu chegar neste estado em que eu estou agora: de pura irritação.

Eu acordei cedo, como sempre, beijei minhas filhas, fiz carinho. Aí esperei  passar aqueles cinco minutos de enjôo delas (que sempre ocorre quando elas acordam). Fui fazer o café da manhã.  Uma queria nescau batido. Não dá para atender pedidos especiais todo dia, aqui de manhã cedo é corrido, mas ok, eu estava de bom humor, queria agradar... Fiz.

Eu tenho um negócio próprio, trabalho de casa e a minha mãe fica com a caçula três vezes por semana para eu poder ter mais tranquilidade. A primogênita vai para o Jardim de Infância.

Arrumei as duas, e a mais velha ainda queria um penteado especial. Tudo bem, eu fiz. Ela é tão boa menina, merece. 

Mas quando nós já estávamos quase prontas para sair, essa boa menina falou que não queria a presilha que eu tinha colocado nela. Eu disse que ela poderia escolher outra. "Não. Pega você", ela ordenou . Não fui . Eu sou uma mãe maravilhosa, faço tudo que está ao meu alcance (e muitas vezes o que não está ao meu alcance), mas não posso deixar ela falar assim comigo apenas pela simples vontade de me provocar.

Bem, a partir do momento que eu disse que não ia buscar outra presilha, que era ela que tinha que ir, as coisas aqui tomaram um caminho bem errado para um dia que tinha começado tão bem. Ela berrou. Se jogou no chão. Disse que sempre me ajudava e eu nunca a ajudava. Disse que a culpa era minha pois eu tinha escolhido a presilha errada.

Eu tentei argumentar, firme, mas sem gritar. Disse que não queria que a gente brigasse. Que tudo bem se ela queria mudar de presilha.  Enfim, nem vale a pena entrar nos detalhes. Vocês têm filhos, vocês sabem como a argumentação pode se tornar insana muitas vezes. 

E ali nada adiantava. Ela foi ficando nervosa, eu fui perdendo a paciência. Tentei ao máximo buscar auto-controle. Ia ser pior para mim mesma se eu me descontrolasse. Aí depois de terminado o vendaval eu ainda ia ter que me entender com a culpa de ter gritado.

No fim, ela trocou a presilha sozinha. Queria ficar de bem. Mas eu não queria. Eu estava irritadíssima. Eu precisava ficar um pouco quieta, sabe? Mas não deu: a minha outra filha, que até então tinha passado ilesa pelo ataque da mais velha, na hora de entrar no carro começou seu próprio chilique. Não queria sentar na cadeirinha. Queria correr livre pela garagem.  Peguei-a no colo. Ela esperneava. Nesse ponto, meus nervos já estavam tão em frangalhos, que nem quis mais argumentar. Fui prendendo ela na cadeirinha na marra. Tomando muito cuidado para não machucar, claro. Mas me empenhando para conseguir. Praticamente uma luta. Enfim... vocês sabem a força que uma criança de quase dois anos tem ao ser contrariada, né?

Nesse momento, eu nem escutava mais os berros dela. Era como se eu fosse um robô. Uma máquina sem sentimentos programada para desempenhar funções. A daquele momento era sentar e prender minha filha na cadeirinha.

Liguei o carro e fui dirigindo até a casa da minha mãe com a trilha sonora "Berros parte 2". 

Que tudo isso é normal, claro que sim. As crianças fazem manha mesmo de vez em quando. Que eu sou uma mãe maravilhosa apesar das minhas filhas terem ataques de vez em quando, não tenho dúvidas.  Que existem dias melhores e dias piores, também sei disso. Só me espanta um pouco ninguém falar sobre esta parte de ser mãe. Da parte chata. Da parte em que você gostaria de sumir e ir para uma ilha deserta. Eu me senti assim hoje e confesso:  me sinto assim muitas vezes. Isto não diminui em nada o amor que eu sinto pelas minhas filhas, nem a certeza de ser uma boa mãe. Pelo contrário, eu me acho a maior guerreira e sei que essa força é por elas.

Mas será que eu sou a única que quer sumir de vez em quando? Ou todo mundo só tem filhos com comportamento impecável?  Nessas horas horríveis tenho vontade de simplesmente desaparecer. Mas eu nunca vou sumir. Sou eu que estou sempre lá e que sempre vai estar.

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna "Mães Anônimas". Agradecemos nossa leitora pela sinceridade e por confiar sua história ao nosso blog.

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