Minha gravidez: super especial para mim, já para os outros...

Minha gravidez: super especial para mim, já para os outros...

Nunca havia parado para pensar sobre a importância de estar grávida e o quanto isso muda nossas vidas antes mesmo de termos um bebê. Estou no meu sexto mês de gestação e pouco a pouco venho percebendo as nuances da gravidez: dentro de mim e no ambiente a minha volta. Como eu estou reagindo e como o mundo reage.

A minha experiência é única e repleta de sentimentos a flor da pele: alegria, medo, angústia, ansiedade. Quando fiquei sabendo, meu coração já se encheu de amor e esperança. Um amor incondicional que não sei de onde vem, mas que só aumenta a cada dia. Um amor pelo embrião, depois pelo feto, pelo bebê... não importa o tamanho ou o sexo.

Me sinto especial e o mundo ficou especial para mim também. Nada é mais a mesma coisa. Tudo gira em torno do meu umbigo literalmente (pelo menos pra mim, esta é a idéia). Sei que é difícil e até incompreensível para algumas pessoas esta sensação. E por isso aprendi a não criar expectativas relacionadas aos outros.

No início, ficava pensando assim: todos vão ficar alegres e vão me mimar com presentinhos lindos e me encher de guloseimas. Hoje, depois de cair na real, vejo que não é bem assim... Nem todos ficam felizes. A minha chefe, por exemplo, não se entusiasmou e uma conhecida desabafou comigo a sua inveja. Não posso calcular o que o outro sente, nem julgar.

Me ofereceram coisas gostosas para comer até eu engordar os tais 9 quilos previstos. Depois disso alguns queridos amigos se tornaram um espelho do mal dizendo o quanto eu estou gorda e ficam regulando cada pedaço de pão que eu como.

Presentinhos lindos? Não espero ganhar de ninguém. Cheguei a receber um mimo de uma pessoa que eu nem imaginava e fiquei feliz. Mas de pessoas próximas não veio nenhum agradinho. Depois de ficar chateada com isso, vi que o melhor é não esperar e me deixar ser surpreendida.

Nas filas dos bancos e dos restaurantes, se eu não peço a prioridade, ela não existe pra mim. Os espertinhos ficam na minha frente fingindo que não viram a minha barriga e não me deixam passar. E quando eu pergunto se existe fila de prioridade, todos me fuzilam com os olhos querendo dizer: "Que grávida folgada!". Aí eu caio na real de novo e me dou conta de que só pra mim mesma é que a minha condição é especial e que só eu enxergo meus pés inchados.

Até o meu marido não consegue compreender a importância e, principalmente, as consequências da minha gestação. No início, eu sonhava com um apoio incondicional dele e esperava ser tratada como uma rainha. Mas a verdade é que ele está tão preocupado com outras coisas, inclusive com seus próprios medos, que acabou focando nele mesmo e não em mim ou na nossa filha. Às vezes há situações em que eu é que tenho que socorrê-lo. Ou seja, sou obrigada a ser forte pelo meu marido e por mim. Eu é que tenho que ser a "rocha” e o “porto seguro”.

Só há como saber mesmo a força de uma mãe, quando a gente se torna uma. E eu já estou começando a entender o que é isso. De alguma forma estou tendo maturidade para lidar com as minhas próprias emoções sozinha. E corro atrás dos meus direitos de grávida sim! E não ligo para a cara feia dos outros. Vivo um momento especial e eu e minha filha linda já sabemos disso.

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora pelo seu depoimento.

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