Minha vida mudou com a maternidade, mas não para melhor

Minha vida mudou com a maternidade, mas não para melhor

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Antes que me julguem pelo título, vou explicar: amo ser mãe, amo minha filha e tenho certeza de que nasci para ser mãe dela. Me esforço dia após dia para ser melhor, mais compreensiva, mais atenciosa, mais perspicaz nas minhas atitudes e na forma de educá-la.

Eu engravidei no final da faculdade. Morava numa cidade que amava. Tinha conquistado amigos, minhas raízes cresciam. Tinha a vida que queria e gostava. Mas aí deixei amigos e parte da minha família para trás para ter minha filha perto da minha mãe. Mas hoje, 3 anos após ter me mudado, já mudei de novo, e nem mais perto da minha mãe estou.

A nova mudança também foi pensando no bem da família: na minha cidade natal, vivíamos de aluguel em um apartamento minúsculo. E meus pais tinham uma casa em uma cidade próxima. Então, optamos por não pagar mais aluguel e ir morar lá. A casa é linda, na praia, com plantas e árvores, mas é longe de tudo e de todos. Sinto-me sozinha diariamente. Minha filha e meu marido preenchem meu coração, é claro, e o trabalho também ajuda bastante, mas a saudade das risadas com as amigas, dos passeios no pôr do sol, dos shows e apresentações artísticas ao ar livre, fazem falta todo dia. Toda hora. Sempre. E pra mim, marido nenhum substitui amigas.

Não me joguem pedras: não estou dizendo que eu trocaria minha filha por aquela vida de antes. Minha filha me completa, me faz ser uma pessoa melhor, me fez crescer. Ela me dá forças para batalhar pelos meus sonhos e mais força ainda ela me dá para construir novos sonhos. O tanto que já aprendi nestes primeiros anos como mãe (e casada), valem mais do que os anos de faculdade. Mas eu sinto falta das companhias, de dividir inclusive a presença da minha filha com as pessoas queridas. Como sinto por isso!

Às vezes, apesar da distância, minhas amigas vêm nos visitar, principalmente nos aniversários da minha filha. E aí eu vejo como são queridas estas pessoas que tenho longe, como são eternas estas amizades: viajam mais de 2500 km para cantarem parabéns para a florzinha com a gente. Como seria bom tê-los no dia a dia, como seria mágico poder compartilhar as gracinhas que ela faz, os aprendizados dela (e os meus). Que alívio seria ter minhas amigas por perto para poder compartilhar as angústias de um casamento que já deixou de ser cor de rosa e hoje está mais para o preto e branco.

A vida é assim, não é? Ganhamos de um lado, perdermos de outro. E com a maternidade perdemos muitas coisas, fazemos sacrifícios pelos filhos e até a gente conseguir se ajustar às mudanças, não necessariamente nossa vida é melhor. E não é pecado nenhum admitir isso.

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora pelo seu depoimento.

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