A piscina proibida para babás

A piscina proibida para babás

A notícia saiu na imprensa brasileira: as babás estão proibidas de entrar na piscina para acompanhar as crianças no Jockey Club do Rio de Janeiro, clube frequentado pela elite carioca.

E a desculpa é tão esfarrapada que deixa o preconceito ainda mais lamentável e triste: as babás não são sócias do distinto clube e pela regra só sócios podem usar a piscina.

A explicação não cola pra mim: eu já frequentei exatamente a piscina do mesmo Jockey Club como convidada e ninguém me perturbou, ninguém me impediu, ninguém me exigiu atestado. Será porque meu biquini era de grife ou porque sou branquinha?

Babás estão na intimidade de muitas famílias, mas não são consideradas parte delas. No caso em questão, elas estavam cuidando das crianças na piscina, mas não como convidadas. Num local de lazer, mas a trabalho. Empregadas, mas não do clube. Elas não se encaixaram nos quesitos permitidos e estão numa espécie de limbo social. E aí, os incomodados foram reclamar. É tão interessante a babá incomodar o frequentador do clube, mas ao mesmo tempo ser absolutamente necessária por lá.

Além de todo esse absurdo, uma pergunta não sai da minha cabeça: quem agora vai entrar com as crianças na piscina? Sim, porque se por um lado existiu madame para reclamar da presença intrusa de babás na piscina, tem o outro lado da história: mães em polvorosa porque dependem destas babás para que as crianças brinquem na água. E aqui, mais uma vez, dou a minha cara a tapa para a enxurrada de mães queixosas que não vão me compreender: mas... onde raios estão mães e pais dessas crianças que não arranjam uma oportunidade para se divertir na piscina com seus filhos? Pode ser que estejam trabalhando, e realmente, a figura da babá ali seja requerida, mas não necessariamente.

Digo isso porque numa outra vez, também como convidada deste mesmo clube, pude observar: era um sábado e num espaço tipo "brinquedoteca" havia eu, minha amiga sócia e uma outra mulher acompanhando os filhos. As outras mulheres no local eram todas babás (e não eram poucas).

Não vou ficar aqui discutindo quem pode ou não se dedicar aos filhos. Desde um outro post meu (também polêmico) que tento explicar que a minha indagação é sobre mães (e pais) que poderiam estar com os seus filhos quando não estão trabalhando e mesmo assim delegam isso a outra pessoa.  É claro que cada caso é um caso e com certeza existem mães que realmente precisam recorrer às babás mais do que gostariam. Mas e agora? Elas vão vigiar as crianças à distância porque não têm o direito de ir e vir dentro da piscina? Precisam ficar invisíveis para não incomodarem?

Eu acompanhei alguns comentários numa rede social de que é um exagero achar que a proibição é preconceituosa, afinal "regras servem para serem cumpridas". Mas aí entra a história do "depende". As regras dependem de quem. E enquanto a gente achar que não existe discriminação nos lugares em que ela está escancarada, ela se torna ainda maior e mais vergonhosa. O pior preconceito, pra mim, é fingir que ele não existe. 

A moça da foto é a babá do filho da Gisele Bündchen. Ela brincava com o menino em uma praia no Caribe, enquanto a modelo trabalhava. A vestimenta e a atitude parecem apropriadas para quem está tomando conta de uma criança na praia. Será que ela seria barrada na piscina dos clubes de elite brasileiros?

A moça da foto é a babá do filho da Gisele Bündchen. Ela brincava com o menino em uma praia no Caribe, enquanto a modelo trabalhava. A vestimenta e a atitude parecem apropriadas para quem está tomando conta de uma criança na praia. Será que ela seria barrada na piscina dos clubes de elite brasileiros?

Fabiana Santos é jornalista e mãe de Alice, de 2 anos, e Felipe, de 9 anos. Eles moram em Washington-DC. Por lá, babá cobra caro e por hora. Talvez por isso, brincar na piscina com os filhos é mais em conta, além de divertido.

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