Pequenos truques de uma casa brasileira nos Estados Unidos

Pequenos truques de uma casa brasileira nos Estados Unidos

Uma amiga se mudou com o marido e os dois filhos pequenos do Brasil para o Canadá. Eles tiraram licença do trabalho para conhecer uma nova cultura e estudar outra língua. Outro dia estávamos trocando mensagens e ela fez o seguinte comentário: “O começo é dureza. Cada ida ao mercado é uma aula de inglês e de culinária. Ainda mais que estou aprendendo na marra. Nunca fui muito habilidosa na cozinha”. 

Na hora me lembrei muito de mim assim que cheguei em Washington três anos atrás. Eu nunca amei cozinhar. E também ficava perdidaça com tantas marcas diferentes nas gôndolas do supermercado, tanto na parte de comida quanto na de limpeza. Cadê o meu bombril mil e uma utilidades? O arroz parecido com o Tio João? O que será que vai substituir o Pinho Sol com cheiro de eucalipto? 

Naquele meu começo eu bem que demorava umas duas horas para fazer compras. Mas a gente vai se virando. Hoje não demoro mais do que meia hora. E depois de trocar mensagens com a minha amiga, comecei a me dar conta do tanto de coisas a minha volta que fazem minha vida mais fácil: praticidade americana mas com jeito brasileiro. Talvez sirva para matar a curiosidade de quem não entende como pode a gente não ter empregada à disposição (no meu caso tenho faxineira uma vez por semana) e como é possível manter viva a nossa cultura dentro de casa.

Decidi revelar alguns dos meus “truques” por meio de imagens, mas faço as seguintes ressalvas:

  1. não estou ganhando nada ao mostrar estas marcas de produtos;
  2. a seleção foi baseada unicamente no que dá certo pra mim e encontro na região de DC.

MÁQUINA DE FAZER ARROZ:

Esta máquina foi presente de uma querida amiga brasileira, moradora de DC há 25 anos, assim que cheguei aqui. “Toma que isto vai te salvar na cozinha”.  Ela tinha razão. Minha família não vive sem arroz e na máquina ele fica pronto em 20 minutos (sem queimar!).

ALHO JÁ PICADO:

Já que comida brasileira (pelo menos a da minha casa) é baseada em refogar as coisas com alho, nada mais chato do que mexer com ele. Este alho picadinho achado em várias marcas é bem prático. Esta marca Goya tem também biscoito Maria!

 

TOALHAS UMEDECIDAS:

Eu tinha uma certa implicância com estes paninhos (wipes) descartáveis. Afinal de contas no Brasil é com água que se faz uma boa faxina. Mas eles desinfetam tudo e acabei descobrindo wipes inclusive para passar no sofá de couro e na tela da televisão.

 

 

ROBÔ ASPIRADOR:

O robô foi apelidado pelo meu filho de R2D2 (do Star Wars). Ele aspira a sujeira do chão (de qualquer tipo, carpete ou não). Quem pensa que ele não aspira nos cantinhos se engana: ele tem um pequena vassourinha por baixo que puxa a sujeira dos cantos. Programo o horário dele começar a trabalhar e depois de terminada a tarefa ele volta para a base. Saio de casa e deixo o robô trabalhando. Um super aliado para quem tem cachorro, como eu, e os pelos se espalham pelo chão.

 

O RODO AMERICANO:

Pano de chão daqueles que precisam ficar de molho na Qbôa? Nem pensar por aqui. Neste caso, o pano é descartável e já vem umedecido com o produto de limpeza. Limpou, joga fora.

A SECADORA DE ROUPA:

Por ela existir em todas as casas americanas é que o ferro elétrico praticamente não tem uso. É dobrar a roupa depois que ela sai quentinha da secadora e pronto. O que precisa ser obrigatoriamente passado (camisa de terno) eu levo para a lavanderia. Muito pouca gente perde tempo passando roupa. Máquina de lavar louça também é item imprescindível em todas as casas.

ASPIRADOR PORTÁTIL:

Talvez eu seja meio maníaca mas isso me quebra um super galho. As crianças podem deixar farelo de pão ou resto de comida em qualquer lugar, brincar de massinha, apontar lápis ou comer pipoca que depois é só passar este aspirador. Meu filho adora usá-lo.

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O PÃO DE QUEIJO IMPORTADO:

Pra quem viveu no Brasil muitos anos como eu, as vezes a boca fica cheia de água lembrando de coisas impossíveis por aqui, tipo pamonha (já comprei em lojinhas brasileiras só que nem se compara com as nossas). Mas do pão de queijo eu não posso reclamar: me viro com o que acho congelado em muitos mercados (brasileiros ou latinos). Acho o máximo minha filha (que morou apenas os primeiros dois meses de vida no Brasil) amar pão de queijo.

 

Apesar de achar por aqui tudo congelado e enlatado para, claro, facilitar a vida, uso estes produtos só na hora do aperto mesmo. Agora os americanos estão percebendo o quanto este tipo de comida não faz bem pra saúde. A revista Time desta semana traz na capa este assunto com o título "How to Eat Now?" ("Como comer agora?"). Quem explica essa revolução no jeito americano de comer é um famoso "food writer" daqui, Mark Bittman. Desde que a gente tenha uma certa disciplina tudo pode ser rápido e também prático de cozinhar, é o que ele garante (e eu concordo).

Para me "guiar" na cozinha (como já disse, não tenho este dom natural), consulto três sites: Tudo Gostoso, Panelaterapia e At your Kitchen. Este último é de uma amiga brasileira que mora na Flórida com idéias muito semelhantes às de Mark Bittman. Ela dá aulas para as americanas (o site é em inglês) mostrando que é possível (e simples) cozinhar feijão, por exemplo, sem precisar comprar o enlatado. 

 

Fabiana Santos é jornalista, casada e mãe de Felipe, de 9 anos, e Alice, de 3 anos. Ela lembra que o maior de todos os truques para uma casa funcional é a colaboração de todos da família. Marido brasileiro no Hemisfério Norte: tem que ajudar nos serviços domésticos!   

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