Você tem curtido seu tempo de "dona de casa"?

Você tem curtido seu tempo de "dona de casa"?

Depois que meus dois filhos entraram no jardim de escola em período integral, eu ainda demorei quase um ano para voltar a trabalhar. Hoje eu fico com uma saudade incrível daquele tempo em que eu tinha o dia inteiro para cuidar da minha família, da minha casa, de mim e do meu blog :-) . Mas quando eu olho para trás, eu sei que a coisa que eu menos fiz naquela época foi descansar e aproveitar o tempo que eu tinha.

Primeiro, porque eu obviamente tinha (e tenho ainda) muita coisa para fazer: cuidar da casa, supermercado, comida, levar as crianças nos compromissos deles (médico, cursos, festinhas). Este serviço invisível sobre o qual muitos falam, mas poucos tem ideia da trabalheira que realmente é, ocupa dias inteiros facilmente.

Depois porque quando eu eventualmente tinha tempo - o que era raro - eu não me permitia de verdade relaxar. Quase nunca eu deixei de arrumar a casa para ir tomar um café com tranquilidade com uma amiga. Ou tirei uma soneca no meio da tarde para recuperar as energias - uma extravagância dessas, só se eu tivesse passado à noite inteira acordada com uma das crianças para justificar. 

Tenho uma amiga que semanalmente faz compras em uma feira de produtos orgânicos e locais que acontece aqui no bairro às quinta-feiras.  A feira parece saída de um filme, fica em uma rua linda, arborizada, por um momento você acha que está na França e não na Alemanha. Uma vez fui com minha amiga na feira, fiquei encantada de ver como ela se divertia indo de barraca em barraca, jogando conversa fora com os vendedores,  todo mundo a conhecia pelo nome. Ir na feira semanalmente era muito mais um ritual que minha amiga apreciava do que algo que ela fazia porque era prático, econômico ou substancialmente melhor (por aqui a gente acha produtos orgânicos e locais em muitos supermercados normais). Apesar de eu ter gostado muito daquela manhã, eu nunca mais fui na feira. Eu não conseguia resistir ao ímpeto de resolver tudo de uma vez só, como um foguete, no supermercado da esquina. 

Eu me sentia culpada em desacelerar, em fazer menos. Era como se eu tivesse que preencher todos os minutos daquela vida "sem trabalho pago" para explicar para mim mesma porque eu estava em casa. Quando alguém me perguntava: "mas o que você fez hoje o dia todo?" Eu tinha uma lista preparada na ponta da língua com tarefas intermináveis. Que discrepância!  Depois de tantos anos sem passar nem minutos sozinha, claro que eu merecia e precisava de tempo para mim como ninguém. Em vez de ficar tentando "justificar" ou "otimizar" o pouquinho de tempo livre que eu tinha, eu deveria era ter encarado aquela época como uma dádiva, uma verdadeiro presente da vida para mim. 

Que insanidade é essa que a gente aceita como se fosse normal de que somente os dias cheios de compromissos e tarefas realizadas são importantes? Igualmente importante são os dias em que você fez duas horas de yoga, que você telefonou para aquela amiga com que não falava a séculos, que você gastou duas horas para preparar um jantar a dois especial, que você fez suas unhas.

Ter tempo para si mesmo é um luxo. Estar descansado para curtir os filhos quando estamos com eles é um luxo. A gente não precisa se pressionar tanto, pelo menos não todos os dias.  

Seja lá porque razão você está em casa, por opção ou por falta de opção, por obra do destino, ou por que você planejou assim: curta seu tempo, quando der. Sei que não dá sempre, mas eu sei também que depois que você eventualmente voltar a trabalhar, vai dar muito menos. Não encare seu tempo livre como algo anormal. No fundo, o que todo os pais de crianças pequenas gostariam e deveriam ter - para ser pais mais bacanas - é mais tempo para si mesmo.

 

Camila Furtado mora na Alemanha, e é mãe da Maria de 5 anos e do Gael de 3 anos. Atualmente ela tenta se organizar melhor para que sobre tempo para parar de "funcionar" e ela possa se dar ao luxo de não fazer nada. 

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