Eu não casei com o amor da minha vida – e agora?   (Ou como casar de novo com o mesmo homem)

Eu não casei com o amor da minha vida – e agora? (Ou como casar de novo com o mesmo homem)

Resolvi escrever aqui pois me identifiquei muito com o texto que li de uma outra mãe anônima. Eu gostaria demais que ela pudesse ler o meu relato. Eu sei o que ela viveu: o tempo passando, o tal grande amor que não chegava, o relógio biológico apitando… Aí surge um cara legal, que quer te assumir - ele não te faz suspirar, é verdade - mas está ali, é real e, por segurança e garantia, você acaba se casando com ele.

Acreditem, eu fui como ela mas consegui descobrir o que me impedia de ser feliz com quem escolhi e com o quê escolhi para a minha vida (sim, porque a gente sempre escolhe - a pessoa, a forma como vai se relacionar com ela, o que aquele relacionamento representa para nós, a vida que vamos levar...)

Sabe, aprendi que pessoas muito sonhadoras agem sempre de forma a buscar o inatingível e não o real, com isso sofrem mais: acabam por passar mais tempo ansiando por aquele desejo secreto não alcançado (ou mesmo inexistente) do que vivendo a vida que trilharam.

São pessoas que acreditam nos filmes de romance, que esperam por uma vida recheada de emoções. Têm expectativas irreais, e não raro se frustram. São pessoas que sonham com as coisas, e sonham muito, mas realizam pouco. É claro que sonhar é bom, mas sonhar com o pé no chão é melhor.

Assim, os gestos de amor do "marido de uma amiga" são vistos pela sonhadora romântica com uma lupa de aumento, hiper dimensionados. E quando escuta as histórias de outros casais suspira achando aquelas histórias bem mais incríveis e especiais. A sonhadora "compra" a história do “casal propaganda de margarina” de todo mundo, menos a sua.

Espera pelo Don Juan que irá revirar sua vida, lhe dar calafrios e arrebatar seu coração...mas não facilita pra ele. Não ajuda a despertar o Don Juan em ninguém. Por favor, não quero apontar o dedo pra você. Como eu disse, eu tenho esta tendência e quero que você se liberte também. 

Eu casei sem estar apaixonada, vivia um casamento morno, com um marido que é excelente pai e muito presente, mas por quem eu não nutria um grande sentimento. Como boa romântica desejava efusivas demonstrações de afeto e surpresas, nada costumeiras naquele homem que, por outro lado, vinha ao meu encontro, a qualquer hora do dia, acompanhar o encaixe no pediatra ou até mesmo trocar o pneu do carro.

De uns tempos pra cá, eu comecei, gradativamente, a colocar na minha relação todas as pitadas de romance que eu procurava. Primeiro, enxergando o bom daquele homem, de fato maravilhoso, que escolheu viver comigo, e que, à sua maneira, buscava minha aceitação e amor.

Em segundo lugar, resolvi ser, euzinha, a femme fatale que ele iria conquistar. Fui colocando uma tonelada de leveza na nossa relação… e de paquera… fui me tornando uma pessoa mais divertida. Brincava com ele, obviamente visando reações, que com o tempo foram vindo e se intensificando. Posso dizer que mudamos a dinâmica da nossa relação. E estes dias ouvi dele que não era a mesma mulher com quem ele casou. Segundo palavras dele, eu estava "mais sapeca, divertida e feliz”.

Eu também comecei a criar os cenários de romance que vivia sonhando, ao invés de continuar esperando que ele o fizesse. Afinal, trabalhamos muito, temos condiçōes. Então começamos a viajar, procurei pensar em coisas que animariam e agradariam a ele também....e não é que, depois de tantos anos de casamento, a nossa afinidade aumentou!

Muito importante foi descobrir que os homens são “gráficos". Não há meias palavras com eles. Se eu quero uma coisa, eu simplesmente tenho que falar abertamente o que é. Eu comecei a dar dicas objetivas, do tipo: "No nosso aniversário de casamento quero viajar para algum lugar bem romântico”. Eu fui conduzindo a história que eu queria, entende? Não esperei ela acontecer, eu a fiz existir!

Pense em um homem que detestava fazer surpresas e foi gradativamente se acostumando a esta forma de afeto... hoje ele demonstra que pensa em mim mesmo em pequenas coisas, que procuro sempre valorizar.

Enfim, o que posso dizer é que basicamente quando eu parei de me boicotar procurando um amor platônico e decidi construir a paixão que eu queria, eu tirei do destino a responsabilidade por aquilo que ansiava. Assumi o controle da situação, realizando eu mesma a mudança desejada.

Não estou falando que é fácil. Não estou dizendo que eu mudei o meu marido...eu apenas me fiz mais interessante e o fiz gradativamente se tornar mais sensível a respeito das minhas necessidades. Com isso, brinco que me tornei conquistável e ele conquistador. 

Nos descobrimos pessoas muito diferentes do que éramos no comeco: bem mais interessantes! Hoje achamos uma paixão em comum: fazemos trilhas de bicicleta juntos e temos vários amigos nesse meio. Foi tão libertador...às vezes é difícil acreditar.

Espero, de coração, que a mãe anônima que me inspirou leia este texto. Espero que ela consiga focar no que tem: olhar para a pessoa ao lado...interessar-se por ela, despertar nela o seu melhor! Porque paixōes arrebatadoras e Don Juans sem amor nenhum têm aos montes por aí...mas bons companheiros e maridos, estes são poucos. Que vocês sejam muito felizes! 

 

Esse texto foi enviado por uma leitora para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora por confiar sua história ao nosso blog!

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