7 perguntas para o pediatra José Martins Filho, ele acredita que: "criança feliz é a que tem os pais por perto"

7 perguntas para o pediatra José Martins Filho, ele acredita que: "criança feliz é a que tem os pais por perto"

"As pessoas precisam lembrar que é melhor não ter filhos, do que tendo-os não querer cuidar e não dar carinho"

"As pessoas precisam lembrar que é melhor não ter filhos, do que tendo-os não querer cuidar e não dar carinho"

Sou uma fã da postura e do trabalho do pediatra José Martins Filho desde que escrevi o texto “Uma geração babá dependente”, há mais de um ano e me deparei com as idéias sensacionais que ele prega. Postamos inclusive no blog um vídeo dele sobre “A criança terceirizada”.

Pediatra há mais de 40 anos, com doutorado em Medicina pela Unicamp, onde foi reitor e vice-reitor, o Dr José Martins Filho é ainda Membro da Academia Brasileira de Pediatria, escritor de oito livros publicados e um dos responsáveis por pressionar as autoridades para aumentar a licença maternidade no Brasil de 3 para 4 meses.

Prestes a lançar o seu nono livro (“O Nascimento e a Família - Alegrias, Surpresas e Preocupaçōes”), ele abriu espaço na sua agenda super lotada para gentilmente responder algumas perguntas para o nosso blog. Aqui estão! Espero que aproveitem!

1 - Qual o primeiro conselho que o senhor dá para uma mãe de recém nascido numa primeira consulta ao pediatra? 

O primeiro conselho é: abrace, acaricie, converse, amamente e fique bem juntinho de seu bebê. O vínculo é fundamental e a amamentação é indispensável. 

2- Depressão pós parto é mais comum do que se imagina? Existe alguma maneira de evitá-la?

Sim. Vejo muitas mães deprimidas e o pior é o que chamamos de " depressão mascarada" quando as evidencias não são tão claras para as pessoas da família e para os amigos. É a mãe cansada, irritada, chorosa, reclamante, dizendo que o bebê solicita muito, que quer colo o tempo todo, etc… Infelizmente a depressão pós parto é mais frequente em pessoas que já tiveram antes uma tendência a apresentar alguns sintomas desse tipo de sofrimento. Evitar só é possível com esclarecimento e acompanhamento e principalmente com apoio do pai da criança e da família. 

3-Um dos seus temas recorrentes, inclusive em livro, fala sobre a criança terceirizada, aquela criada por terceiros, na maior parte das vezes por babás. Gostaria que o senhor pudesse exemplificar um caso que realmente deixou o senhor preocupado.

A terceirização nos dias de hoje é epidêmica, por conta do modo como as pessoas vivem ou são obrigadas a viver. Crianças que não conseguem ter a presença dos pais, são inúmeras. Eu poderia citar dezenas. Um dos casos que mais me impressionou foi de uma mulher que dizia não ter tido tempo para o filho e que ela na verdade não queria ter engravidado. Ao sair do trabalho, ela sempre ligava para casa para perguntar à babá ou ao pai se a criança já tinha dormido, porque ela não tinha paciência para aguentar choro. Ela esperava o aviso de que já poderia voltar porque o menino já tinha dormido. O problema é esse: as pessoas precisam lembrar que é melhor não ter filhos, do que tendo-os não querer cuidar e não dar carinho.

4- Qual o impacto na vida adulta para essa geração terceirizada?

Os trabalhos no mundo inteiro mostram as dificuldades dessas crianças de amar e de se sentirem amadas, dificuldades escolares, problemas de agressividade, alterações do humor e principalmente, muitas vezes, atitudes de desamor com os outros. Há trabalhos mostrando também alterações biológicas tardias e maior frequência de distúrbios biopsicossociais. 

5- Sei que o senhor é um incentivador do aleitamento materno. Mas amamentar muitas vezes não é tão simples quanto mostrado nas propagandas. O que dizer para uma mãe com dificuldades para amamentar?

Sim. Amamentar às vezes apresenta dificuldades. Para essa mãe eu recomendo procurar um pediatra que seja realmente a favor do aleitamento materno e que com carinho, incentive e apoie no vencimento das dificuldades. Alguém que possa realmente orientar quanto aos problemas de pega adequada, de prevenção das fissuras, das mastites, os problemas dos horários, incentivando o aleitamento em livre demanda. É primordial o apoio da família e do pai da criança. 

6- O senhor é a favor da “cama compartilhada” (quando o filho dorme na cama dos pais) que alguns especialistas defendem hoje em dia?

Sim. Sou a favor da cama compartilhada e reconheço que em nossa sociedade isso acaba trazendo resistências. Então eu falo do quarto compartilhado, com o bebê ao lado da cama da mãe, num bercinho que pode ser aproximado. Aí as pessoas aceitam mais e percebem que a mãe e o bebê dormem melhor, que ele chora menos. Nós lutamos tanto para fazer o alojamento conjunto nas maternidades, com os bebês junto de suas mães, e esquecemos que em casa isso também é muito importante. 

7-Sobre o seu novo livro prestes a ser publicado “O Nascimento e a Família - Alegrias, Surpresas e Preocupaçōes”, o que podemos esperar? Como criar um filho bacana desde o início?      

O novo livro é a continuação de meu pensamento e de minha luta em defesa de um crescimento mais harmonioso e principalmente uma ajuda para criar crianças mais suaves e amorosas. Elas sendo bem cuidadas desde os primeiros momentos, seguramente terão uma vida melhor. No dia do lançamento, vou falar sobre temas que atualmente são desafiadores, como a questão dos primeiros mil dias, das janelas de oportunidades , do aleitamento, da síndrome do alcoolismo fetal, da alienação parental, entre outros. Esse livro faz parte da trilogia iniciada com “A criança terceirizada" , depois com "Quem cuidará das crianças?"  e agora este. 


O lançamento do livro: “O Nascimento e a Família - Alegrias, Surpresas e Preocupaçōes” será no dia 30 de outubro de 2014, às 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de Campinas - SP.

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