Aquele momento em que você se dá conta de que não precisa ir na onda de outra mãe

Aquele momento em que você se dá conta de que não precisa ir na onda de outra mãe

Sexta passada foi um dia no mínimo engraçado. Eu estava saindo de casa para levar as crianças para o Jardim de Infância, quando avistei do outro lado da rua uma outra mãe que tem duas crianças na idade dos meus filhos, igualmente saindo de casa para levar os filhos dela na mesma escolinha.

Eles moram em uma casa praticamente em frente à nossa, e apesar da gente já ter se encontrado mil vezes no caminho, nunca tínhamos trocado mais do que bom dia sorridentes. Mas naquele manhã, saímos sincronizadas e como levamos as crianças à pé para o jardim de infância, foi impossível não engatar uma conversa no caminho. Resulta que ela era super simpática.  Depois de 5 minutos, já estávamos naquele momento da conversa em que você começa a achar a outra mãe tão legal que pensa que talvez vocês pudessem virar amigas, os filhos também… Mas as crianças nos interrompiam toda hora, então combinamos que, depois de deixá-los, caminharíamos de volta para a casa juntas.

Dito e feito. Eis que estamos passando na frente da escola primária que temos no bairro quando ela me pergunta se eu ia matricular minha filha Maria nessa escola no ano que vem. Eu disse que no começo estava meio em dúvida, mas que conversando com outros pais que tinham filhos lá só tinha escutado coisas positivas sobre a escola. Disse ainda que a conversa com a diretora também tinha me agradado e que a localização era obviamente perfeita e então agora estávamos convencidos.

Ela disse que também tinha conversado com outros pais, também tinha visitado a escola e escutado a palestra da diretora mas que eles haviam decidido colocar a filha em uma outra escola, um pouco mais longe, é verdade, mas "vale muito a pena". Contou que havia comparado as duas e a outra escola era infinitamente melhor por causa disso, daquilo, e daquilo mais.

Eu não sou muito de ir na onda de outras mães. Tento não desperdiçar exemplos legais e ideias que façam sentido para mim, mas acabo tomando minhas decisões de maneira muito intuitiva mesmo.  Mas aquela conversa estava me deixando meio cabreira porque escola é um tema sensível para mim. Será que nós estávamos tomando a decisão errada? Guardei meus pensamentos e decidi discutir mais uma vez a questão da escola com o meu marido mais tarde. Nos despedimos e fomos cada uma para o seu lado. Com exceção da parte da escola, a conversa tinha sido super agradável, ela parecia ser um amor.

No final do dia eu estava com as crianças na porta da minha casa casa esperando meu marido chegar para irmos jantar e, como eles queriam dar um susto no pai, fomos esperá-lo do outro lado da rua. Nos escondemos em uma árvorezinha que fica do lado da casa dessa outra mãe. E foi aí que nós nos encontramos pela segunda vez no mesmo dia. 

Ela sempre muito simpática, nos convidou para conhecer o seu jardim - meu marido tinha avisado que demoraria mais que o previsto - e então demos sequência a nossa conversa de conhecimento no terreno materno - (quem é esta mãe, quem é esta família que mora na frente da minha casa?). Em algum momento ela me perguntou se a gente já tinha um restaurante em mente para ir, pois ela tinha uma ótima recomendação, um restaurante mexicano não muito longe dali, que tinha área de brincadeiras para as crianças, comida maravilhosa e ainda por cima não era caro.

Na verdade, a gente estava pensando em ir no nosso sushi de sempre, mas eu que não resisto a uma novidade, achei a ideia interessante e acabei convencendo meu marido em ir no restaurante recomendado com tanto entusiasmo pela minha nova “amiga”.

 Para resumir o fim da história: foi um dos piores restaurantes que eu fui nos últimos anos. A comida era ok, nada maravilhosa, a área de brinquedos se resumia a um túnelzinho sem graça, uma mesa com umas folhas para pintar e uns lápis sem ponta. O atendimento era horrível. O garçom era um cretino, fez até a Maria chorar quando ela cheia de coragem foi até ele perguntar se podíamos pagar com cartão. A música mexicana alta no maior estilo la cucaracha nos enlouqueceu durante todo o jantar. E a cereja no bolo foi a conta que comparada com nosso sushi amigo - onde a comida é deliciosa e o atendimento de primeira - exorbitante. No caminho de volta, eu até me desculpei com todo mundo por ter nos metido naquela roubada mexicana. 

No final das contas, eu resolvi nem comentar direito com o meu marido a opinião da minha nova amiga sobre a escola que pretendemos colocar a Maria. Afinal, se ela sabe escolher escola tão bem como ela escolhe restaurante para ir com as crianças, acho que eu prefiro matricular minha filha aqui no bairro mesmo. 

 

Camila Furtado mora na Alemanha, e é mãe de Maria, de 5 anos e Gael e de 3.  Ela acredita que existem muitas maneiras diferentes de ser uma boa mãe. E uma mãe que não tem nada a ver com você também pode ser, do seu jeito, uma boa mãe.

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