Vamos falar sobre amigos

Vamos falar sobre amigos

Eu costumo dizer para os meus amigos mais próximos, meio de brincadeira, mas com um bom fundo de verdade, que eu sou a pior amiga do mundo.

Nos últimos anos, eles me escrevem, eu não respondo, eles fazem aniversário, eu mando uma mensagem sem vergonha no Facebook, eles querem me ver, eu não marco uma data. Eu simplesmente sumo do mapa. Por que?

Porque comigo estava acontecendo um cenário, acredito, muito comum na vida de pais e mães de crianças pequenas. Estamos tão ocupados cuidando dos nossos filhos, trabalhando e tentando dar conta de tudo mais que aparecer na frente que uma das primeiras coisas que colocamos em segundo plano são as amizades.

Em partes, e durante uma época, eu acho que essa situação é inevitável mesmo, não dá para querer ter a vida social de antes, com um bebê em casa. Não dá para acompanhar o ritmo de quem não tem filhos. Não dá para aceitar todos os convites e gastar metade do orçamento doméstico com baby sitter. E às 8 da noite quando sua casa está pegando fogo, definitivamente não dá ligar para uma amiga para colocar o papo em dia. 

Sorte de quem tem, como eu, amigos compreensivos, que em vez de te massacrar, quando você finalmente aparece, se alegram. Mas compreensão à parte, quem nunca está com seus amigos e não cultiva suas amizades, uma hora se sente sozinho. 

E nos últimos anos, eu, que sempre fui uma pessoa cheia de amigos, me senti sozinha muitas vezes. Às vezes porque eu sabia que o mundo lá fora estava acontecendo sem mim, outras vezes porque algumas amizades, apesar de bonitas durante um determinado tempo, não me preenchiam mais como no passado. Afinal, as pessoas mudam, nem todas as amizades são para sempre e isso não tira o valor que elas tiveram. 

Só que aqui vai a verdade verdadeira dessa história: nenhum ser humano é uma ilha. Ter amigos, tanto para os extrovertidos, como para os mais introvertidos é fundamental para nossa felicidade. Nós precisamos de pessoas em que podemos confiar, precisamos nos sentir parte de um grupo, nos identificar com outros, nos sentir queridos por pessoas, além da nossa família, com a qual podemos dividir a vida.

Depois de amargar uma fase de "exílio forçado", resolvi que em 2014 eu ia me esforçar no campo das amizades. Fazer novos amigos,  fortalecer as amizades que estavam nascendo e resgatar a convivência e o contato com as pessoas do passado que eram importantes para mim. 

Com minha meta na cabeça, uma das minhas primeiras ações foi aposentar a mensagem do Facebook e ligar no aniversário de algumas pessoas. Nesse nosso mundo high-tech,  que coisa mais primitiva ligar, né? Mas que delícia escutar a voz de surpresa e de alegria no outro lado da linha.  Também desenvolvi uma "play date" perfeita para pais e filhos, convidei casais de amigos com crianças para tomar um lanche ou comer um pizza aqui em casa, gente que eu conheci no Jardim de Infância, na aula de natação, gente que você olha e pensa „pô esse pessoal é legal, dava até para gente ser amigo…“ Então, resolvi dar uma chance. Os amigos chegam no Domingo à tarde, a gente senta para comer juntos com as crianças, depois os pequenos vão brincar de barriguinha cheia e felizes que tem amiguinhos em casa e os adultos abrem uma garrafa de vinho. Três horinhas no final do final de semana não atrapalham a vida de ninguém mas dá um "up" legal na vida social. 

 Outra coisa que fiz mais esse ano, até porque as crianças estão maiores, foi aceitar convites para sair, e quanto mais convite você aceita, mas convite aparece. Algumas vezes não aceitei mesmo, não dava. Tipo no Domingo passado dei um bolo fenômenal no pessoal do trabalho e fiquei feliz da vida em casa no meu super modelito calça de moletom velha dando uma geral no quarto das crianças. Mas eu acho que não teve uma vez esse ano que eu tenha saído que 1. eu não tenha tido preguiça de ir e que 2. eu tenha voltado para casa pensando que não valeu à pena. Sempre vale à pena, nem que seja para espairecer e respirar outros ares.

Dá trabalho sair da concha mas amizade é que nem plantinha, tem que ser regada para poder dar frutos. Veja só, dia 28 é meu aniversário, e no Domingo vamos fazer um brunch aqui em casa. Eu e meu marido não sabemos mais como vamos fazer para acomodar tanta gente (e tanta criança) no nosso apartamento.  Eu só convidei aquelas pessoas mais chegadas, mas que felicidade a minha, me dar conta que, ultimamente, eu estou cheia de gente „mais chegada“ na minha vida.

 

Camila Furtado é mãe da Maria e do Gael e nos últimos meses percebeu que, muito longe de ser a única que estava se sentindo sozinha,  existem muitas mães e pais que também estão à procura de novos amigos. 

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