Como é ser mãe fora do Brasil?

Como é ser mãe fora do Brasil?

Pedi para amigas e leitoras do blog expatriadas pensarem com carinho como é ser mãe fora do Brasil. Todas são brasileiras mas o destino as colocou em outra cultura, outra língua, outra realidade. E então, eu perguntei: O que você tem a me dizer de positivo e de negativo sobre a maternidade em terra estrangeira? Aqui estão as respostas bem particulares (inclusive as minhas!). Foi incrível conhecer um lugar pelos olhos de uma mãe. Espero que também seja pra você!

 

 

 

GRAZIELA CUOCO - MELBOURNE (AUSTRALIA), mãe de Laura (6 anos) e André (1 ano)

“Todas as mães reclamavam do clima, mas só fui entender isso depois de ter filhos. Brincar ao ar livre aqui é complicado. Apesar da temperatura não ser tão baixa no inverno, ele é longo e chuvoso e o vento é muito forte e gelado. Daí você encapota a criança mas não tem jeito: o nariz escorre o inverno inteiro. Quando chega a primavera com temperaturas mais amenas, o vento gelado continua. E no verão, você pensa, beleza, vamos curtir uma praia. Não dá! O calor é de mais de 40 graus, um sol muito ardido (dizem que o buraco na camada do ozônio aqui é muito grande) e a água do mar continua um gelo. Resta o outono, a melhor estação, mas que dura no máximo 2 meses.”

“A cidade de Melbourne é toda preparada para criança. Há parquinhos super bacanas em todos os bairros e vários por bairros. Pra todo lado tem “parent room” super equipado (tanto a mãe quanto o pai podem usar, não ficam dentro somente do banheiro feminino) e por onde quer que eu ande encontro rampas de acesso para o carrinho de bebê. No aspecto cultural, o ritmo de cada criança é mais respeitado e como há menos intromissão na vida alheia: cada um respeita o jeito que você escolhe para criar seus filhos.”

 

MÁRCIA HENRIQUES, ILHA DA MADEIRA (PORTUGAL), mãe de Mariana (5 anos)

“Para que vem de uma cidadezinha no interior de São Paulo que fica 6 horas longe do mar, é estranho viver numa Ilha. Socorro!!! É muita água perto da minha filha. Sabe que os dois passeios de verão da escola são: ir nas piscinas com as crianças e levá-los para a ilha vizinha (o que significa 2 horas de ferry boat). O primeiro impulso foi dizer NÃO! Aí todas as outros coleguinhas iam e os pais não achavam nada demais. Respirei fundo, rezei muito e deixei-a ir. É claro que deu tudo certo. Mas a primeira providência foi logo tomada: aulas de natação pra ela. Ufa!”

“O mais fácil por aqui é falar a nossa língua materna sempre, conseguir fazer a Mariana entender e sentir o que quero passar na nosso idioma. Além de viver pertinho da natureza.”

 

MELANIE - EAST SUSSEX (INGLATERRA), mãe de Joshua (1 ano)

“Quero muito que o Joshua seja fluente na língua portuguesa. Mas é difícil eu conseguir contato com o português pois moro numa fazenda a 120 km de Londres. Se eu morasse lá, seria possível encontrar muitos brasileiros, atividades, babás brasileiras. Aqui, ele tem a mim e o Skype com a minha familia no Brasil. Além, é claro, da “Galinha Pintadinha" e shows via Youtube.”

“A rede de apoio às famílias é maravilhosa. Por exemplo: minha academia de ginástica tem creche e me exercito em paz sabendo que meu filho está ao lado e bem cuidado. E existem muitas atividades para mães e filhos. A minha favorita é um local chamado Great Dixter: uma casa histórica, com jardins espetaculares (o que os ingleses têm de melhor). Nesse local há caminhadas na floresta, com direito a fogueira (as crianças recolhem os galhos para queimar) e panquecas feitas nesta fogueira; também plantamos flores, exploramos os jardins, cantamos músicas e fazemos leituras. Não vejo a hora de levar meu filho em todas as atividades natalinas que serão organizadas na região.”

 

ROSA CECÍLIA - VANCOUVER (CANADÁ), mãe de Rafael (12 anos) e André (10 anos)

"A comida é algo difícil pra minha família. A influência oriental é muito grande em Vancouver. Como meu filho mais novo não gosta de experimentar novos sabores e mesmo o mais velho, que come de tudo, não quis saber de comida muito diferente, comer fora é muito complicado. Eles ainda estão muito ligados à culinária brasileira já que este é o nosso primeiro ano fora da Brasil. Então, em casa, todos os dias tem de ter feijão com arroz no almoço e no jantar."

"O que há de melhor por aqui é a tranquilidade de deixar meus filhos mais soltos. Meu filho mais velho vive uma liberdade impensável: sozinho vai e volta da escola a pé e pega ônibus para ir para a natação. No começo eles estranhavam, ficavam na dúvida se era realmente seguro. Agora eles já se sentem mais relaxados, sem as preocupaçōes que tínhamos no Brasil."

 

 

ANATÉ MERGER - AIX-EN-PROVENCE (FRANÇA), mãe de Chloé (9 anos) e Théo (5 anos)

Uma das maiores dificuldades na gravidez da Chloé foi a de não falar direito a língua francesa. Nesse momento descobri que os franceses lidam com a chegada do bebê com um certo pragmatismo. O anúncio da gravidez deve ser dado a todos aos três meses (quando o médico manda um atestado da gravidez para o setor do governo responsável pela saúde), “chá de bebê” não existe por aqui e cesária só em casos de emergência. A maior de todas as dificuldades para quem trabalha: você precisa de uma creche, mas elas não são muitas e é a prefeitura que distribui as vagas de acordo com a sua área residencial. Consegui uma vaga para Chloé quando ela completou um ano (e olha que me inscrevi aos três meses de gravidez). Por isso precisei contratar uma babá, mas que fica bem mais caro. A creche você só paga uma taxa proporcional aos seus rendimentos”.

“Acabei gostando dessa maneira mais "cool" - mas extremamente organizada - de encarar a gravidez, sem muita ansiedade e preparativos, apenas se concentrando no que é realmente importante. Nunca poderia imaginar que teria os meus dois filhos de parto normal e de que seria possível cuidar deles sem contar com empregada e babá em casa. Eu tenho, por exemplo, amigas e vizinhas que se alternam para buscar as crianças na escola. E para os pais que trabalham, um sistema de "creche" é colocado à disposição antes e depois do horário escolar.”

 

CAMILA FURTADO -  COLÔNIA (ALEMANHA), mãe de Maria (5 anos) e Gael (3 anos)

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"Quando a Maria nasceu, não fazia muito tempo que eu morava aqui, então os desafios da maternidade para mim sempre vieram acompanhados com os desafios de se adaptar a uma nova cultura. Não era só aprender a ser mãe, era aprender a ser mãe longe de todas as suas referências do que é a maternidade. Fazer amizades com outras mães, levar os filho na emergência do hospital, escolher escola, falar para o menininho do parquinho que não é bonito roubar o brinquedinho do seu filho. Tudo e qualquer coisa, desde as mais simples até as mais complicadas sempre vieram com esse "plus" do desafio da língua e da cultura.  Sempre passo por coisas que sei que estaria tirando de letra no Brasil, mas que aqui são complicadas para mim. Às vezes é bem frustrante. Mas espero que as crianças um dia me admirem não só por eu ter conseguido ser uma mãe legal, mas também por eu ter enfrentado todos esses desafios extras sem ficar reclamando que nem uma vitrola quebrada, ultimamente estou mais resiliente, é assim e pronto, vamos que vamos."

" As mães aqui não estão a fim de complicação e de frescura, e aprendi e aprendo muito com elas.  É uma maternidade bem pé no chão mesmo, de criar os filhos para que eles sejam independentes e precisem cada vez menos de você, de ensinar a pescar e não a dar o peixe. Uma coisa que eu adoro é como os pais criam os filhos longe do consumismo. Aqui as crianças assistem muito pouca televisão, mas quando assistem, tem um canal infantil sem propagadas com uma programação incrível, não só de desenhos mas com documentários e programas educativos super bem feitos - até eu gosto de ver. O pessoal valoriza muito brincadeira ao ar livre, artesanato, brinquedos educativos.  Acho que o programa mais "out" por aqui é levar os filho na Disney, aqui o pessoal quer fazer trilha, acampar, esquiar, nadar no lago. No nosso Jardim de Infância, eu sou a única mãe que já levou os filhos na Disney Paris - e olha que fica só duas horas e meia de trem daqui..."

 

FABIANA SANTOS - WASHINGTON-DC (ESTADOS UNIDOS), mãe de Felipe (9 anos) e Alice (3 anos)

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“Me dá um aperto no peito quando penso que a Alice nunca foi a uma festa junina pra comer pamonha, nem nunca dançou quadrilha na escola. O Felipe, como morou no Brasil até os seis anos, tem algumas destas lembranças. Manter o Brasil e tudo de melhor que nosso país tem no coração e na cabeça dos meus filhos é a minha maior vontade e preocupação. Mas infelizmente não dá pra se ter tudo. Eles estão vivendo outras realidades mas eu fico com uma espécie de saudade do que eles não viveram (e eu vivi) como chupar jabuticaba no pé, comer pastel com caldo de cana na feira ou brincar com os primos no quintal da avó. Ok que nas férias eles até podem viver isso, mas nunca é a mesma coisa.”

“Estamos numa cidade bem diversificada. Na escola do Felipe há 26 países representados. Gente de embaixada e de organismos internacionais. Todo ano os pais organizam uma festa na escola, chamada “Diversity Night”, provamos comida de todas as partes do mundo, uma verdadeira viagem gastronômica! Amo a oportunidade dos meus filhos de estarem convivendo com diferentes culturas. Na aula de hip hop da Alice a professora fala francês e a melhor amiguinha é chinesa. Tudo junto e misturado! Outro dia na escola dela, a mãe da coleguinha de origem indiana pediu permissão aos pais para celebrar na classe o Diwali, foi uma bonita festa, cheia de cores e de aprendizado sobre a tradição na Índia."

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