Histórias de mães e madrastas que conseguem ser super amigas

Histórias de mães e madrastas que conseguem ser super amigas

Não faz muito tempo o assunto "mãe e madrasta" foi abordado aqui no blog. Com a permissão da blogueira americana Candice Curry, eu traduzi uma carta que ela escreveu para a madrasta da filha - uma verdadeira declaração de amor. O texto foi um sucesso: foram mais de meio milhão de acessos e mais de mil compartilhamentos. Além de centenas de comentários: muitas mulheres achando um caso raríssimo de acontecer, outras elogiando tanta amizade, umas dizendo que jamais conseguiriam manter este tipo de relacionamento e algumas contando que vivem exatamente assim - em harmonia! E é com muita honra que divido aqui os depoimentos de mães e madrastas, leitoras do blog, que aceitaram o meu pedido para contar suas (felizes) experiências:

Natasha (madrasta) e Mariana (mãe)/Arquivo pessoal

Natasha (madrasta) e Mariana (mãe)/Arquivo pessoal


"EU FUI MADRINHA DE CASAMENTO DA MADRASTA DA MINHA FILHA"

Mariana Fragoso (Mãe)  "Um dia ela apareceu na porta da minha casa. Num outro dia meu filho chegou em casa falando sobre ela. Depois observei que meu filho se despedia dela com muito amor. E foi aí que ela chamou minha atenção. Conquistou a pessoa mais importante da minha vida e me fez ter paz mesmo quando eu estava longe dele, o que era o pior momento pra mim. De MAdrasta ela não teve nada. Recebeu meu filho com braços de mãe, e se tornou a nossa BOAdrasta querida. O tempo foi passando e nos aproximamos. Foram idas ao shopping, organização de festinhas (somos grandes confeiteiras de brigadeiros caseiros!) e aceitei seu convite para ser sua madrinha de casamento. Sim, madrinha do casamento do meu ex. Hoje já passamos por tantos momentos que nossa amizade resiste a qualquer tempo que ficamos sem nos encontrar. Sei que posso abrir meu coração e ela torce por mim em todas as situações. Exatamente como eu torço por ela. As pessoas já nos julgaram, não acreditavam, mas hoje não temos que provar mais nada pra ninguém. Nós sabemos o quanto somos importantes uma pra outra, o quanto o que existe entre nós é raro e especial. Somos verdadeiras amigas e não mais “a ex e a atual". " 

Natasha Souza (madrasta) "Quando conheci meu marido eu sabia que ele tinha um filho lindo e é claro uma ex. Confesso que tive receio de não ter jogo de cintura para lidar com essa situação. Me dei muito bem com meu enteado e ficamos muito apegados. Achei que seria mais um motivo para criar desconforto. Mas ao contrário da tradicional briga entre a atual e a ex, essa amizade foi surgindo aos poucos e hoje não considero só meu enteado parte da minha família, ela também é. Sempre esteve presente nos aniversários, fizemos aulas na faculdade juntas, passávamos a tarde uma na casa da outra conversando, ela participou do meu chá de panela, do meu ensaio de gestante, do chá de bebê e foi a minha madrinha de casamento mais empolgada! Nunca tivemos ciúmes uma da outra, na verdade, quem tinha ciúmes da nossa amizade era meu marido (risos). Nunca imaginei que encontraria nela uma grande amiga. Não foi nada programado, até porque não tem como controlar uma relação dessas, por sorte ela é uma das pessoas mais do bem que eu conheço. Infelizmente a correria da vida acabou diminuindo nossa convivência e sinto muita falta. É muito difícil resumir nossa história e expressar o quanto sou grata por ter uma amiga assim e mesmo que ninguém entenda, eu a amo de verdade. Eu queria muito que todas as relações entre madrastas e mães fossem como a nossa. Quem vive em guerra não sabe como é bom viver em paz." 


        DEBBIE (MÃE) E JULIA (MADRASTA)/ARQUIVO PESSOAL

        DEBBIE (MÃE) E JULIA (MADRASTA)/ARQUIVO PESSOAL

A MADRASTA QUE REAPROXIMOU MÃE E FILHA

Debbie Lazarine (mãe) "Muitas vezes manter uma amizade pode ser um desafio. A forma como interpretamos as coisas que nos falam pode causar felicidade ou mágoa. Imagine então tentar manter um relacionamento com a mulher do seu ex-marido. Eu sei que parece impossível, mas acredito que para Deus todas as coisas são possíveis. Sem qualquer tipo de ciúmes, ela abriu sua casa e seu coração para mim, independentemente de eu ser a ex-mulher do marido dela. Ela teve coragem de ir contra os padrões culturais de quem você deve e não deve fazer amizade. Ela me viu primeiro como uma pessoa e mãe. Foi ela a responsável por me ajudar a me reconectar com a minha filha, depois de 3 anos sem vê-la. Ela reconheceu de imediato que uma menina precisa da mãe, então ela começou a pedir a Deus pela nossa reaproximação. E não demorou muito para eu ter a benção de passar o Natal com a minha filha na Flórida. Julia não só incentivou o encontro, como hospedou a mim e a minha mãe por uma semana. Sendo americana, pude desfrutar da comida brasileira que Julia nos ofereceu e conheci muitas pessoas maravilhosas. O carinho e a hospitalidade dela foram surpreendentes. Serei eternamente grata a Julia por causa de seu amor e da sua perseverança com Deus em relação a mim e a minha filha."

Julia Lewis (madrasta) "Eu sou madrasta de uma adolescente de 16 anos. Esta posição nunca foi fácil. Só que a parte menos difícil, foi o meu contato com a mãe dela. No início do meu casamento, a mãe não estava no cenário. Por vários motivos elas não tinham contato nenhum e a guarda da minha enteada era dos meus sogros. Tudo o que eu escutava eram coisas ruins dela. Mas com o tempo fui conhecendo melhor a família do meu marido e sempre quis escutar o outro lado da história. Como uma mãe e uma filha não se falavam? Não entendia, principalmente depois que me tornei mãe. Quando minha enteada se mudou para morar conosco, a mãe dela tentou se aproximar novamente. Eu e meu marido decidimos que era hora de mudar o rumo da história, afinal toda criança precisa da mãe. Tomei coragem e mandei uma mensagem de texto para ela, dizendo que ela tinha total liberdade de se comunicar com a filha e que nós não queríamos ser obstáculo entre as duas. Ela me respondeu super agradecida e feliz. A partir daí começamos a nós falar sempre. Todas as vezes que o ciúmes vinha, eu dizia pra mim mesma que minha enteada era uma adolescente que precisava da mãe e a mãe dela precisava de uma segunda chance. Hoje, quando temos problemas com a nossa adolescente, nos juntamos e "trabalhamos" como um time. Ela se casou novamente, tem uma filha recém nascida linda e um ótimo relacionamento com a minha enteada. Sempre que possível nos reunimos para algo em família - as duas famílias juntas! Todo Natal ou aniversário nós nos comunicamos e trocamos presentes. Já teve um ano que meu marido e eu estávamos passando por problemas financeiros e ela cuidou dos presentes da filha. Com ajuda de Deus e boa vontade, podemos viver em paz e bem:)"

 

"A FILHA DA MADRASTA DA MINHA FILHA É O MEU XODÓ"

Cecília (mãe) e Milena (madrasta) com Emanuelly (filha/ enteada)/ Arquivo pessoal

Cecília (mãe) e Milena (madrasta) com Emanuelly (filha/ enteada)/ Arquivo pessoal

Cecília Rodrigues (mãe)  "Não vou mentir dizendo que nossa relação sempre foi boa. No início, eu tinha um ciúmes enorme da minha filha. Ela tinha uns 4 ou 5 anos e eu ficava imaginando como ela era tratada lá. Mas o tempo foi passando e minha filha cada vez mais apaixonada pela "tia Milena". Começamos a nos envolver e quando nos demos conta já éramos grandes amigas. Festa na escola? Vamos as duas juntas! Minha filha só tem 10 anos e nós já estamos planejando como vai ser a "festa dos 15 anos". Nossa relação é super saúdavel. Meu marido e meu ex marido também são ótimos amigos. Minha filha ganhou uma irmã (por parte do pai) e ela é nosso xodó. As pessoas não acreditam quando eu comento sobre isso, acham impossível este tipo de relacionamento. Mas é possível sim! Hoje somos uma grande família. Sou filha de pais separados e infelizmente não tive a mesma sorte da minha filha."

Milena Azevedo (madrasta) "Eu também não imaginei pra mim um marido que já tivesse filho. No início parecia ser um problema, mas logo vi que não era bem assim. Só seria um problema se eu não soubesse administrar. Minha enteada era uma alegria em nossas vidas e eu agradeço à Ciça e a toda a família dela por compartilhar esse pedacinho de amor comigo. Sempre tive minha mãe como minha melhor amiga e todas as vezes que eu posso eu converso com a minha enteada sobre isso. Tive uma filha e minha enteada divide até suas avós por parte de mãe com a irmãzinha! Desde o início eu sempre respeitei o passado do meu marido e o lugar que esta história tem na vida dele: são laços eternos. Eu e a Ciça temos muitas afinidades, gostamos de festas, somos animadas, nunca ficamos tentando ser uma melhor do que a outra. Somos pessoas boas de coração, simples, sinceras, batalhadoras e voltadas para a família. Não havia motivos para evitar esta amizade. Somos amigas sim, muitas vezes confidentes, e assim somos felizes!"

 

 

 

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