Oui, nós temos carreira

Oui, nós temos carreira

Há alguns anos, a francesa Stephanie Mellul trocou Paris por Nova York. Aportou na cidade americana com o marido e suas três filhas, deixando uma sólida carreira de headhunter para grandes corporações para trás. “Adoro casar profissionais e empresas. Analiso semelhanças entre as culturas e os objetivos de cada um”, conta ela, que nos primeiros anos em Nova York dedicou-se às filhas, ainda pequenas. Com uma veia artística tão forte quanto a veia executiva, Stephanie é compositora musical e já foi cantora de jazz, caminho interrompido por um pólipo na corda vocal. Na nova cidade, sua criatividade aflorou em forma de colagens, ganhando espaço em seletas galerias nova-iorquinas. 

Um dia, essas duas veias se cruzaram: ela voltou para a faculdade e certificou-se em “coaching”. Com mais flexibilidade e suavidade, Stephanie ajuda profissionais em suas jornadas, principalmente as de um nicho quase esquecido: o de mulheres bem-sucedidas que abandonaram o emprego por alguns anos para se dedicar aos filhos e, mais tarde, almejam voltar ao batente fora de casa. Intitulado Back to Work Coach, o encontro com Stephanie é o primeiro passo para muitas mães que não sabem como retomar a carreira. “Passei por isso, sei como elas se sentem”, diz ela. “É difícil ser mulher. Quando temos um bebê, nossas prioridades mudam; mas o resto do mundo espera o mesmo de você.

Muitas vezes, as mulheres vão de uma vida dedicada 100% para si para uma nova vida 100% voltada para seus filhos. Essas duas vidas têm de se encontrar no meio do caminho. Mostro para essas mulheres que é ok se dividir entre elas.” 

Invisíveis 

Segundo Stephanie, essas mães sentem que perderam valor no mercado. “Eu as ajudo a escrever suas histórias e apresentá-las de uma forma atraente. Quero levantar a autoestima delas, organizar suas ideias, suas prioridades, e fazê-las visíveis de novo”, ressalta. “A sensação de invisibilidade é o que todas têm em comum. Acham que não sabem mais se vestir ou se comportar em entrevistas. No entanto, mal sabem elas o quanto aprenderam ao criar filhos pequenos, a começar pela logística e pela habilidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo”, afirma. “Escuto muitos discursos como 'não posso fazer isso ou aquilo'. Então sublinho o que elas já realizaram em suas vidas, asseguro que aquilo tem valor e pode ser vendido mercadologicamente. Acompanho-as até elas serem contratadas, o que me dá uma grande satisfação.” E mais: Stephanie lembra que essas mães não assustam seus empregadores, pois já passaram pela licença- maternidade, ufa, e sobreviveram aos primeiros anos de seus amados rebentos.

Vai lá: stephaniemellulcoach.com

 

Esse texto cedido pela revista TPM (www.tpm.com.br). Tania Menai é jornalista em Nova York há 19 anos e mãe de Laila, de 4.

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