Sobre se meter em programas infantis que não dão certo

Sobre se meter em programas infantis que não dão certo

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Se a definição de programa infantil roubada é aquele em que você gasta uma fortuna, um super tempo, fica morta e as crianças não se divertem, então acabei de passar por um clássico. Sozinha com as crianças, resolvi encarar uma visita ao Museu do Chocolate aqui em Colônia, na Alemanha. Já fomos muitas vezes, as crianças adoram, mas nunca tínhamos participado da visita guiada para as crianças, e minha filha Maria estava doida para participar de uma.

Eu estava animada, queria de verdade fazer alguma coisa bacana com eles, mas tudo saiu do esquema. Para começar, tivemos que esperar muito a nossa vez de entrar. As crianças, além de impacientes, acabaram ficando com fome e a solução foi atacar um menu infantil duvidoso no café do museu, com um preço obviamente exagerado.

Quando a visita começou, a Maria se animou. Meu caçula, contudo, já estava super cansado, ficava se dependurando em mim e perdeu totalmente o humor quando pegou, sem que eu percebesse, um grão de cacau e mastigou em pedacinhos. Passei um bom tempo tentando capturar pedaços esmagados de cacau na boca do Gael que, aprendemos no museu, é um negócio super amargo!

Depois do resgate do cacau, achei que eu ia ter só que distrair meu filho mais um pouco para a Maria aproveitar o museu. Mas ela precisou ir no banheiro, que ficava (óbvio), super longe do lugar onde estávamos. Se é preciso ir ao banheiro, não tem jeito, né? Pedi licença, avisei que voltávamos, impedi o Gael de, como de costume, atacar a escova do vaso sanitário, desinfetei a tábua, lavei maõzinhas e uff.. nos juntamos ao grupo de novo.

Uns  20 minutos depois a guia deu a visita por encerrada e a Maria se indignou: não tínhamos passado pela parte interativa do museu!  A parte que eles amam. E mesmo já estando umas mil horas naquele lugar,  vi minha visita extendida por mais uma hora. Afinal o que é mais um hora num dos estacionamentos mais caros da cidade quando você já deixou o carro lá o dia inteiro?  A cereja do bolo, contudo, foi quando no caminho de volta o Gael dormiu no carro. Ou seja, ia chegar em casa revigorado para ficar acordado até 10 da noite se fosse o caso.

Devo admitir, que eu podia ter planejado melhor essa visita, e talvez ter ido um dia sozinha com a Maria. Mas planejamento não garante a não roubada.

Ano passado, por exemplo, descobrimos uma fazendinha maravilhosa para as crianças. Vários bichos, lago para nadar, brinquedos incríveis, comida caseira super honesta, enfim: paraíso. Na primeira vez que fomos, caímos lá sem nem saber direito do que se tratava. Me lembro que enquanto os meus filhos literalmente charfudavam na lama com a roupa do corpo, as mães das outras crianças vestiam seus filhos com galochas, roupas velhas e depois de equipá-los com baldinho e pá, abriam um livro tranquilamente para aproveitar a paz na fazenda. Eu, claro, não tinha nem muda de roupa, que dirá livro e baldinho. Mas mesmo assim todo mundo estava feliz. Antes de ir embora as crianças bateram um prato de peão de obra e chegaram em casa tão cansados e felizes que foi só dar banho e colocar na cama.

Depois de tanto sucesso, tratamos de voltar rapidinho à fazenda. Dessa vez com toda a instrumentália necessária, para passar o dia se fosse o caso. Mas não rolou: a Maria estava azeda e não queria brincar com o Gael, o Gael foi acometido por um medo surpresa de gansos, o tempo virou, o lugar estava cheio demais, a comida não fez sucesso. Ou seja: planejamento ajuda, mas também não é garantia.

É claro que com o tempo a gente desenvolve uma gama de programas infantis que na maioria das vezes dão certo. Todo mundo tem aquele lugar fácil de ir e que as crianças gostam, aqueles bacanas de fazer junto com amigos com filhos, os programas que são só para dar uma enrolada, aqueles para dias especiais. Mas é impressionante a quantidade de roubada que uma mãe "experiente" como eu ainda consegue se meter.

Eu podia ficar aqui dizendo que essa ou aquela regra é receita de sucesso quando se faz coisas com os filhos. Mas vou poupá-los dos conselhos chatos e contar a única lição certa que tirei das minhas roubadas:  se a vida em si já é imprevisível, a vida com as crianças é uma eterna caixinha de surpresas. Não vale a pena se frustar demais quando as coisas não saem como esperado. Arranjar programas que não dão certo faz parte do pacote. A verdade, é que apesar das fotos na redes sociais insitirem em provar o contrário, tem muita gente se metendo em grandes roubadas com os filhos por aí.  Afinal, convenhamos, quem nunca?

 

Camila Furtado é mãe de Maria, de 5 anos, e Gael , de 2 anos e meio. Ela adora fazer uns programas diferentes com as crianças,  mas desconfia que o preferido deles é bem simples: brincar com a mamãe. Em qualquer lugar, de qualquer coisa, contando que ela esteja ali de corpo e alma.

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