Pediatras do Brasil: uni-vos!

Pediatras do Brasil: uni-vos!

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Filho doente é uma dor para os pais – e a dor ainda piora quando ninguém consegue achar o pediatra. Ou sequer marcar uma consulta.  Comparações são muitas vezes injustas, mas desta vez vou arriscar a comparar a experiência – filha doente – em Nova York, onde vivo, e no Rio de Janeiro, onde passo alguns meses por ano.  Claro que este é um assunto aberto a debates, mas vou partir do princípio de que médico bom é médico disponível – e, de preferência, perto de casa.  Vale lembrar que médico também é marido, também é pai, também precisa ter uma vida (apesar de saber que a escolha da pediatria tem seus sacrifícios). Dito isto, vamos aos casos de Nova York.

Minha filha nasceu em um bom hospital, e neste hospital (assim como todos) tem um pediatra no parto, um pediatra fixo do hospital.  A pediatra que escolhi para minha filha precisava estar no parto? Não. Ela precisa estar disponível no consultório atendendo os pacientes já nascidos,  já que eu contava com alguém in loco da confiança do hospital. Uma vez que a minha filha nasceu, levamos (e fomos pai, mãe e avós na primeira consulta) à pediatra, que até hoje acompanha o crescimento dela. As visitas mensais, e agora anuais, sempre foram recheadas de informação: o que vai acontecer no próximo mês, o que é normal para a idade. Consulta de 15 a 20 minutos e pronto. Objetividade, mas com carinho.

A clínica, que hoje tem diversas filiais pela cidade de Nova York, tem um método eficiente, que pode assustar algumas mães brasileiras, mas continue lendo para ver aonde eu vou chegar: quando a minha filha fica doente (quantas vezes uma criança fica com resfriado na vida? Dez? Vinte?) ela não é atendida pela médica dela. Esta médica cuida do crescimento e desenvolvimento das crianças. Nariz encatarrado pela milésima vez, dor de barriga? Há médicos, e enfermeiras para isso, que atendem em salas separadas: duas salas são para visitas de rotina, duas são para crianças doentes. Assim crianças saudáveis não se misturam com as dodóis. Claro que em casos gravíssimos, o procedimento é outro – mas espero que estes sejam sempre a minoria.

Nas paredes não há foto da família do médico, diplomas ou nada do gênero:  a alma do negócio é o trabalho em equipe (obviamente o currículo de todos está no site).  Depois das cinco da tarde, quando a clínica fecha, os médicos revezam o plantão no  telefone, assim todos tem vida fora do consultório. Você, mãe, liga e fala com o médico disponível, que tem ali um computador com as informações do seu filho. É claro que se o caso for grave, ele te manda para o hospital. Em tempo,  eles são conveniados com um dos melhores hospitais da cidade. Se não for grave, ele vai falar o que fazer e, se precisar, marcar uma visita. Eles dão muito poder aos pais, ensinando a observar os principais sintomas – sem falar que com quase quatro anos de vida, nunca saí com uma receita médica (tirando liquido para nebulização), muito menos antibiótico. Mais? Aceitam quase todos os planos de saúde. O site deles é muito informativo, incluindo uma calculadora de dosagem de remédio para febre para que ninguém precise telefonar para médicos às duas da manhã.

No Rio: não canso de escutar mães que mudam de pediatra ao longo dos anos, ou que tem que se despencar para um bairro longe porque o pediatra atende lá justo no dia que seu filho ferve com 39 de febre. Algumas me dizem ter mais de um, para dar sorte de pegar alguém disponível. Ou, no meu caso, esperar o médico voltar de um parto normal (para que ele tem que estar ali se o hospital tem pediatra?) enquanto a minha filha se empipocava toda  – ele chegou em seu consultório chiquérrimo às 9.30 da noite. Imagina a quantidade de crianças não atendidas? Obviamente, como as amigas, mudei de pediatra, e ela foi diagnosticada com exantema súbito. Sim, eles passam o telefone de colegas, mas nunca se sabe se o colega tem a mesma filosofia, se vai atender o telefone, onde fica o consultório e – claro -  o colega não tem acesso aos dados da criança.

Aí você se pergunta: por que três ou quatro deles não se juntam e formam uma clínica? Ou contratam gente mais jovem como médicos assistentes para ver se aquele catarro é resfriado ou pneumonia? Vantagens: todos poderão ter mais tempo para si, as mães sempre contarão com alguém no consultório, e ao telefone. Resposta de um pediatra carioca, das antigas, com quem conversei sobre o assunto: “ego”. Os médicos com pedigree não querem perder o estrelato, não querem baixar a bola e dividir – não há espírito de coletividade. E as mães, por sua vez, só querem ser atendidas pelo médico principal, sem saber que qualquer residente sabe tirar a pressão e olhar garganta.

Todas nós somos inseguras e carentes quando o filho está doente, mas praticidade nessas horas também ajuda. Se eu souber que um pediatra se ausentaria do consultório para esperar o meu parto normal,  eu não o contrataria, em respeito a outras mães. Também leio sempre o livro "The New Basics" do meu guru, Michel Cohen, antes de usar o tempo de um profissional. Ali, no livro, ele fala quando é pra ligar (nem sempre é pra alugar um médico, meninas) – e ao mesmo tempo ele faz o que a gente mais quer: nos acalmar, com informação, e sem entupir nossos filhos com remédios desnecessários. Está dada a dica. Tim-tim, saúde!

 

Tania Menai é mãe da Laila, que tem 3 anos e 9 meses e pavor de remédios.  Adora médicos, consultórios e a Dr. McStuffins. Já a mãe, pede desculpas por incomodá-los, as raras vezes que tem que ligar depois das oito da noite.

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