Seu filho bate ou morde? Calma que a culpa não é sua!

Seu filho bate ou morde? Calma que a culpa não é sua!

De um lado, os pais do “agressor” se sentem mortificados e envergonhados. Do outro, os pais do “agredido” ficam indignados e ofendidos. Provavelmente você já esteve (ou vai estar) em algum dos lados. Estou falando dos tapas e mordidas que ocorrem com turminhas na faixa entre um e três anos de idade.

Quando o meu filho tinha dois anos, eu estava do lado dos pais cheios de culpa e sensação de fracasso. Eu era uma das poucas mães que ia pela manhã com o filho para o parquinho (nessa época eu ainda morava no Brasil e trabalhava meio período do dia), as outras crianças estavam com as babás. Felipe, na primeira oportunidade que tinha, tascava um tapa num dos amiguinhos que não lhe dava o brinquedo que ele queria. E eu intervia, olhava nos olhos dele, conversava, explicava, fazia ele pedir desculpas, deixava ele sem o brinquedo. Ele não vinha de uma família sem amor e sem educação como muita gente pensa nessa hora. Era horrível pois eu era fuzilada com os olhares de um monte de babás. E voltava pra casa frustrada pensando que eu não estava sabendo cuidar do meu filho, enquanto as babás estavam cuidando direitinho dos filhos dos outros!

Nas minhas tentativas de entender a situação, li muita coisa sobre o assunto. Quando você coloca as crianças em conjunto para se socializar, algumas vão recorrer a expressões físicas de frustração porque simplesmente ainda não conseguem se expressar de outra forma. É trabalho de professores e dos pais cuidarem desses comportamentos e jamais estigmatizarem a criança que morde ou bate. Isto ocorre ou porque a criança ainda não verbaliza seus desejos, ou não consegue controlar os impulsos comuns nessa idade ou simplesmente por estar querendo descobrir o outro, fazer contato. No caso do  Felipe, eu acho que todas estas explicações faziam sentido (para detalhar os motivos e saber o quê fazer, este texto, apesar de estar em inglês, é bem didático: "How to stop your child to biting")

Muitas mães ensinam que é preciso tratar na mesma moeda, do tipo: “se ele te morder ou bater, faça o mesmo nele também para ele ver como dói”. Os especialistas garantem que esta “metodologia” não é a melhor, afinal: como é que você vai dar fim a essa história se encorajar seu filho a fazer o mesmo? E fico imaginando se os pais mandam para a escola os filhos com este ensinamento de “bateu, levou”. As professoras de Jardim de Infância vão ter que administrar um ringue de MMA?

É claro que me coloco na posição dos pais que têm os filhos machucados por outros. A minha irmã, por exemplo, mais nova do que eu, certa vez voltou da escola com uma marca de mordida bem no nariz! Minha mãe queria morrer! Mas não dá pra assumir que o nosso filho está convivendo com pitbulls enfurecidos e partir para a ignorância. Acho o fim do mundo pais que vão tirando satisfação com os pais da outra criança sem o mínimo de tato e educação.

Eu não estou falando aqui que a gente deve deixar pra lá. Claro que não. O susto e a dor da criança machucada têm que ser levados em consideração. Mas eu acho que os pais precisam diminuir a raiva e a sede por “vingança” pois o caso envolve apenas crianças. Toda boa creche ou escola que se preze tem experiência nesse tipo de situação e sabe conduzir o problema sem que ele se torne maior do que realmente é.

Não me refiro a crianças maiorzinhas ou aquelas que podem estar realmente com algum problema mais sério por trás dessa reação. Estou falando do meu filho, do filho de outras tantas mães que se julgam legais e que passam por isso. Não porque o filho é carente, não porque o filho não recebe limites.

São crianças, a maioria ainda de fralda, começando suas vidinhas sociais, aprendendo a dividir, a se frustrar, a conviver. E se alguém for procurar explicação vai ouvir que: sim, isto faz parte do mundo infantil! Recentemente li um texto da "American Psychological Association" que esclarece esta questão. Não se trata de um “desvio de conduta”, mas de um comportamento que precisa de uma intervenção cuidadosa, paciente e sensata. 

Esta fase do Felipe durou alguns meses de atenção redobrada e, claro, uma enorme angústia da minha parte por mais que as amigas mais experientes insistissem em dizer que iria passar. E passou. Hoje, aos 9 anos, ele é um dos meninos mais dóceis e calmos que eu conheço e nunca se meteu em qualquer briga no colégio. 

 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC. Além de Felipe, ela é mãe de Alice, de quase 3 anos. Alice não teve esta fase, ela é mais da turma dos "beijos e abraços sem ter fim".  Ou seja: quem bobear no parquinho, corre o risco de levar uma beijoca.

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