Não estou certa se quero ser mãe

Não estou certa se quero ser mãe

Estou aqui numa cama de hotel em São Paulo, com infecção urinária, em mais uma das tantas viagens por conta do meu trabalho, que particularmente eu adoro. Interessante a minha vontade de ler tantos textos deste blog, já que eu ainda não sou mãe.

Talvez eu esteja querendo achar aqui a resposta se devo ter um filho ou não, no auge dos meus 30 anos recém-completados. 

Este talvez seja um desabafo de uma leitora louca para ter filhos e sem coragem de deixar essa chamada "boa vida" pra trás. Vida de quem só come se está com vontade, só sai se está a fim, viaja pra qualquer lugar só trancando a porta do apartamento, não se preocupa se o lugar tem infra para um bebê. Todo esse descompromisso gostoso me faz adorar a minha independência.

Sou o tipo de pessoa que atrai crianças: onde chego elas grudam. Eu gosto disso, me divirto pra caramba com meus pequenos vizinhos. Sou dinda das minhas duas sobrinhas e encantada por elas. Faço compras de malas de roupas nas viagens para elas e sempre imagino se vai haver o dia em que farei isto para o meu filho...Às vezes penso que não quero ter um "carrapatinho" grudado em mim como minha irmã fala, ou uma "tatuagem na testa" como uma outra amiga fala... Fico pensando naquela hora em que começa a ficar chato e a dinda devolve pra mamãe e pensa "e se fosse meu?"

Fico particularmente mexida quando minhas amigas estão grávidas. Acho isso tudo realmente um milagre da vida. Ao mesmo tempo fico fazendo discretas "pesquisas" com as que já são mães sobre prós e contras. Quando estou em casa com meu namorido de 45 anos (sou apaixonada e estamos comprando um novo apartamento), geralmente nos finais de semana, deitados no sofá bem macio e vendo TV, eu falo: "E aí? Preparado pra ter filhos?" E ele sempre responde com muito entusiasmo: "SIM!" (E eu não entendo como pra ele tudo está tão certo). 

Enfim, ele tem uma vida financeira estável, com todas as facilidades de ser um funcionário do governo federal: sete horas corridas de trabalho, horário flexível. Até creche de graça nos primeiros 2 anos, por conta do trabalho dele, nós teríamos.

Eu, filha de pais ricos falidos, me virei a partir dos 21, me formei, faço pós-graduação em psicologia organizacional e trabalho para uma ONG ambientalista na área que estou amando: Recursos Humanos. Recentemente descobri que é isso que quero fazer na vida! Acabei de ser promovida.

Estou em plena ascensão profissional e se eu parar agora pra ser mãe, alguém vai me esperar voltar para chegar naquele cargo tão almejado? Como pode eu querer muito ser mãe, mas na frente eu sempre coloco outra "prioridade"? Sei que ninguém poderá me dar estas respostas. Por enquanto me contento em ser uma futura-possível-mãe com dilemas tentando descobrir o quão fabuloso é ter filhos ou não. 

 

Este texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna  Mães AnônimasAgradecemos nossa leitora pelo seu depoimento.

Aqui um texto popular do blog sobre este tema: "Você acha que eu devo engravidar?"

O amor das mulheres sem filhos

O amor das mulheres sem filhos

Um mapa do brincar

Um mapa do brincar