Felizes são as mães (e os filhos das mães) equilibradas

Felizes são as mães (e os filhos das mães) equilibradas

Transient

Outro dia eu fiz uma constatação incrível: eu vou ser mãe para o resto da minha vida. Sei que sendo mãe há mais de 5 anos, foi uma conclusão meio tardia, mas é que só agora estou me dando conta que essa fase não vai passar.

Me explico: essa fase que estamos agora, na qual por exemplo o meu filho é capaz de literalmente me morder para não ter que lavar a cabeça, essa fase vai passar. Essa fase agora que essa mesma pessoinha coloca uma fantasia de Batman, diz que vai me salvar dos malvados, e depois me tasca um beijo super babado como se fosse um galã de cinema, essa fase - infelizmente - também vai passar. Essas e outras fases vão passar, e outras vão chegar. Mas ser mãe é para a vida inteira.

Óbvio, né? O que talvez não seja tão óbvio, pelo menos para mim não era, é que qualquer coisa que eu decida fazer da minha vida terá que ser conciliado com a maternidade, e de preferência da maneira mais harmônica possível. Ou seja, há de se encontrar um caminho para a coexistência entre nós mesmas e a mãe dos nossos filhos.

Outra dia a professora do jardim de infância do meu filho - uma senhora que já está quase se aposentando - me disse a seguinte coisa: "Aqui o que eu mais vejo são dois tipos de pais e mães: de um lado estão aqueles que se sacrificam demais, que esquecem dos seus sonhos, que exageram no cuidado e na atenção. De um outro lado, estão os egoístas, aqueles nunca conseguem abrir mão de nada, que querem continuar levando a mesma vida que levavam antes dos filhos nascerem. Agora, o mais difícil de encontrar, aqueles que a gente vê pouco mesmo são os equilibrados, e eu te digo uma coisa, pelo o que eu já vi por aqui, os filhos dos equilibrados costumam virar jovens muito bacanas."

Não vivenciei tantas famílias como essa mulher, mas pela minha própria experiência sei que não é fácil conseguir o equilíbrio. Eu, por exemplo, sou mais daquelas que se tem que pender para um lado, então acabo sacrificando os meus interesses. Como a grande maioria das mães, quero dar o melhor do melhor para os meus filhos. Mesmo que para isso eu tenha que passar por cima de mim mesma como um trator.

Só que aí vem um detalhe muito importante a ser considerado nesta equação desequilibrada. Se a balança sempre pender para o lado dos filhos, uma hora a gente não vai aguentar. A maternidade vira uma peso, se por causa dela você estiver no zero a zero em muitas outras áreas da sua vida. E aí, claro, será bem mais difícil conseguir o que você está tentando: ser uma boa mãe. Coitadas de nós, mas principalmente coitados dos nossos filhos que vão ter que conviver e serem educados por uma pessoa frustrada.

Em um texto para sua coluna na Folha de São Paulo, o psicanalista Contardo Colligaris explica o perigo no comportamento dos "super pais": "Repetidamente, o adulto que ama demais explode, porque não aguenta o sacrifício da sua própria vida, que as crianças não lhe pedem, mas ele se impõe como se as crianças lhe pedissem. Cada explosão, por sua vez, produz culpa, e uma nova onda de extrema paixão amorosa. E a coisa recomeça."

Quem aqui nunca explodiu porque estava operando em capacidade máxima? Mais uma vez parafraseando a professora da escola do Gael: "Repare que quando você está satisfeita com a sua vida, você chega nas crianças com um abordagem totalmente diferente."

Claro que existem fases que a balança vai pender mais para os filhos, e é natural. Quando eles são muito pequeninhos, quando eles estiverem enfrentando alguma dificuldade, ou simplesmente porque neste momento você é a única pessoa que está na linha de frente da criação dos filhos. Bom, nós somos os adultos, e eles são as crianças, e é para isso que a gente está aqui mesmo. Na maior parte do tempo, contudo, seria legal se a gente encontrasse o caminho do meio. Pelo nosso bem, e pelo bem dos nossos filhos.

Infelizmente não tenho a receita, aliás acho que nem existe uma receita pronta para isso. Cada um tem que achar seu equilíbrio de acordo com seus valores, sonhos e possibilidades. Mas eu acho que esse tema vale a reflexão. E vale também, tentar. Não precisa começar se matriculando naquele mestrado maravilhoso com o segundo filho na barriga (eu fiz isso e foi uma das maiores roubadas da minha vida). Pode começar com um "Hoje eu vou ler 3 livros antes de você dormir, amanhã vou ler só um e você vai para cama bonitinho porque que quero acabar o meu livro também, ok?" 

Nós seremos mães para o resto da nossa vida. E seremos mães de crianças ainda por muitos anos, com 30 anos, com 40 anos, com 50 anos. Hoje eles precisam de nós no meio da noite, amanhã eles precisarão de nós para o dever de casa. O quanto antes a gente conseguir estabelecer uma rotina para o dia a dia e principalmente um "acerto mental" que acomode também as nossas necessidades, melhor.

Porque se tem uma coisa que é certa nessa caminhada, é que ela vai ser longa. E ninguém aqui quer queimar na largada, né?

 

Camila Furtado é mãe de Maria, de 5 anos e Gael de 3 anos. Faz uns dois anos que ela está a procura da fórmula do Work-Have fun-Sleep-Play-Be yourself-Be a good mother-Date your husband- life balance. Talvez ela não encontre nunca, mas o importante é tentar. Encarar com bom humor quando não dá certo, e festejar quando dá.

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