4 dicas para se hospedar com a família na casa de alguém

4 dicas para se hospedar com a família na casa de alguém

Eu sempre fico tensa ao me hospedar na casa dos outros. Acho uma situação delicada esta de ficar dando trabalho. Chegaram as férias e um dos nossos planos era passar alguns dias, “no máximo três”, na casa de uma querida amiga brasileira que mora na Carolina do Norte e é casada com um americano. Ela insistiu, dizia que seria um prazer e que nos esperava ansiosa. Eles moram num lugar lindo. Já tínhamos ido por lá, passado um fim de semana, mas era outra configuração: menos filhos nas duas famílias. Agora seriam cinco crianças juntas.

Baseada nesta história, resolvi pretenciosamente expor aqui quatro regrinhas básicas, no melhor estilo “mantendo dias felizes ao ficar hospedada na casa de alguém” para famílias com crianças.

- Você não está num hotel. Isso implica, principalmente se você está visitando alguém que não conta com empregada todos os dias, como é o caso nos Estados Unidos, que você precisa pôr a “mão na massa”. A casa desta minha amiga é enorme e a faxineira só aparece a cada 15 dias. Então, nada mais razoável do que eu lembrar de tirar o lixo do banheiro, colocar e tirar a louça na máquina de lavar, me prontificar a providenciar alguma refeição, comprar coisas no supermercado, deixar a cama e o quarto arrumados, não deixar as coisas da minha família espalhadas pela casa e retirar a roupa de cama suja para colocar na máquina de lavar quando viemos embora. Afinal: eram quatro pessoas a mais na casa dela! Se eu entrasse numa de não dividir a trabalheira com a nossa anfitriã, ela não ia conseguir curtir a nossa visita.

-Respeite a rotina da casa. Cada família tem seus horários, como por exemplo, o das refeições e o de levantar da cama. Não dá pra ficar dormindo até meio-dia e só acordar para o almoço, a não ser que isso seja bem combinado. Ou se o seu bebê precisa dormir à tarde e você quer que tudo esteja em absoluto silêncio, vai ter que se conformar que isso provavelmente não será possível. Na casa da minha amiga, o marido dela prefere que ninguém ande de sapatos pela casa, coisa que não é nosso hábito. É claro que aceitamos numa boa dançar conforme a música e isso agradou o nosso anfitrião.

-Jamais entre em conflito por causa das crianças. Não tem coisa mais saia-justa do que você ficar “apelando” por causa do seu filho na casa dos outros. Se a visita vira uma verdadeira colônia de férias, porque acabou reunindo várias crianças, como foi o meu caso, é preciso não entrar na pilha. É claro que vai ter um momento de estresse, onde o mesmo brinquedo vai ser disputado quase a tapa ou um não vai querer fazer o mesmo programa do outro. Pra tudo isso só tem uma solução: o bom senso. No caso da minha amiga, temos filhos na mesma idade de três anos, uma fase que por si só já é complicadinha. Eu sei bem que a Alice não leva desaforo pra casa e a minha amiga conhece bem o filho que tem. Nós obviamente intervíamos quando eles entravam em choque, mas nós não estávamos naquela onda de "julgar" o filho uma da outra.

-Troque experiências, não imponha o que você acha certo. Uma coisa interessante quando você está visitando outra família é observar como as coisas funcionam diferentes de como é na nossa casa, e não é por ser diferente que não funcionam. Quantas vezes condenamos o que a outra mãe faz, achando absurdo porque a gente jamais faria igual? Pois é. Na casa da minha amiga, as crianças não tomam banho antes de dormirem. E confesso que achei estranho: “Mas a minha amiga é tão preocupada com a limpeza da casa e não vai colocar as crianças limpinhas na cama?” Porque pra mim sempre foi sagrado: filho meu não dorme sem tomar banho. E por sua vez, ela não se aguentou e comentou comigo: “Mas você tão maníaca por banho, pegou o pedaço de frango do chão para a Alice comer?”. Tenho que explicar que o sanduíche de frango caiu e eu quis continuar dando o pedaço do frango que não tinha encostado no chão. Mas enfim… ela e eu conversamos sobre essas diferenças achando incrível como nós mães conseguimos ser tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes. E não é que no dia que voltamos, depois de sete horas de viagem, deixei meus filhos dormirem sem banho pois estavam exaustos? E minha amiga me confessou depois que naquela noite resolveu dar um banho relaxante nos três filhos antes de adormecerem! 

A visita que era para durar três dias, acabou durando uma semana (ok… não estou dando nenhuma dica aqui para você prolongar visitas e dar mais trabalho). Mas agora que já estamos de volta eu vim aqui refletir com vocês o porquê desta viagem bem sucedida. Porque vamos combinar: esse tipo de coisa pode ser bem legal mas também pode virar uma catástrofe, né?

Quantas vezes pode acontecer na casa de um grande amigo, que você jura que conhece bem, as coisas saírem dos eixos porque estar na real intimidade da pessoa muda tudo? Ter a sensação de estar incomodando é terrível. Infelizmente, numa vez que isso me aconteceu, não restou outro jeito do que encurtar a visita, para a amizade continuar.

E você, tem alguma história pra contar? Já se arrependeu amargamente de uma estadia ou ficou com vontade de voltar? Já recebeu uma família "para nunca mais" em casa ou por aí só passaram lordes ingleses? Diz pra gente!

 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC. É casada e mãe de Felipe, de 9 anos, e Alice, de 3 anos. Quando vão para o Brasil se hospedam na "casa da vovó". Mas casa de vó sabe como é, né?  

 

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