O que é legal em ter o segundo logo depois do primeiro

O que é legal em ter o segundo logo depois do primeiro

Um dos primeiros textos que eu escrevi para o blog tinha o título ao contrário desse: “O que NÃO é legal em ter o segundo logo depois primeiro.” O texto era um desabafo sobre as dificuldades que eu estava tendo na época em cuidar sozinha (sem família e sem praticamente nenhuma ajuda doméstica) de duas crianças pequenas. Mas acabou gerando grande polêmica entre as mães que estavam convictas de terem tomado a decisão certa quando resolveram ter um filho depois do outro.

Para mim, contudo, aquele texto nunca foi uma alusão ao meu arrependimento. Eu estava apenas escrevendo sobre as coisas que NÃO eram legais. Fico impressionada com essas pessoas que conseguem narrar suas experiências de vida de forma tão monocromática (tudo foi ótimo ou tudo foi horrível). Claro, que eu estava feliz com a chegada do meu filho, mas foi uma época super dura para mim, em que eu estava no limite do cansaço físico (e aqui, na boa só pode entender quem já passou por isso) e me dava muito pena não estar mais inteira para curtir aquele bebêzinho bochechudo que eu tinha ganhado.

Mas eu sabia também que em algum momento no futuro, chegaria o dia em que eu iria poder escrever o texto reverso, um dia, em que as vantagens de ter tido um filho depois do outro estariam muito mais claras para mim.

E na verdade esse dia já chegou faz tempo. Mas agora parece o momento perfeito para escrever esse texto. Sabe porque? Porque meus filhos, a Maria de 5 anos, e o Gael de 3 anos, estão brincando no quarto deles, sozinhos e felizes, faz mais de uma hora. Tirei a mesa do café da manhã e já estava me preparando para entrar em cena, quando me dei conta de que eles não estavam precisando, nem querendo (“Mamãe, não entra no quarto!!!) ficar comigo.  E então resolvi abrir o laptop e escrever para vocês sobre este milagre que acontece aqui em casa, cada vez com mais frequência.

Nós estamos nessa fase agora, em que a vida é realmente muito mais fácil e gostosa porque a gente tem duas crianças com idades próximas. Tenho a impressão que nossa família é um time completo, pode até entrar mais gente, aliás a gente adora quando entra mais gente, mas não precisa. As crianças se bastam. A Maria tem um amigo no jardim de infância que é filho único. Me dou super bem com a mãe dele, e direto ela se oferece de levar minha filha depois da escola para a casa dela. Isso na real, complica um pouco minha vida, porque só com o Gael em casa é certo que eu vou ter que me ocupar dele, mas se eles estão juntos, a probabilidade que eles arrumem alguma coisa para fazer é muito maior.

Claro que eles brigam para caramba também. Muito. Se provocam, tem ciúmes um do outro, fazem comparações dramáticas dignas de ganhar o Oscar. Mas eles são irmãos, e é normal. Quando eu me lembro do quanto eu brigava com a minha irmã quando éramos pequenas…. mas na hora do aperto, sempre ela era para mim e eu para ela. E é assim até hoje, graças à Deus.

Mas o mais engraçado é que mesmo quando estão brigados, meus filhos são capazes de, sem orgulho nenhum, se unirem em questão de segundos na hora de pleitear alguma coisa de seu interesse. Sempre consigo observar uma camaradagem extra na hora de ir para cama ou de reclamar da comida.

Essa parceria deles não é só engraçada e prática mas é um alívio também. Me conforta saber que eles tem um ao outros, que sempre sabem o que está acontecendo com o outro, que se protegem mutuamente. Vou contar uma coisa agora que é meio bobagem: mas nunca tive coragem de deixar o Gael sozinho com nossa baby sitter, ela é maravilhosa, e confio muito nela, mas ficar com a baby sitter sempre foi uma coisa dos dois. A mamãe não está, e NÓS estamos com ela. Sei que isso é meio exagerado, mas me dá um sentimento melhor saber, que eles não estão comigo, mas estão juntos.

E depois tem a questão racional da história mesmo. Agora que o Gael já está crescidinho, encerrei um capítulo da minha vida. Já estou morrendo de saudades de ter um bebê em casa,  adoro bebês, mas essa nova fase abriu espaço para muitas coisas boas na minha vida: há 4 meses voltei a trabalhar, tenho dormido melhor, tenho tido um pouquinho mais de tempo para mim. Claro que se eu não tivesse engravidado de novo tão rápido, eu já teria atingindo essa fase de “equilíbrio” antes, mas agora estou nela com aquela sensação de missão cumprida. Ok, gerei, amamentei, varei noite. Tudo muito fofo, mas agora vamos virar a página e curtir outras coisas.

Esse texto, contudo, assim como o outro, não é uma tentativa de convencer ninguém de que essa ou aquela opção é a correta. Cada um sabe de si. Sinceramente, não existe uma opção que traga só vantagens. Sempre que a gente opta por um caminho, perde alguma coisa e ganha outras. Mas como esse texto é sobre o que é legal, eu te digo, mais do que qualquer coisa, legal mesmo são esses momentos em que você olha para os seus filhos, e não consegue imaginar como seria a vida de um sem o outro. Isso, te garanto, dá uma sensação bem legal.

 

Camila Furtado mora na Alemanha com o marido e os filhos Maria e Gael. Depois de escrever esse texto ela começou a estranhar o silêncio e foi espiar os dois no quarto. Estava tudo bem, a única coisa meio esquisita é que os dois tinha trocado de roupa e vestiam uma camiseta do Brasil.  (#whatever)

 

 

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