Não basta ser pai, tem que participar

Não basta ser pai, tem que participar

Nessa vida eu não posso reclamar, fui abençoada com pais maravilhosos. Tanto o meu pai, como o pai dos meus filhos são daqueles que todo mundo reconhece como o paizão do pedaço.

Meu pai tem 5 filhos de dois casamentos e nós todos passamos a maior parte das nossas vidas morando com ele ou muito perto dele. Os filhos sempre ocuparam o palco central da vida do meu pai. Drama, comédia, aventura, romance ou rock and roll - não importa qual fosse a encenação da vez, ele sempre estava lá - ou na platéia ou no meio do espetáculo contracenando com o protagonista do momento. E te digo, com cinco filhos, até hoje tem sempre acontecendo alguma coisa com alguém. Meu pai está a serviço da filharada a 38 anos non-stop, desde que nasceu sua primogênita - eu.

Uma das coisas mais legais de ser filha do meu pai é que ele é um dos melhores seres humanos que eu conheço. Ele não é um cara legal só para os filhos dele, ele é bacana com todo mundo. É inteligente, culto, generoso, bem humoradissímo, tranquilo. Todo mundo gosta de estar perto dele. Ter nascido filha dele foi uma mega sorte que eu dei na vida. (Obrigada, Deus!)

Meu marido também é medalha de ouro. Ele personifica o estereótipo do pai moderno europeu. É daquele tipo que sai da maternidade trocando fralda e que levanta à noite sonâmbulo para colocar a chupetinha na boca do neném. É ótimo para brincar de carrinho e se empenha para se aperfeiçoar na arte de fazer um rabo de cavalo. Eu não sei como teria sido a minha vida, com dois filhos pequenos, longe da família, estudando e trabalhando, se ele não encarasse o cuidado dos filhos uma tarefa tão minha quanto dele. Aliás, eu sei sim, teria sido missão impossível.

Às vezes eu olho para ele e sinceramente não sei da onde ele tira forças.  Ele é médico, cirurgião, faz plantão para caramba, chega em casa literalmente quebrado. E juro, sem exagero nenhum - 80% das vezes - quando ele chega em casa a primeira coisa que ele faz depois de trocar de roupa e colocar seu modelito doméstico (ritual sagrado do bom canceriano que é) é ir brincar e/ou cuidar das crianças. Eles são a prioridade absoluta na vida dele. Há dois anos, ele recebeu uma proposta de trabalho super bacana. Era a coroação de anos de pesquisa, além de mais grana e mais status. O problema é que significava também muito menos flexibilidade nos horários - chegar em casa com as crianças dormindo, viajar com mais frequência. Foi super duro para ele, sofreu horrores, mas no final decidiu não aceitar. “Não dá para mim, não vou aguentar ver as crianças tão pouco.” explicou resoluto. Se engana quem pensa que ele olha para trás e fica remoendo essa decisão, ele caminha pela vida seguro de que ali fez a coisa certa, fez o que coração dele mandava. A carreira é importante para ele, mas depois que as crianças nasceram o "vale tudo" acabou.

Mas é claro que nem meu marido, nem meu pai são perfeitos. Cometem erros, enfiam os pés pelas mãos. Faz parte, a vida não é um conto de fadas em que pais e maridos vêm montados em cavalos brancos. Mas desses dois, posso falar uma coisa com toda certeza: esses não fogem à luta. Encaram a paternidade de frente com todas as suas dores e as delícias. Amam seus filhos com tanta renúncia e intensidade, que o amor deles de pai não fica devendo nada para o famoso amor de mãe. Afinal, não basta ser pai, tem que participar.

 

Feliz dia dos Pais para todos os leitores queridos desse blog (Mario, Jorge, Alexandre ,Christian, Frank - só para citar alguns), que super se identificam com os textos porque assim com as mães não fogem à luta.

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