Como dizer não para um filho (sem usar a palavra não)

Como dizer não para um filho (sem usar a palavra não)

Você seria capaz de ouvir 400 vezes a palavra “não” por dia? Pois é, esta é a quantidade de “nãos” que uma criança na faixa dos 3 anos é capaz de ouvir diariamente. Fiquei em pânico. Não que eu ache que a gente tem que criar filho na base do “deixe fazer o que quiser”, muito longe disso. Que fique bem claro que eu não sou a favor de só dizer sim!

 

Sempre gostei de regrinhas e limites para os meus filhos. Mas é claro que a quantidade de “nãos” na cabeça de uma criança pode e deve estar diretamente associada à quantidade de chiliques que ela vai dar por conta disso. Não queremos filhos chiliquentos, nem filhos intransigentes. Por isso mesmo, comecei a pesquisar sobre essa história de evitar a palavra “não”. E eu descobri algo muito bacana: a idéia não é deixar de corrigir ou ensinar, mas arranjar meios de dizer não, sem necessariamente usar a palavra não. Parece tão óbvio, mas nem tão simples.

Aqui, 5 maneiras positivas de responder ao seu filho negativamente, com base num texto que encontrei no site WebMD:

Procure uma espécie de sim

No supermercado, o filho empaca pedindo algum doce. Você diz: “Não. Nada de doces antes do jantar." A criança emburra, bate o pé e começa um chilique daqueles. Soa familiar? "Algumas crianças não podem compreender ou aprender a razão para a regra se elas só ouvirem a palavra não",  diz o psicólogo americano Bruce Grellong. Então, da próxima vez, tente reformular o seu não como um sim. Por exemplo, você poderia dizer a seu filho: "Sim, você vai comer doce depois do jantar. Se quiser, neste momento, posso lhe dar uma maçã”. Fácil? Não. O chilique pode continuar? Sim. Mas os especialistas garantem que esse é um primeiro passo - tentar evitar a negação o tempo todo. Interessante que ao mesmo tempo em que escrevia este texto minha filha queria comer com geléia os biscoitinhos que estavam ao lado do meu computador. Mas eu tinha acabado com a geléia e disse, sem pensar: “Não tem mais geléia!”. Ela começou um mini chilique. E imediatamente eu raciocinei em causa própria e disse: “Vamos comer os biscoitinhos sem geléia mesmo? É tão gostoso!” E peguei um biscoito. Ela pegou outro e saiu feliz. 

Explique os motivos

Considere explicar ao seu filho que, por exemplo, o comportamento de ficar batendo as mãos na mesa várias vezes lhe incomoda. Você pode dizer: "Você está machucando a mesa e isso me deixa triste. Por favor, pare”. Apesar de parecer inútil argumentar com uma criança, na verdade você está ensinando a ela algo importante: "Você está mostrando ao seu filho que o que ele faz afeta outras pessoas ao seu redor. E assim, você está dando a ele um curso intensivo de empatia", diz Leigh Thompson, professora e estudiosa na área de negociação e estratégias. "Pode levar um tempo para o seu filho desenvolver a preocupação com os sentimentos dos outros, mas você pode ajudá-lo a aprender isso por meio da preocupação dele com os seus sentimentos", diz ela. 

Apresente escolhas 

Seu filho está jogando bola na sala e você precisando de menos barulho para falar ao telefone. Em vez de dizer: "Não jogue bola dentro de casa," tente dizer, "Você pode brincar de rolar a bola dentro de casa ou jogar a bola lá fora. Você escolhe" Por quê? Ao oferecer-lhe uma opção, você ajuda o seu filho a achar que tem algum poder sobre a situação. "Para as crianças com idades entre 1 e 3, é importante o incentivo de fazer escolhas simples para desenvolver nelas um senso de independência e competência", diz Claire Lerner, diretora do  “Zero to Three”, uma organização sem fins lucrativos que estuda crianças e bebês. Mas é preciso evitar sobrecarregar uma criança com muitas opções: duas é suficiente, garantem os especialistas.

Demonstre o que você está pedindo

Uma criança de dois anos é capaz de ficar cutucando a irmãzinha mais nova. O pai diz: “Não faça isso, pare com isso." E porque a criança não pára? "Algumas crianças não podem parar o que estão fazendo, mesmo quando você pede, porque elas não sabem o que fazer em vez disso," diz a educadora Elizabeth Crary, autora de “Without Spanking or Spoiling” e “ Love and limits”. Você pode ter que ajudá-las a descobrir isso. O pai poderia dizer: "Dê um beijo assim na sua irmã", ou alguma sugestão parecida e logo a criança vai ter um outro objetivo em mente ao invés de cutucar. Às vezes as crianças precisam que você realmente ajude-as a fazer o que você está pedindo. Se você pede para seu filho acariciar suavemente o gato, porque caso contrário o gato pode se irritar,  segure a mãozinha dele e o guie para acariciar o gato. Faça isso várias vezes e ele vai começar a descobrir por si mesmo. Isso vale para as vezes que seu filho resolver chutar ou bater no amiguinho. ”Em muitos casos, as crianças não estão fazendo essas coisas de propósito", diz Claire Lerner. "Algumas crianças são muito ativas e se sentem melhores quando as suas partes do corpo estão em movimento. Elas estão fazendo isso inconscientemente”. Ajude seu filho a se conectar com o que o próprio corpo está fazendo. Ao invés do “Não chute seu amigo!” que tal uma abordagem bem-humorada: “Vamos dizer para o seu pé parar?" Ou ajude-o a descobrir outra atividade: quem sabe fazer pequenos círculos com o pé.

Use o tom de voz e o olhar 

O tom da sua voz e o seu olhar podem fazer toda diferença para a criança aprender o significado da palavra não. Você pode usar um tom de voz firme ou um olhar sério sem precisar da negativa.  Mas é bom usar este trunfo somente naquela hora em que a criança precisa realmente entender que você não está de brincadeira. Eu acho importante deixar claro que ninguém aqui está dizendo para você sair gritando com as crianças. O tom de voz precisa ser convincente e não escandaloso. Sob o meu ponto de vista, esta dica é a mais difícil de ser executada.

 

Fabiana Santos mora em Washington-DC, é jornalista e mãe de Felipe, de 9 anos, e Alice, de 3 anos. Ela está empenhada em baixar significativamente a marca dos 400 "nãos" diários para uns 50. 

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