Por que algumas crianças se esforçam e outras desistem?

Por que algumas crianças se esforçam e outras desistem?


Minha filha nasceu prematura e teve que fazer algumas cirurgias. Ela ficou com algumas sequelas motoras e por isso, desde os seus seis meses, é acompanhada por uma equipe de fisioterapia, terapia ocupacional e terapia educacional. Visualmente é algo muito sutil mas que precisou de uma atenção especial já que a perna e o braço esquerdos não têm a mesma força do que seu lado direito.

Alice conta com um time de profissionais para superar suas próprias limitaçōes e obstáculos e todos são unânimes em dizer que é realmente incrível como ela é capaz de insistir com algum exercício físico que lhe parece impossível até conseguir o objetivo. Quando estava aprendendo a subir escada, ela sempre queria repetir a lição muito mais vezes do que a fisioterapeuta determinava.

Na escola, a professora ratifica: ainda que não tenha o mesmo nível de destreza dos coleguinhas, Alice arranja meios de realizar o que é necessário (como subir no brinquedo do playground) com bastante perseverança. Não é à toa que uma das coisas que ela mais repete é: “I never give up, mom!” (“Eu nunca desisto, mamãe”), frase que ela aprendeu nos desenhos animados e usa em causa própria. 

Com todo este histórico da minha filha, um artigo do Huffington Post me chamou muito a atenção e eu gostaria de dividi-lo com vocês - a diferença entre crianças que desistem e as que persistem.

A psicóloga e pesquisadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, estuda motivação e perseverança desde os anos 60. Ela descobriu que as crianças se enquadram em uma destas duas categorias: 

-Crianças com uma mentalidade fixa: acreditam que seus sucessos são o resultado de seu talento. Elas entendem que "Se você tem que trabalhar duro, você não tem capacidade. Se você tem habilidade, as coisas vêm naturalmente para você". Quando falham, essas crianças se sentem sem saída. Elas começam a pensar que não devem ser tão talentosas ou inteligentes como todo mundo tem dito a elas. Evitam desafios, com medo de que não vão mais serem vistas como inteligentes e são mais propensas a culpar os outros por suas falhas.

-Crianças com uma mentalidade de crescimento: acreditam que seus sucessos são o resultado de seu trabalho duro e que a inteligência pode ser cultivada. Quanto mais você faz, mais inteligente você se torna. Estas crianças entendem que mesmo gênios têm que trabalhar duro. Quando sofrem uma decepção, elas acreditam que podem melhorar, dedicando mais tempo e esforço para resolver o problema. Isto porque novas conexões neurais são formadas quando você comete erros. O cérebro realmente se desenvolve quando fica um pouco bagunçado.

Mas a questão é: o que faz nossos filhos pensarem de um jeito ou de outro? O estudo de Dweck acredita que o segredo é o tipo de elogio que damos aos nossos filhos, mesmo a partir de um ano de idade.

Dweck reuniu alunos do quinto ano, divididos aleatoriamente em dois grupos, e os fez trabalhar em problemas de um teste de QI. Em seguida, ela elogiou o primeiro grupo por sua inteligência:  "Uau, isso é realmente uma boa pontuação. Você deve ser inteligente para isso." O segundo grupo foi elogiado por seu esforço:  "Uau, isso é realmente uma boa pontuação. Você deve ter tentado muito para isso acontecer." 

Resultado: crianças elogiadas por causa do esforço foram mais propensas a continuar motivadas e aprenderam a se manter confiantes quando os problemas propostos ficaram mais difíceis. Crianças elogiadas pela inteligência queriam fazer a tarefa mais fácil, sabendo que havia uma chance maior de sucesso. Elas perderam a confiança quando os problemas ficaram mais difíceis e eram mais propensas a valorizar suas próprias notas.

Em outro estudo, durante dois anos, os pesquisadores visitaram cinquenta e três famílias para registrar suas rotinas. As crianças tinham 14 meses de idade no início do estudo. Os pesquisadores, então, observaram como eram os elogios dos pais: uns enalteciam o esforço e os traços de caráter; outros elogiavam de forma neutra como palavras como “Que bom!" e "Uau!" 

Depois de cinco anos estas mesmas crianças foram entrevistadas, agora com 7-8 anos de idade. A conclusão? Crianças que tinham ouvido mais elogios pelo esforço eram as mais interessadas em desafios. A mensagem é de que o cérebro é como um músculo. Quanto mais você usá-lo, mais forte ele fica.

Aprendi e continuo aprendendo a respeito da minha filha. Meu objetivo sempre foi o de incentivá-la a fazer por conta própria e nunca deixá-la desistir. Estou sempre pronta para dizer: “Claro que você é capaz. Se você tentar outra vez, você vai conseguir”. Talvez por puro instinto, eu fui colaborando para que minha filha desenvolvesse essa tal “mentalidade de crescimento”, explicada pelos estudiosos.  Ela está conquistando suas vitórias particulares (de engatinhar, andar, subir escada e agora pular) graças à dedicação exaustiva de tentar, errar, tentar de novo até conseguir, entendendo que os desafios estão aí para serem vencidos e que ninguém nasce sabendo. 

Este vídeo inspirador chamado “You can learn anything” (“Você pode aprender qualquer coisa”) é baseado no trabalho de Carol Dweck e foi feito pela Salman Khan da Khan Academy (uma ONG educacional criada por Salman Khan).

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