Minha mãe não está me deixando aprender a ser mãe

Minha mãe não está me deixando aprender a ser mãe

Muita gente reclama de como a sogra interfere na criação dos filhos e o quanto isto é insuportável. Pois eu adoro minha sogra e ela, sendo francesa, respeita demais o meu espaço e o do meu marido. Ela só dá opinião se eu pedir e isto é perfeito. 

Meu problema é com a minha mãe. Ela é uma pessoa bacana, boa mãe, criou 3 filhos a moda antiga  - ela em casa e meu pai trabalhando. Ela é uma avó jovem de 59 anos e muito amorosa com seu único neto, o meu filho Erick, de 1 aninho. 

Eu moro em Londres há 15 anos, tive meu filho aqui. Quem mora no exterior sabe a dureza que é não ter família perto. Daí que num belo dia em 2014 minha mãe cogita a ideia de vir passar 1 ano aqui em Londres para estudar inglês. Iupiiii!!!! Eu fico pensando “que ideia maravilhosa, posso voltar a trabalhar sabendo que meu filho será cuidado pela minha mãe”. Ela vem com um papo de alugar apartamento, mas aqui tudo é caro demais, minha casa tem espaço, ela é minha mãe e tal. Então arrumamos o quarto para ela e creche 3 vezes por semana para o meu filho ir nos dias que minha mãe tem aula. Eu feliz, meu marido feliz e com certeza meu filho também - perto da vovó.

Eu deveria estar eternamente grata a minha mãe, nao é? Sim… mas o problema é que eu não estou aguentando ela se meter na criação do meu filho, ela dá pitaco o tempo todo. “Tá frio, né? Você não quer por um casaquinho nele?” Ou:”Tá calor, né? Melhor você tirar o casaco”. “Acho que ele quer mamar” (e eu penso: ele mamou tem 20 minutos). Daí eu coloco uma meia nele, ela acha que está apertada, larga ou escorregadia. Ou diz para tirar a meia porque está calor, ou sugere colocar a meia pois está frio! 

Se meu filho está com uma cara triste ela quer dar mamadeira pra ele, se está feliz - também. Mas ela é capaz de concluir ainda: “Desde quando mamadeira resolve tudo?” Parece brincadeira. Agora começou a dizer: “Eu acho que seu filho não quer comer sua comida porque ela precisa de mais sal”. Daí ela adora dar coisas para ele beliscar fora de hora, o que depois dificulta ele comer no horário. É um pedaço de pão aqui, outro ali, uma colher de iogurte aqui, outra ali. 

Sabe que eu tento ignorar bastante… ok: coisas de avó, alguém vai dizer. Mas tem horas que não dá. Um dia meu filho resolveu fazer uma pirraça daquelas. Lá foi a vovó pegá-lo no colo, mesmo eu dizendo para não pegar porque era pura manha, mesmo eu pedindo para deixar ele se acalmar. E o que ela faz? Ela pega. 

Aí meu sangue subiu, me senti tratada como criança, incapaz, desrespeitada. Fiquei estressada. Passado uns 10 minutos, eu me acalmei e fui tentar explicar a ela que eu queria muito que ela respeitasse o meu jeito de criar meu filho. E então foi aquele rosário de lamúrias, ela disse que eu era histérica, nervosa, que ela só estava tentando ajudar, que se sentia mal na minha casa - igual aquela minha tia que reclamava da nora (isso me deixou muito triste).

Ainda tive que ouvir que eu “reclamo demais”. Pôxa! Eu me dedico de corpo e alma ao meu filho e ainda trabalho full time, faço comida, brinco, dou risada, levo para passeios, acordo a noite, adoro beijar e fazer chamego. Mas não tenho direito de reclamar do cansaço? E ela ainda vem com aquele papo de que “na minha época…” 

É claro que ela me ajuda, mas também me cansa. Claro que quando eu coloco na balança o bem que ela faz ao meu filho, eu engulo meu orgulho, meu saco cheio, minhas angústias. Só que eu não consigo ser natural, me sinto um robô, parece que entrei 2015 treinando “cara de paisagem”.

Será que existem outras leitoras com esta dificuldade com a própria mãe? Eu tenho me sentido muito angustiada porque a minha mãe não está me deixando aprender a ser mãe. Aguardo algum bom conselho!

Esse texto foi enviado por uma leitora para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora por confiar sua história ao nosso blog!

 

 

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