Vida de mãe expatriada: uma aventura!

Vida de mãe expatriada: uma aventura!

Go-Adventure-Mom-Long.jpg

Amanhã estou indo sozinha com meus filhos, de 6 e 4 anos, da Alemanha para o Brasil. Não sei nem dizer quantas vezes já fiz esse voo. Sozinha, acompanhada, grávida, com recém nascido, com um bebê de colo e outro na barriga, com um de colo e outro que não cabia mais no carrinho. Mas mesmo depois de tantas vezes, sempre dá um frio na barriga. Voo de longa de distância, sozinha, com filho pequeno não é exatamente o que a gente pode chamar de uma delícia.

Me lembro que há uns anos, fui visitar um casal de amigos em São Paulo, a filha deles tinha quase dois anos como a minha, e eu estava grávida de 5 meses. Eles me olhavam admirados: “Camila, você encarou esse voo sozinha, você é mesmo a mulher-maravilha.” Achei super fofo deles, mas tive que discordar. Infelizmente, não sou a mulher maravilha. Primeiro, porque especificamente neste quesito voo internacional, quem mora fora do Brasil sabe que existem muitas outras brasileiras encarando o mesmo desafio desde que os filhos nasceram - “normal”.  E depois, porque esse, é só mais um desafio. 

Até o novo país não tenha virado “casa” mesmo - o que pode levar muito tempo, dependendo do país e da capacidade de adaptação de cada um, viver no exterior é uma grande aventura. E não tem outro jeito: para viver uma aventura é preciso coragem. 

É uma aventura pegar o voo, mas é uma aventura também levar seu filho no pediatra e não ter 100% certeza de que entendeu tudinho, e ter que se adaptar ao jeito diferente dele, no mesmo momento que está preocupada com a febre do filho.

É aventura entrar no grupo de mães, cujos nomes delas e dos filhos são muitas vezes impronunciáveis, e se abrir para o novo e tentar fazer amizades, sabendo que seu jeitinho de ser mãe será sempre seu, mas desenvolvido em um contexto diferente.

É também necessário coragem para mudar paradoxos, e tentar acreditar em coisas esquisitas como por exemplo aquela história de que a gente não pega resfriado por causa do frio e sim por causa de vírus, e que as crianças podem brincar com graus negativos lá fora. E aí coloca nessa conta mais um pouquinho de esperteza e de saber se virar, para entender e procurar quais são as roupas boas mesmos para brincar lá fora. 

E também será necessário muita atitude na hora de se apresentar para os amiguinhos dos filhos, e deixar claro no seu sorriso, que sim, você não é muito parecida com a mãe do Ben, da Lotte e do Frederik. Mas você é a mãe da Maria, é brasileira, e é tão legal como qualquer outra mãe. Ou até mais :-)

Enfim, há 10 anos atrás quando mudei para cá, para morar com o meu namorado alemão, eu não sabia como a minha vida de mãe ia ser tão diferente das minhas lembranças e referências do Brasil. Hoje, a Alemanha é uma segunda pátria, me sinto bem aqui, falo a língua, conheço o país, mas sempre há novas aventuras. Agora, por exemplo, uma vez conquistado o território do jardim de infância, minha nova aventura é a escola primária da Maria. Entender as regras, os códigos culturais, a relação com os professores, equilibrar minhas expectativas com o que me está sendo oferecido… Enfim, um novo mundinho para todas as mães com filhos novos na escola, e para mim que não estudei em escola alemã, um novo mundinho com um toque a mais de novidade. 

Às vezes o “toque a mais de novidade” dá uma cansada, às vezes é legal para caramba. Mas independente se é legal ou se dá medo, se é fácil ou se cansa, vai fazer o que, né? Tem que encarar. Afinal, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo, o que a vida quer da gente é coragem. Até mesmo para nada muito espetacular, só para ser feliz mesmo. 

 

Camila Furtado é mãe de Maria de 6 e Gael de 4 anos. Ela acredita que existem muitas mães por aí,  que nunca nem pisaram fora do Brasil e que são verdadeiros exemplo de coragem. 

10 ideias de presentes para as crianças que não são brinquedos

10 ideias de presentes para as crianças que não são brinquedos

Somos todos gigantes

Somos todos gigantes