Seus filhos querem um cachorro? Alugue um!

Seus filhos querem um cachorro? Alugue um!

Essa belezinha aí da foto é a Lotti, nossa cachorra de “aluguel”. Mas para explicar um pouco melhor essa história tenho que contar um pouco do histórico da minha família com cães. Nós somos definitivamente “gente de cachorro”. Eu mesma tive três, em parceria com os meus irmãos: o He-Man, o Baby e o Branquinho - esse último era muito mais da minha irmã e já contei a história dele aqui no blog também. Infelizmente, com exceção do Branquinho, devo admitir que nossos cachorros não foram muito felizes com a gente não. 

Essa foi a primeira visita da Lotti na nossa casa. Olhem a carinha de felicidade da Maria. 

Essa foi a primeira visita da Lotti na nossa casa. Olhem a carinha de felicidade da Maria. 

O He-Man era um poodle totalmente fora de controle, superinteligente, que quase falava com a gente. Ganhamos ele ainda crianças e passada a fase do entusiamo com aquele filhotinho lindo, eu e meus irmãos fazíamos qualquer negócio para NÃO levar o He-man para passear. Na adolescência então… coitado do He-Man, tudo na vida era mais importante do que cuidar dele, e o resultado é que ele se tornou um dos cachorros mais engraçados e mal educados da face da terra. Cena legendária da história do He-Man: Domingo, almoço de família, tudo prontinho, tudo lindo, quando a família entra na sala de jantar, está o He-Man em cima da mesa devorando a lasanha, e o pior: a bendita tinha ficado grudada no céu da boca dele, então ele nem estava mais se deliciando, estava era ferrado tentando se livrar. 

Depois teve o Baby,  um cocker-spaniel que eu e meus irmãos resolvemos comprar no impulso, na rua. Eu sei, parece a coisa mais absurda do mundo comprar um cachorro no impulso, mas foi exatamente isso que aconteceu.  Para justificar a doideira de simplesmente trazer um filhote para casa, iríamos fazer do Baby um lorde. A missão não deu muito certo, as causas são discutíveis, mas a verdade é que depois de alguns anos, os jovens “maduros” que o tinham comprado espontaneamente tiveram que ir, cuidar da sua próprias vidas e o Baby sobrou para o meu pai.

Porque estou contando essas histórias? Porque meus filhos querem um cachorro.  E eu, mais do que ninguém, sei que filhotes são as coisinhas mais sedutoras, fofas e adoráveis do mundo, mas a história do cachorro pode acabar muito mal, como vi acontecer. Me dá até arrepio ver as mães aqui do bairro saindo de manhãzinha, com um frio abaixo de zero, para passear.

Mas isso não quer dizer que a gente (minha filha Maria, em especial) precisa desistir do sonho de ter um cachorro. Dá trabalho, é responsabilidade para caramba mas é também muito amor. A decisão de ter ou não ter tem que ser muito bem pensada. Será que eles querem mesmo? Ou será que vão parar de ligar para o bichinho dois meses depois?  A vontade de ter um cachorro é maior do que as limitações que o cotidiano com ele nos irá impor? É um compromisso de anos e tem que estar todo mundo na família com muita certeza que é isso mesmo.

E é aí que entra a Lotti, nossa cachorra de aluguel. Conheci ela com seu dono, aqui no bairro.  Enquanto ela brincava com o Gael, fiquei de papo com o dono, que era uma simpatia e me contou - entre outras coisas - que para que a Lotti não passe muito tempo sozinha, ela vai três vezes na semana em um “jardim de infância” para cachorro.  Depois que nos despedimos, tive um estalo! Uma cachorra tão boa, precisando de companhia, e nós aqui, cheios de amor para dar… E se a gente se oferecesse para cuidar da Lottie uma vez por semana? Seria bom para ela, que nao ficaria mais tanto sozinha, e bom para a gente que além de poder de curtir, vai ter uma bela prova de realidade do que é um dia com um cão.

Passei dois meses rezando para encontrar a Lotti na rua de novo, já que eu não tinha telefone, nome, nem nada do dono dela. Até que um dia, voltando do supermercado lá estavam eles… sai correndo com as sacolas, dei uma de louca, contei minha ideia para o dono da Lotti, e enfim, deu tudo certo. Somos agora oficialmente, a família baby sitter da Lotti. Os donos dela, que moram do lado da nossa casa, parecem ser muito gente boa, estão agradecidos pela nossa ajuda e felizes em dividir um pouquinho da Lotti com a gente.

Agora uma vez por semana, em um dos dias que eu faço home-office, a gente cuida da Lotti e a Lotti mostra para a gente se nós somos mesmo uma família que pode se responsabilizar por um cachorro. Porque amar é fácil, amar a Lotti, a gente já ama. 

E vocês, querem um cachorro? Será que não tem uma Lotti pertinho de vocês, não?


Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe da Maria de 6 anos e do Gael de 4 anos. Ela acredita sinceramente no amor que a filha, principalmente, tem por cachorros, mas está curiosa para ver se esse amor resiste a passear no frio, pegar cocô na rua e limpar sujeira em casa.   

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