Eu sinto falta daquele marido do começo de tudo

Eu sinto falta daquele marido do começo de tudo

Eu sei que isso aqui que vou escrever não é apenas um desabafo de mãe, mas de qualquer mulher dentro de um relacionamento de vários anos. No meu caso: 11 anos e 2 filhos. A pergunta que tenho me feito é: onde foi parar aquele cara que eu conheci e que me encantou tanto no início de tudo?

Cadê aquele cuidado, aquela atenção toda, aquela preocupação em não vacilar nem nas palavras nem nas atitudes? Cadê a magia daquela grande paixão? Alguém pode dizer que isso é um grande clichê: claro que as coisas mudam, vem a rotina, os filhos e os casamentos caem na mesmice e na falta de tesão. Mas eu não me conformo com isso.

No meu caso, o meu marido é um bom companheiro e um super pai. Só que ele é tão bom pai, que se esquece de ser também um bom marido (leia-se atencioso e carinhoso comigo). Meus dois meninos, um de 9 e outro de 6 anos, demandam muito dele. E eu fico me sentindo em segundo plano para o meu marido. Claro que eu amo meus filhos, claro que eu valorizo o quanto é importante eles terem um pai presente. Só que eu também preciso de um marido presente. Então lá no fundo, absurdamente, rola um ciúmes da minha parte.

Eu sei que esse distanciamento não é só aqui em casa. Posso perceber vários casais de amigos que estão juntos, mas são dois seres que mais parecem robôs um com o outro: estão na loucura dos seus afazeres, preocupados em serem bons pais e mães, bons profissionais, completamente ocupados com tudo, menos um com o outro. Saímos muito pra jantar com amigos assim… casais felizes? Nem tanto. Apenas conformados com o jeito que vivem. Algo parecido com as dunas que existem em Natal onde o bugueiros perguntam: com emoção ou sem emoção? E o casal escolhe descer e subir as dunas com um bugue a 20 quilômetros por hora.

Nem sei se é adequado eu confessar isso aqui, mas então… eu também caio naquele clichê de ficar observando os homens à minha volta, principalmente no meu ambiente de trabalho, e ficar fantasiando que eu poderia estar sendo feliz com algum deles. Afinal, eu ainda me sinto atraente. Mas a realidade é que isso pra mim é uma tremenda furada. Eu não quero trair o meu marido e não acho que esta seria a solução para a saudade que eu sinto de como era o meu marido comigo há dez anos. A gente era tão cheio de paixão e hoje me sinto tão vazia dela.

Faço análise há vários anos (e claro que este é um tema recorrente na terapia). Eu sei que antes de reencontrar esse marido do passado, eu preciso resgatar como eu era: quem sabe retomar o meu bom humor que era tão bacana, o meu otimismo na vida, cortar o jeito reclamona de quem tem mil e uma obrigações a fazer. Eu sei que pra muita gente a palavra de ordem hoje em dia é se reinventar. Para mim, a minha grande vontade é retomar - o comecinho fascinante que me fazia acreditar tanto que eu seria feliz no casamento. Alguém por aí conseguiu essa mágica?

Este texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna  Mães AnônimasAgradecemos nossa leitora pelo seu depoimento. Se você quiser desabafar, mande um texto para gente!

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