Especialistas garantem que é saudável criança acreditar em Papai Noel

Especialistas garantem que é saudável criança acreditar em Papai Noel

Meu filho mais velho, Felipe, tinha 9 anos, quando me colocou contra a parede: “Papai Noel não existe, né?” Eu não estava esperando aquela pergunta. Hesitei um pouco, mas por mais que sempre tivesse sido importante, para mim e para o meu marido, manter a história do Papai Noel, eu só pensava que eu não podia mentir ali. Aliás, mentira é algo que ensinamos sempre ser errado! Expliquei com o maior carinho que Papai Noel existe enquanto a imaginação da gente permite. Ele ficou um pouco chateado, dizendo que a gente havia mentido. Eu insisti que aquilo não era mentira nenhuma, era uma espécie de mistério, uma forma de deixar a infância viva, divertida, com memórias que ficam pra sempre. 

Felipe ficou pensativo. Na verdade, acho que ficou um pouco orgulhoso por estar se desprendendo da infância e se tornando um rapazinho. Mas no mesmo dia ele veio me contar que o melhor amigo ainda acreditava em Papai Noel: “Eu tenho certeza de que ele acredita, então não vou dizer nada do que eu descobri para não estragar a fantasia dele”. Acho que ele entendeu bem a minha explicação.

Conheço casais que reprovam veementemente dar corda para essas coisas. Mas para a minha família esse é um momento bem especial. Ainda mais agora, morando numa casa com lareira, fizemos questão de manter na Alice, minha filha mais nova, a mesma fantasia. "Eu não acho que é uma coisa ruim para as crianças acreditarem no mito de alguém tentando fazer as pessoas felizes se elas estão se comportando ", diz  Matthew Lorber , psiquiatra infantil do Hospital Lenox Hill, em Nova York . "A imaginação é uma parte normal do desenvolvimento e ajuda a desenvolver as mentes criativas".

 “Há benefícios para o desenvolvimento cognitivo e emocional”, garante Jacqueline Woolley, professora e presidente do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas. Para ela, acreditar em seres impossíveis, como Papai Noel, pode exercer habilidades de raciocínio nas crianças. "O tipo de pensamento ao se imaginar como nove renas podem voar através do céu carregando um trenó pesado pode muito bem ser o mesmo tipo de pensamento necessário para imaginar uma solução para o aquecimento global ou uma maneira de curar uma doença”, diz a especialista  que estuda a compreensão das crianças sobre a realidade. E para quem está achando esse papo maluco demais, ela ainda complementa: ”Esse tipo de pensamento - envolvendo a fronteira entre o que é possível e o que é impossível - está na raiz de todas as descobertas científicas e invenções, dos aviões à Internet”. Woolley diz ainda que a crença no Papai Noel faz bem também aos pais, que “gastam um pouco do seu próprio tempo imaginando o impossível” ao manter viva a crença nos filhos. 

No Natal passado, Alice tinha 3 aninhos. Meu marido teve a ideia de buscar no Ipad um aplicativo com a voz do Papai Noel falando: “hohohoho...”. Na hora que estávamos jantando (nossa celebração sempre foi na noite anterior), meu marido disfarçadamente saiu da sala colocou o presente pertinho da lareira e ligou o “hohohoho….” vindo do Ipad. Alice estava sentada de costas, entretida com o jantar e a carinha que ela fez jamais vou me esquecer ( e é disso que falo quando digo que teremos sempre lindas memórias): ela largou o garfinho, estatelou os olhos, gritava “papai noel” e saiu correndo da cadeira para ver o que estava acontecendo. Deu de cara com o brinquedo, que foi pedido na carta colocada na caixa do Correio.  

Eu não vou dizer que ao longo deste 2015 ela falou nesta vinda do Papai Noel todos os dias, mas sim, ela falou disso pelo menos uma vez por mês, sempre com muito entusiasmo. Lembrando os detalhes, que ela estava com o garfo na boca, que ela levou um susto e repetindo a explicação que a gente deu: “Ele não pôde ficar pois tinha outras crianças para deixar o presente. Ele estava com muita pressa”.

Nos meus Natais de “grande família” no Brasil, sempre tinha alguém pra se fantasiar de Papai Noel e chegar fazendo “hohohoho…”. Num dos últimos Natais que passei no Brasil, um primo (bem magro) fez às vezes do bom velhinho para as crianças, enrolado numa roupa desajeitada em que a barriga postiça saia o tempo todo do lugar. Os adultos choravam de rir e as crianças pequenas acreditando demais!

Num livrinho que li para Alice recentemente, a família deixava do lado de fora um copo de leite, biscoitos e algumas cenouras para as renas, porque afinal de contas, quando o Papai Noel passa na casa da gente, ele e sua trupe estão com fome, né? Então para este ano, talvez vamos fazer o mesmo…  

O mundo já anda tão complicado que eu acho que a gente tem mais é que incentivar este "faz de conta". Eu quero muito quando os meus filhos forem adultos que eles tenham muitas histórias mágicas da infância pra contar aos próprios filhos. 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC com a família. Alice, de 4 anos, desde que viu as primeiras decorações de Natal deste ano, pergunta todo dia pelo Papai Noel. E algo bem definido na cabecinha dela é: os que estão pelas ruas são pessoas fantasiadas, porque o "de verdade" está vindo do Pólo Norte!

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