Natal de expatriado: sem família e com novas tradições

Natal de expatriado: sem família e com novas tradições

Natal: eita época chata para estar longe quem a gente ama, né? Para mim esse será o primeiro Natal desde que as crianças nasceram que não passo com minha família no Brasil. Agora que minha filha mais velha entrou para a escola, nós temos poucos dias livres entre Natal e Ano-Novo (aqui na Alemanha é proibido por lei faltar na escola!) e a coisa fica meio inviável. 

Natal agora para mim será mais um daqueles eventos em que estar com a minha família se resume em ficar olhando para uma tela, desejando tudo de melhor e constatando que a vida da sua família está acontecendo sem você.  Alguém devia colocar no “Manual do Expatriados” um capítulo inteiro chamado: “Membros familiares virtuais - dores, delícias, conflitos & receios”

Mas enfim, como a gente bem sabe que não adianta nada ficar chorando as pitangas, afinal essa é a nossa realidade, o negócio é tentar fazer do nosso Natal o melhor possível. Decidi que não estou nada a fim de ficar dando corda para fossa natalina, e que meu Natal será legal mesmo faltando gente, mesmo diferente do que estou acostumada. E coloca "diferente" nisso. Afinal eu não apenas moro em outro lugar, como tenho um alemão e dois alemãezinhos em casa. Ou seja: não tem jeito, é hora de abrir passagem para novas tradições chegarem.

Não quero esquecer todos meus costumes natalinos-tropicais mas também não posso ignorar como as coisas são feitas por aqui. Quero um Natal multi-culti, do jeito que nós somos e estou tentando balancear as tradições. Aqui na Alemanha por exemplo, as árvores de Natal são pinheiros de verdade - que eu acho o máximo - mas a árvore só é montada faltando alguns dias para o Natal, tem gente que deixa para montar árvore no dia 24! Essa parte da tradição vetei, me desculpem, mas para mim isso não tem graça nenhuma. Tem um pinheiro, de verdade e vivinho, há três semanas na minha sala. Outra tradição alemã que me desce meio torta é o famoso ganso. Minha sogra preparou ganso durante séculos para a família dela, nem preciso dizer que ela manda muito bem, e quem sou eu para acabar com a festa do ganso...  Quando ela está com gente, ela faz o ganso, eu como, prestigio e tudo mais. Mas na real… ganso não é muito a minha, então se a Oma está na festa, um dia vamos de ganso e de outro vamos de ceia contemporânea- essa é mais a minha, esse ano até salada de quinoa vai ter (Aliás minha sogra adorou se apresentada para a quinoa). Já a pouca disposição dos alemães para extravagancias materiais me inspira - que verdadeira benção conviver com gente pouco consumista!  

Mas sabe que no fundo, pensando sobre o que do "meu Natal do Brasil" quero que meus filhos também vivam, só tem uma coisa que não abro mão mesmo. Natal com meus pais e meus irmãos é engraçado, é alto astral, é alegre. Natal é um momento que a gente está junto e está muito feliz por estar junto. Sempre tive essa sensação nos Natais que passei com eles, uma sensação de pertencimento, de fazer parte daquela família louca e ser feliz por isso. 

Se eu conseguir passar essa sensação de gratidão para frente, acho que a missão está cumprida. Até como ganso, tudo bem. 

 

Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe da Maria de 6 anos e do Gael de 4 anos. Ela deseja força na peruca para todas as mamães expatriadas que sentem saudades das suas famílias no Natal. The show must go on!

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