O que a gente faz para um filho comer melhor?

O que a gente faz para um filho comer melhor?

Um filho que não come direito é, sem dúvida nenhuma, um drama para muitas famílias. Os americanos chamam este tipo de criança de “picky eater”, ou seja, exigente para comer: queixa-se quase sempre do que é servido; recusa alimentos, principalmente verduras e carnes; empurra, faz birra, engasga, joga fora a comida; quer sempre a mesma coisa; resiste em experimentar alimentos novos; come muito devagar; prefere doces e alimentos gordurosos em vez de alimentos saudáveis.

É claro que não é de uma hora para outra que uma criança assim se transforma num exemplo de criatura que come de tudo. Mas para ter chance disso acontecer, alguns “truques” podem ajudar. E para isso, eu fui atrás da especialista americana Amy Freedman, fonoaudióloga, consultora em Desenvolvimento Infantil e uma das autoras do livro “Is it a big problem or a little problem?”.  Ela presta consultorias para pais e mães à beira de um ataque de nervos porque os filhos não comem direito (a despeito dos esteriótipos, há muitos pais americanos que não são adeptos do "junk food"). Como ela mesma diz: “Ninguém quer que um filho prove peixe só quando tiver 16 anos”. Por isso, eis aqui 10 dicas que ela considera importante (é bom frisar que estes “conselhos” se aplicam melhor a crianças entre 2 e 5 anos):

1- Faça a criança ajudar na escolha e no preparo do alimento, como por exemplo, na hora de fazer uma salada. Bem como arrumar a mesa. Isso vai deixá-la mais interessada e orgulhosa de si mesma. É uma boa forma de “abrir o apetite”. Veja com ela o encarte de supermercado. Faça-a circular com um lápis a fruta ou verdura que queira comprar. Leve-a ao mercado e dê oportunidade dela escolher algo saudável. 

2- Ter pelo menos uma refeição por dia em família, com todos sentados a mesa é super importante. Esta é a chance de se conectar, conversar e ter um momento juntos.  Preste atenção na cadeira que a criança está sentada na hora da refeição. Pode parecer besteira mas não é: a criança precisa estar confortável e bem posicionada frente ao prato. 

3- Os lanchinhos podem ser oferecidos mas com o cuidado de não atrapalharem as refeições já que a maior motivação para se comer bem é a fome. Experimente oferecer nestes lanches frutas em primeiro lugar. 

4- Tenha sempre no menu alguma coisa que a criança goste. Em contrapartida, introduza alguma coisa nova, mas sem pressão. Tente pelo menos “uma colherada”. Não desista e reintroduza o mesmo alimento numa próxima oportunidade, depois de algumas semanas.

5- Se a criança não quer comer, não faça disto uma tempestade. Ela vai ver a consequência natural de ficar com fome até a próxima refeição ou lanche. Nenhuma criança vai passar mal se ficar uma ou duas refeições sem se alimentar. Se isto for uma constante, aí sim é preciso consultar um pediatra. 

6- Uma boa estratégia para manter a criança sentada e não deixá-la escapulir antes da refeição acabar é usar um timer (contador de tempo) divertido. Ela precisa entender que durante aqueles minutos, até o timer apitar, é hora de comer.  

7- Criança precisa se familiarizar com a comida. Se ela resolve pegá-la com as mãos: tudo bem. É um primeiro passo para que depois ela coma. Deixe que ela se acostume com a textura, com a cor, com o cheiro, para que consequentemente ela esteja pronta para comer. 

Do livro: "Eu nunca vou comer tomate", de Lauren Child.

Do livro: "Eu nunca vou comer tomate", de Lauren Child.

8- Na hora de contar história, que tal escolher livrinhos que falem sobre o tema? Uma sugestão  da especialista (que tem versão em português) é: “Eu nunca vou comer um tomate”, de Lauren Child (da coleção “Charlie e Lola”); E aqui alguns pesquisados pelo blog: “Que cardapio!”, de Tatiana Belinky ; “Lagartinha Comilona”, de Eric Carle e "Bibi Come de Tudo", de Alejandro Rosas.

9- Ter uma postura sempre positiva é essencial. Elogiar quando a criança decidir provar. “Que bacana que você provou algo novo!”. Se ela por acaso cuspir, isso não pode ser motivo para brigar com ela. Use copos, talheres, pratinhos divertidos. Faça da refeição um momento prazeroso e não torturante.

10- Nós somos o espelho: se você não come verdura, como fazer seu filho comer? Quando eu estava assistindo uma palestra da Emy Freedman, ela fez uma dinâmica entre mães e 5 das 15 mulheres não quiseram experimentar uma comida diferente. Se adultos são capazes de rejeitar novidade, imagine crianças pequenas? Precisamos ter paciência com elas.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 10 anos, e de Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington-DC. O mantra da casa na hora das refeições sempre foi: "prove, prove, prove". Com o mais velho deu super certo e ele come de tudo. Já a mais nova... 

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