6 filhos, sem empregada e louca para ter um tempo pra mim

6 filhos, sem empregada e louca para ter um tempo pra mim

Eu tive 6 filhos. Algo nada comum nos dias de hoje, eu sei. Quatro meninas e dois meninos. As idades variam entre 22 e 1 ano de idade. Nunca tive ninguém para me ajudar. Nem empregada, nem babá, nem família por perto. Só eu e meu marido. Como é que eu dou conta? É a pergunta que mais escuto.

Tenho os meus truques. Tudo é cronometrado. Meu apartamento é impecável, sou muito perfeccionista. Levanto as 5 da madruga e faço tudo. Às sete da manhã, eu já arrumei as camas, já tirei o lixo, coloquei a roupa para lavar, já dei o café para todos e deixei a cozinha limpa. Quando saio pra levar as crianças pra escola a casa já está pronta, quando volto sento na máquina e costuro, faço comidas rápidas e que sobrem para o outro dia, assim ganho tempo. Às vezes almoço fora com os mais novos depois da escola. Além disso, ainda administro uma loja virtual.

Moramos em um bom apartamento, o dinheiro não sobra, mas também não falta, vivemos com conforto, temos tudo de que precisamos. Mas todos têm ciúmes de todos, se compro algo pra um o outro reclama, principalmente as meninas. As mais velhas morrem de ciúmes dos menores, é muito choro e muita briga sempre, elas não entendem que já tiveram o tempo delas e que agora é a vez dos pequenos.

Posso dizer que já vivi de tudo um pouco com os meus filhos. Com cada um foi uma experiência diferente: tive parto normal, tive cesária, uma mamou até os dois anos e já a outra fiquei com trauma e não mamou no peito, uma eu embalava e cantava pra dormir enquanto o outro apenas colocava no berço e o deixava dormir sozinho.

Eu queria filhos, mas nunca me imaginei com tantos. Tive três do primeiro casamento, o terceiro faleceu com 5 anos de idade (um dor absurda), me separei e casei novamente. Queria muito e tive outro filho. Mas a sexta e última gravidez não foi planejada. Engravidei tomando pílula.                                                                                                                                                                            Meu marido sempre diz que eu gosto de controlar tudo e é verdade. Optei por não ter emprega porque eu não gosto da ideia de outra pessoa cuidando da minha casa, dos meus filhos e do meu marido. Tudo tem de ser do meu jeito. Talvez seja teimosia ou orgulho de não dar o braço a torcer e dizer que preciso de ajuda. 

Eu não sou calma, nenhum pouco, sou muito estressada. Sempre tem algum filho pedindo algo, me leva em tal lugar, faz isso pra mim, faz aquilo. Minhas filhas mais velhas são muito dependentes e, por culpa minha talvez, não fazem praticamente nada em casa pra me ajudar. Para as coisas saírem como é preciso tem dias que eu surto mesmo, grito como louca e rapidinho todo mundo se agiliza. Não sei como ainda não fomos expulsos do prédio.

Apesar de repetir sempre que “eu amo minha família, não trocaria isso por nada” - eu preciso confessar que eu não sou totalmente feliz. Sou mãe, sou esposa, mas onde está a mulher? Começo a chorar quando me dou conta disso. Vivo sempre cansada e com sono. Sinto falta de ter uma vida, de realizar as minhas vontades e não só as da minha família. Acho que eles me vêem como uma empregada, não enxergam os meus sentimentos.

Queria ter privacidade no banheiro, queria ter meu tempo, sair uma vez por semana com as amigas, rir, bater perna no shopping, deitar na cama por meia hora sozinha sem escutar a palavra mãe quinhentas vezes por dia.

Meu marido, apesar de ótimo pai e parceiro nos afazeres de casa, me cobra muito por sexo. Isto me chateia. Eu o amo demais, mas depois de um dia exaustivo, eu quero me jogar na cama e dormir. Mas não posso, tenho que arrumar tesão não sei onde para satisfazê-lo.

Meu sonho é fazer uma abdominoplastia e uma mamoplastia. Não consigo olhar para o meu corpo. Meus seios estão caídos e minha barriga é só pelanca. Queria ser como a maioria das mulheres, cabelos sempre bonitos, unhas sempre feitas. Sinto falta de ir a um salão de beleza, mas isso não faz parte da minha vida. Não tenho tempo e não sobra dinheiro para mimos.

Eu não sei se vai ser fácil para quem está lendo este depoimento entender o que se passa comigo. Eu não me arrependo de ter a família que eu construi mas é que no meio desse caminho eu esqueci de mim. E por conta da maneira que eu conduzo as coisas, não consigo enxergar uma forma de me resgatar, de abrir espaço para mim e para as minhas vontades. Tenho 41 anos e talvez já esteja passando da hora de me reinventar. Só não sei como começar.

Este texto foi enviado por uma leitora para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora por confiar sua história ao nosso blog!

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